A Zona Cerealista aqui em São Paulo tem um armazém (esqueci o nome) com um banco na calçada.
Estava ali sentado sexta-feira passada, esperando uma paciente q estava dentro comprando queijo. Meio um programa de índio q rola em meu atendimento com ela de tempos em tempos. Usando minha camiseta do System Of A Down.
Passa um senhor pardo, de chinelo de dedo, camiseta, alguma compra na mão e banguela dum dente, olha pra mim e manda, apontando pra própria camisa:
“System Of A Down é uma banda foda”
Concordei, apontando pra minha camisa. Sem entender o q viria. Sujeito fala: “Serj Tankian, baita vocalista“.
Retruquei q sim. E q era armênio. Q tinha recém lido a autobiografia do sujeito, q fala bastante do Genocídio Armênio.
O homem sentou do meu lado (não era um nóia) (tb não era armênio, lhe perguntei) e me manda mais essa: “Nethanyahu é pior q Hitler“. Não podia concordar mais. E costuramos uns 5 minutos de papo condenando Israel e o genocídio palestino, o morticínio de crianças (o austríaco não chegou a isso), em q disse conhecer um judeu cheirador de pó q estaria no front (em troca de pó) e não mais q de repente passou a falar q o “futebol brasileiro morreu“.
Opa.
Última Seleção decente, a q ganhou 2002. Concordei. Q o Vampeta tinha falado pra Juca Kfouri q eles jogaram a Copa com uma garrafa de cachaça embaixo do banco. Concordamos q o Neymar é um lixo, me disse ser santista (desconfiava um pouco mesmo) e q a “única coisa bonita no futebol atualmente é a torcida do Corinthians“.
Fiquei ali disposto a emendar mais assuntos, mas foi se levantando. Mandei um “não nos apresentamos“. Ele: “Gil“, eu “Marco“. Se levantou e foi embora, me saudando já de costas. Mandei um derradeiro “prazer em conhecer“.
Me senti o Carlos Alberto de Nóbrega.