[algo q postei no falecido Exílio Rock – q ñ faz a menor falta – e no Facebook em meados de 2012. Putz]
Lembro quando esse “Duets” (disco de duetos de Frank Sinatra com figuras as mais e menos a ver) saiu em 1993, em minhas divagações de adolescente tonto eu ficar pensando como seria um dueto, sei lá, do sujeito com Tom Araya.
Fazendo alguma jazz version de “War Ensemble”, sei lá.
Quase 20 anos passados, após finalmente adquirí-lo, em meus devaneios de adulto besta me ocorreu o seguinte: tivesse gravado com Araya dueto intitulado “I’ve Got You Under My Dead Skin Mask”, eu ñ teria levado tanto tempo pra comprá-lo!
Às vezes penso que o Ozzy Osbourne anterior ao Pro Tools – ou ao “No More Tears” (tanto faz) – teria tornado esse som ainda mais do caralho, se o tivesse gravado.
Dimensões paralelas, de qualquer modo.
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[postado no finado Exílio Rock em 14 de Outubro de 2012]
Ñ é exatamente uma típica resenha Thrash Com H. Juntei a impossibilidade de fazer uma nova com o ensejo de reprisar esta aqui, postada no extinto Exílio Rock em 2 de Março de 2013. Segue:
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Outro dia aí, pelos caminhos e descaminhos do Facebook, um amigo postou algo chistoso sobre Ney Matogrosso, tornado mais ou menos papo sobre o Secos & Molhados. Quase que na hora, lembrei de postar por aqui sobre um tributo ao grupo e a seu memorável e auto-intitulado 1º álbum de 1974, lançado há 10 anos, a mim uma das piores atrocidades cometidas sob a chancela “álbum-tributo”.
Segue lista dos sons e executantes – duplo sentido! – que por si só já devem aludir ao horror de “Assim Assado”:
“Sangue Latino” – Nando Reis
“O Vira” – Falamansa e Maskavo
“O Patrão Nosso de Cada Dia” – Toni Garrido
“Amor” – Ira!
“Primavera Nos Dentes” – Eduardo Dussek + 3
“Assim Assado” – Capital Inicial
“Mulher Barriguda” – Pitty
“El Rey” – Matanza
“Rosa De Hiroshima” – Arnaldo Antunes
“Prece Cósmica” – Raimundos
“Rondó Do Capitão” – Pato Fu
“As Andorinhas” – Marcelinho Da Lua
“Fala” – Ritchie
Não fosse suficiente só o notável elenco – explicitamente, quase todo o cast da Deck Records, do magnânimo Rafael “Baba Cósmica” Ramos, numa forçação de barra inenarrável – creio caberem ainda alguns destaques:
Sim, cada artista fez versões de acordo com seu “som”, seu estilo. Mas Arnaldo Antunes “cantar” “Rosa De Hiroshima” configura praticamente crime hedidondo, inafiançável. Cagou e sentou em cima da rosa, da rosa. Matanza fazendo “El Rey” – originalmente acústica – naquele hardcore capenga que lhes é característico, achei um ESTUPRO. Vinheta de 10 segundos, “As Andorinhas”, virando drum’n’samba (eletro-samba pra japonês que já foi modinha), deve ter sido pra arriscarem colocá-la na trilha dalgum remake de “Laranja Mecânica”, naquela parte do condicionamento aversivo com o criminoso, só pode…
Nando Reis, oras, conseguiu ERRAR em sua versão. Cortou fora 2 versos de “Sangue Latino”, com que a banda de apoio o acompanhou. Se foder!
Salvam-se, pra dias de muito bom humor e benevolência, ou de muito tarja preta na moleira, as versões de Ira!, Capital Inicial e Pitty. A de Ritchie é a inusual: um inglês cantando “Fala” com mais propriedade que todos os outros brasucas.
Todo o resto é oportunismo fuleiro de ex-artistas tentando lugar ao sol. Não conseguiram: “Assim Assado” deu em nada. Também por conta dos Secos & Molhados haverem se perdido nas brumas da memória: quem os curte nem é o público da maioria dos artistas aqui elencados. Ainda bem.
Gerson Conrad, um dos ex-integrantes do grupo, em depoimento à finada Revista Zero, também detestou as versões de Arnaldo Antunes e do Matanza e classificou “Assim Assado” como “um disco que não passa emoção”. Chegou perto, foi educado.
Deveria ter falado que “Assim Assado” é um lixo. Uma bosta.
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CATA PIOLHO CCXXIX – “Slither”: Metallica ou Velvet Revolver? // “Smear Campaign”: Napalm Death ou Annihilator? // “Unleash the Beast”: Saxon ou Hypocrisy?
Se o alarme do meu antigo Monza, o secador de cabelos da minha esposa e o microondas que temos aqui em casa falassem alemão e resolvessem montar uma banda, ela seria como o Tangerine Dream.
Sunrise In the Third System – 4’20”
Fly And Collision Of Coma Sola – 13’05”
Alpha Centauri – 22’00”
“Alpha Centauri” é gema rara que descobri em minhas prospecções musicais à moda antiga: tem quem caçe música na rede, eu caço cd’s em sebo. E que há umas duas semanas venho ouvindo direto.
Algo do tempo em que “música eletrônica” era música experimental. Ruidosa, viajante, progressiva, transgressora. Vide os títulos, também inortodoxos. Ao invés dos putz-putz pra playboy quicar chapado, sem objetivo, em rave.
Algo dum tempo que era outro século, 1971, que tinha o propósito de fazer um “surrealismo musical”, na presunção de seu mentor Edgar Froese. Banda barra projeto até hoje ativa (com já mais de 40 álbuns), ainda que um tanto descaracterizada, porque também influenciada pelas bandas eletrônicas ruins por ela longínqua e porcamente influenciadas.
Algo do tempo em que as pessoas ARRUMAVAM TEMPO pra ouvir músicas de 20 minutos. Quem sabe isso não volta a ser comum?
(sonhar AINDA não paga imposto)
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[post cometido no Exílio Rock morto e sepultado, em 27 de Julho de 2012]
Pois isso talvez seja o tipo de mínima coisa que leva às revoluções maiores. Ou não. A notícia da semana, de não ser mais o famigerado “Cidadão Kane” o “melhor filme de todos os tempos”. O ícone-mor da 7ª arte passou a ser “Um Corpo Que Cai”, do Hitchcock.
Notícia que acompanhei por alto desta vez, como 99% das pessoas possuidoras de internet o fazem: li um cabeçalho a respeito e fui fazer qualquer outra coisa. Por isso, não perdi escassas horas de sono especulando a respeito dos critérios, colégio eleitoral ou razões cinematográficas pra tal abrupta mudança de paradigma.
(a não ser que talvez o colégio anterior de críticos, já anciãos e anciãs todos e todas, estarem provavelmente morrendo e deixando espaço para novos críticos anciãos e anciãs, fora volúveis sem distinção de gênero)
O que tal notícia me fez lembrar foi do videoclipe de “Last Cup Of Sorrow”, do Faith No More, baseado livremente em “Um Corpo Que Cai”. Com direito a tonalidades antigas opacas, roupas de época, Mike Patton canastrão incorporando James Stewart e um desempenho pra lá de oscarizável de Mike Bordin na cena final. E apenas na cena final.
O clipe, provavelmente o melhor – ou não? – do Faith No More, caso se realizasse alguma votação a respeito, ainda contou com participação hollywoodiana de Jennifer Jason Leigh incorporando uma Grace Kelly de plantão.
No que ficou pra mim esta como a maior inquietação: alguém sabe por onde anda Jennifer Jason Leigh?
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[post lavrado no extinto Exílio Rockem 1 de Setembro de 2012]
Este é um post vintage, pra pessoas como eu, que ainda compram dvd.
(se bem que, procurando, vai que tem pra baixar…)
É também uma dica de dvd praquele tipo de pessoa que acha que o Motörhead acabou no “Another Perfect Day”, há 29 anos… Tem gente assim na “mídia metálica”, vide Bento Araujo. Mas não apenas: a quem sabe que a horda de Lemmy ainda persevera no Evangelho, lançando álbuns a cada 18 meses, segue AINDA MAIS a dica. Deste bootleg, “Heart Of Stone”, desovado por estas bandas pelo selo Voice Music.
Que a capa não ajuda: fica parecendo desses muitos dvd’s encontráveis atualmente, piratas oficiais, de shows tirados de fitas de videocassete gravadas de transmissões de programas especiais ou transmissões de shows em tv’s européias, ou de sei lá onde. E a qualidade das imagens corrobora isso um tanto.
Por outro lado: o áudio é bastante razoável, e o material… pérolas da arqueologia motörhéadica. Duma formação, dita “clássica”, que, salvo engano, nunca teve registro em vídeo adequado.
Show principal, inteiro, da turnê do “Iron Fist”, no Canadá em 1982. Com o trio Lemmy/Animal Taylor/Fast Clarke simplesmente abrindo com “Overkill”; com o palco decorado pelo bombardeiro estilizado que vinha desde os tempos de – óbvio – “Bomber”. Sem nenhuma frescura: som após som, banda em ponto de cintos de bala, copiados pelo Destrúcho mais tarde. Com uma platéia completamente entregue.
Curiosamente, não tocaram “Iron Fist”. A não ser que não conste o show inteiro – parece haver alguma edição. Mas “America”, “Heart Of Stone” (oras…), “(Don’t Let ‘em) Grind You Down” e “(Don’t Need) Religion” constam do set. Nos extras, outro show, de 1980, em Nothingham, anterior ao “Ace Of Spades”, álbum, que a maior curiosidade pra mim é “Step Down”, com Fast Clarke cantando.
Não bastando, há extras, facilmente encontráveis no You Tube, mas reveladores do quão xaropes os caras eram: playback de “Bomber” no “Top Of the Pops” inglês, p.ex., conta com Animal Taylor na bateria de 2 bumbos à frente, usando chapéu panamá ahah
Constam também os famigerados playbacks de “Please Don’t Touch”, com Motörhead e Girlschool juntos, pra quem ainda achar que é pouco. E “The Hammer”, também dublada nalgum programa matinal a céu aberto, com apresentador usando terno, público nada a ver com nada (e umas sacolas plásticas nas mãos) e pratos de bateria cor azul piscina.
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[originalmente postado no Exílio Rockem 15 de Julho de 2012]
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* CATA PIOLHO CCXXVII – Jogo dos 7 Erros Videoclípico:
Internet surgiu pra agilizar tudo, hum? Fluxo de informações e de conhecimentos, de spams e de discussões inúteis tanto quanto, embora seja mais utilizada pra se baixar sons e ver putaria. Sempre mais rapidamente, sempre otimizadamente.
Encontrei recentemente no You Tube duas manifestações meio de contra-fluxo a essa “agilidade” toda, ainda que certamente não deliberadas ou intencionais enquanto protesto ou reflexão. A esse tanto de informações, conhecimentos, spams e papagaiadas, sons e putarias a granel, por tabela também tornados mais e mais descartáveis.
Tema de “Arquivo X” tocado 800% mais lento. Virou completamente outra coisa bizarra:
E aí você, que usufrui desta internet que otimiza tempo, mas não te oferece tempo de sobra pra mais nada, tipo VIDA, não vai arrumar… tempo pra acompanhar os vídeos completamente, hum?
Melhor pra você.
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[post originalmente cometido no falecido Exílio Rock em 21 de Outubro de 2012]
Existem os discos manjados, os consagrados e os de que já se “ouviu falar” do Motörhead. “Snake Bite Love”, de 1998, é provavelmente o álbum IGNORADO da banda.
Em parte por conter a capa menos ortodoxa de Joe Petagno. Em parte por não haver legado assim algum “hit“. E em parte por termos nele sons um tanto complexos: porra, é talvez o único álbum da horda cujos sons passam todos dos 3 minutos!!
Pra quem acha que todo álbum motörhéadico é sempre o mesmo (e bão), que tal a sepulturice percussiva (solo, vai) de Mikkey Dee em “Assassin”? O tijolo no queixo “Take the Blame”, não a 1ª nem a última música deles a escarrar nos políticos? O riff grudento de “Love For Sale”, de que mal se percebe os quase 5 minutos de duração?
A crueza de “Night Side” ou o quase AOR “Don’t Lie to Me”? Etc. A versão nacional ainda contém a ótima “Over Your Shoulder” (do “Sacrifice”), ao vivo, de brinde. Nem precisava.
Love For Sale
Dogs Of War
Snake Bite Love
Assassin
Take the Blame
Dead And Gone
Night Side
Don’t Lie to Me
Joy Of Labour
Desperate For You
Better Off Dead
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[originalmente postado no Exílio Rock em 28 de Março de 2012]
Entendo quem desdenhe de “March Ör Die” por considerá-lo comercial em demasia, haja visto “Hellraiser” e “I Ain’t No Nice Guy” ainda serem os sons mais conhecidos. E é disco que parece conter alguma – compulsória? – reparação para com o maciço investimento (sem retorno em paradas de sucesso) que a Sony fez com o Motörhead no “1916” anterior.
Entretanto, a despeito dalguma acessibilidade também marcante na (ótima) versão de Ted Nugent (“Cat Scratch Fever”) e na hoochie coochiana “You Better Run” (anos mais tarde presente em trilha sonora do longa do Bob Esponja), tenho que os demais sons não foram devidamente apreciados.
Que o digam “Bad Religion”, onde Lemmy cospe em Deus – num outro Deus – e também no Diabo, e “Jack the Ripper”, hard rocks com culhão, razoável duração e trampo denso de duas guitarras, ou a positivista “Stand” que inicia o petardo (superior a muito livrinho de auto-ajuda por aí), ou ainda as “na cara” “Name In Vain” e “Too Good to Be True”.
Ah, mas é álbum lento. Sim. Penso que, fora pela vocação mais acessível da safra, também pela mudança baterística à época, resultante em Animal Taylor melancolicamente gravando seu último som com a horda (“I Ain’t No Nice Guy”, de participações a mim identicamente macambúzias de Slash e Ozzy), seu substituto Mikkey Dee ter estreado também num único outro (“Hellraiser”) e Tommy Aldridge, músico de estúdio e ex-tudo quanto é banda, ter gravado os outros.
Ah, mas a faixa-título, aparente continuação da faixa-título anterior (“1916”) não chega aos pés daquela. Questão de gosto, pra mim também não. Além disso, a capa nem é grande coisa, mas tudo bem.
Ouso dizer que “March Ör Die” talvez seja o disco que o ZZ Top jamais fez ou fará. Pior pros texanos. Não o considero o pior do Motörhead, como algumas pessoas apressadamente cravam – “Another Perfect Day” ainda me soa o “menos inspirado” – e me soa recomendação certeira de álbum para ser ouvido nalgum salão de snooker cheirando a cerveja e cigarro.
Stand
Cat Scratch Fever
Bad Religion
Jack the Ripper
I Ain’t No Nice Guy
Hellraiser
Asylum Choir
Too Good to Be True
You Better Run
Name In Vain
March Ör Die
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[originalmente postado no Exílio Rock em 3 de Abril de 2012]