MR. BUNGLE • TEST
Cine Jóia, 26.01.26
Não tem como ter uma banda com Scott Ian e Dave Lombardo e não ficar bom.

Assim: o “problema” é q é porrada o tempo todo. Daí aquelas músicas antigas esquisitas do Mr. Bungle foram duas, sendo q “Retrovertigo” nem tocaram inteira. O resto foi o material novo – da demo antiga – e ficou faltando um pouco de variação.
Eu normalmente não gosto do Mr. Bungle, acho superestimado e cheio de “coisinha”. Mas segunda (dia ruim) lá no Cine Jóia (lugar ok) eu senti falta das “coisinhas”.
Compensaram com 5 covers esquisitos q deram dinâmica. Pra alívio dos hipsters*, q pareciam metade da platéia. Abriram com alguma homenagem latino-americana, Dave Lombardo no bongô, com a música de abertura da série “Narcos”. “Tuyo”. Ficou foda.

Divago: esse Mr. Bungle 2.0 é uma encarnação totalmente comercial. Mike Patton ressuscitou a demo de metaleiro zoeiro púbere, juntou 2 ícones do metal pra valer e estão em rolê.
Quero ver quando (ou se) sair material novo com essa encarnação formação, já q Trey Spruance (guitarrista) não é nem um pouco fraco e o discreto Trevor Dunn tem seus predicados como baixista.
E claramente todos ali se divertindo. Olho no olho, pausas entre as músicas pra confirmar ou não sons, Scott Ian rachando de rir em “I’m Not In Love” (10cc) e até mesmo Patton interagindo, muito diferente daquele autista tocando de costas pro público nos dias de Faith No More.
Faith No More, aliás, q só compareceu nas camisetas (maioria) dos presentes (e me pareceu prevalecer a da capa de “King For A Day, Fool For A Lifetime”) e no momento em q um povo na pista ressuscitou o “porra caralho”, a princípio refutado (“é de outro tempo”, disse Patton), depois incorporado no início de “Refuse/Resist”. Q achei muito melhor q a versão de “Territory” q andaram cometendo.

E um momento “média com a torcida” até desnecessário, pq desde o início jogaram um jogo ganho.
Divago de novo: como descrever a sumidade Dave Lombardo? Assim: tudo quanto é vídeo q vcs possam estar vendo em Instagram e YouTube dá pra OUVIR o sujeito tocando. Mal dava pra vê-lo – tambores e Trevor Dunn na frente me atrapalhando – mas consegui honrar meu compromisso religioso ali.
Não q os hipsters* soubessem de quem se tratava, mas enquanto parte da metade metaleira me senti representado. Continua sendo um dos meus bateristas favoritos.
E em termos de momentos favoritos, elejo 6: “Eracist”, a versão em “Português” pra “Speak English Or Die”, “Raping Your Mind”, a cover de Exploited (“Fuck the USA”), a de 10cc citada e “Refuse/Resist” sem Andreas!

Tudo o q estão dizendo e recortando de bom, eu juro ser verdade. Mas a verdade é q o Mr. Bungle agradou às pessoas diversas ali presentes (muita gente cantando junto!), ainda q de modos diversos.
Não teria como ser ruim e não foi.
PS – tá, só esse mascote coelho eu acho feio e nada a ver
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Quanto ao Test, pouco a dizer, mas definitivo:
- Não foram um show de abertura. Fizeram 40 e poucos minutos do q sempre fazem, só q MELHOR. O melhor show deles q já vi e candidato forte a top 10 de 2026. Vcs não leram errado
- o amigo bonna viu lá do mezanino Lombardo e Spruance curtindo a apresentação dali do palco. Patton agradeceu e os elogiou DUAS VEZES. Difícil não ficar estupefato
- impossível ter ficado indiferente: os hipsters não conseguiam discutir briefing de agência durante e quero crer q eu era da minoria metaleira q os conhecia. Ficamos todos chocados
- o grindcore está superado. Deixaram-no pra trás. Test comete prog grind, grind jazz ou pós-grindcore. Ou tudo isso misturado, temperado a decibéis açoitados e a contragosto do freguês.
João Kombi e Thiago Barata, caralho. Andreas Kisser quem?

*como reconhecer um hipster em show: queixo empinando e segurando um copo de cerveja numa mão enquanto tenta usar o celular na outra. No meio da pista. Fazem cara de nojinho quando tem roda. Gostam de conversar logo após o primeiro som, pq são “ansiosos”, têm TDAH e se acham dignos(as) de atenção


