SÉRIE “PRECURSORES DO HEAVY METAL”, por Mônica Schwarzwald
(publicado originalmente em 30 de Dezembro de 2003)
Cactus, um grão de areia no deserto
Imagine-se em uma loja de discos em 1972, com dinheiro para comprar um ou dois discos, mas sem nada especial em mente. Olhe só os lançamentos: Deep Purple, Yes, Led Zeppelin, Black Sabbath, Rolling Stones, ícones do rock arrebentando, e você tendo que decidir. Difícil, não? Mais difícil ainda era saber que, além destas, havia outras dezenas de bandas fantásticas que acabaram quase no ostracismo devido ao altíssimo padrão de qualidade musical na época.
Pois bem, para quem não conhece, apresento o Cactus. Um grãozinho de areia que acabou se perdendo na vastidão das dunas das bandas apoteóticas dos anos 70.
Durante uma turnê do Vanilla Fudge em 1969, Tim Bogert e Carmine Appice, baixista e baterista da banda, insatisfeitos e planejando um novo trabalho, rumavam para o Arizona, quando passaram por um outdoor onde lia-se “Cactus Drive-In”. Nunca foi tão fácil escolher um nome de uma banda!
Recrutaram Jim McCarty, ex-guitarrista da Mitch Ryder And The Detroit Wheels, e Rusty Day, ex-vocal da Amboy Dukes e partiram para o primeiro disco, gravado em 1970, mas quase vetado por causa da capa [mais abaixo]: um inocente, e ereto, cacto, que dá nome à banda, na frente de um rubro pôr-do-sol. O som poderoso do hard visceral, a “cozinha” histórica de Boggert e Appice, a voz rouca de Day nos dão aquela felicidade de estarmos vivos, sentirmos que temos sangue nas veias e amamos o divino rock!
O segundo álbum, “One Way… Or Another”, gravado nos ares mitológicos do Electric Lady, estúdio de Jimi Hendrix, é sem dúvida o melhor dos quatro.
As composições têm por base o hard rock blueseiro com pitadas jazzísticas. As melodias, os arpejos inicialmente singelos, são levados progressivamente a uma catarse, beirando o heavy metal.
É emocionante, seu coração acaba seguindo o compasso da música.
Vale destacar a “arte de tocar baixo” de Sir Bogert. No embalo dos baixistas “rebeldes” como Jack Bruce (do Cream), que fazem algo mais além de ficar na tônica ou fazer aquele “arroz-e-feijão” da maioria dos baixistas empalidecidos e tímidos, ele usou seu instrumento em solos muito longos e com distorção! Inovador e brilhante, Tim Bogert é conhecido como um dos melhores baixistas americanos.
“Restrictions”, o terceiro, é o começo da crise interna na banda. Bogert e Appice continuam arrebentando, mas as composições não chamam a atenção, a não ser “Evil”, que segue a inspiração do início.
Em 72 McCarty e Day deixam o Cactus e são substituídos por ilustres desconhecidos que participam da gravação de “Ot’N’Sweaty”, um fracasso que leva os fundadores a desistirem e partirem para outra. Era o fim do Cactus.
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(por Marco Txuca)
“Cactus”, 1970 (Atco/Atlantic) – gravado dum vinil (nacional?) da Mônica
sons: PARCHMAN FARM [Mose Allison]/ MY LADY FROM SOUTH OF DETROIT / BRO. BILL / YOU CAN’T JUDGE A BOOK BY THE COVER [Willie Dixon] / OLEO / LET ME SWIM / NO NEED TO WORRY / FEEL SO GOOD
Lendo revistas de bateria, sempre ouvi falar bem do Carmine Appice. Gravando este disco, emprestado pela Mônica, somei-o no rol dos bateristas subestimados-injustiçados (como são Bill Ward e Nicko McBrain).
Um pouco é culpa dele, afinal, ninguém mandou ele seguir carreira com o Rod Stewart!…
O som pra baixar na net, se for o caso, é “Parchman Farm”. Pra quem curtir, cate “Oleo”.
Essa primeira é a “Fireball”, do Deep Purple, se o Ian Paice tivesse cheirado um pó antes de gravar. Rockão legal, no mesmo andamento da do Purple, mas com uma entrada (virada) do Appice já matadora. O cara é bem mais técnico, e o som de batera desse disco é bem melhor gravado q a maioria dos Purple e Black Sabbath setentistas q já ouvi.
Levada de 2 bumbos bem simples (semicolcheias), mas bem audível e instigante – dizem q só o Keith Moon (do The Who) usava 2 bumbos na época: [ainda] ñ conheço…
Viradas precisas, rápidas, curtas, um som de caixa muito legal. Solinhos de guitarra bem blues, rock’n’roll (na primeira ouvida) básico, e tal. O vocal ñ compromete, e é legal tb. Em “Oleo”, há solos de bateria e baixo. Assim como um solo de bateria fecha o disco, em “Feel So Good”.
Outra q achei legal tb, é “Let Me Swim”. As demais seguem aquele padrão meio blues-rock, q o próprio Purple popularizou (aliterações!…). “My Lady From…” é uma balada, mas sem ser baba. E a versão de Willie Dixon (q o Megadeth ‘homenageou’ em “I’m Superstitious”), vem bem blues, e cai num rockão no final.
Pra concluir: no planeta do Super Homem Bizarro, esses caras com certeza estouraram.
Papo q eu levava com os comparsas de banda outro dia no ensaio. Sobre técnicas insanas de bateria. E sobre o vídeo abaixo, q eu já tenho guardado no orkut há tempos, mas ñ tinha me tocado de postar por aqui.
Ñ se deu ao trabalho nem de montar a bateria inteira.
Reparem a técnica de usar o pé como uma ALAVANCA. Ou uma HÉLICE. Ponta de pé e calcanhar. Puta q pariu!
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Pq me ocorria nesse papo de ensaio, do tanto de molecada tonta por aí q ainda corre atrás da sapatilha do Aquiles, da bateria igual a de ñ sei quem, das baquetas do supostamente fodão q toca na banda foda q só imita Helloween ou Blind Guardian. Eficácia simbólica (Lévi-Strauss) completamente NULA.
E de bateristas-ícone, com baquetas customizadas, sapatilhas à venda, vídeo-aulas amadoras e marketing hiperbólico tal qual de jogador de futebol “revelação”… Quantos bateristas no metal nacional se dá pra apontar como tendo criado algo novo, técnica diferenciada?
Sentar e tocar é o q há. E é o q resulta na personalidade, na técnica, na ampliação de horizontes baterísticos. Meio como Paul Bostaph dizia naquele teco de entrevista postado por aqui em 28 de Maio último.
Daquelas coisas q a gente nem esperava mais. Passava pelo site da Brigade (com menos posts q o whiplash, mas de teor de atrocidades proporcionalmente maior. E com coisas ali ñ atualizadas há mais de ano), e eis q consta anunciada…
… a NOVA EDIÇÃO (!!!), nitidamente defasada.
E aí fico perguntando: pra quê?
Por quê?
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Ainda q, por outro lado, tvz valha eu correr fazer a assinatura anual. Afinal R$7,50 ao ano ñ me farão ter q morar embaixo da ponte ahahah
Passando num sebo aqui perto, me deparei com 3 álbuns do Mercyful Fate, “In the Shadows”, “Time” e “Into the Unknown”. 10 real cada um. No entanto, meu fim de mês permite q eu pegue só UM.
Acabou o sufoco. Acabou o suspense. Acabou todo e qualquer vazio existencial. Acabaram as noites à base de Diazepam e Lorax. Acabaram as noites de sono de Lars Ulrich. Acabaram certas notas idiotas e falsamente interativas, daquelas tipo “ah, o som novo tá foda”. Pra daí acabar o sossego.
Q sossego?
Nome do Megadave – digo, Megadeth – novo foi revelado: “Endgame”.
A nota mustainiana ñ deixa de ser ridícula (como sempre).
Lá em http://whiplash.net/materias/news_874/090979-megadeth.htmlpra quem curte uma vergonha alheia. Ou achar q, mais q Joey DeMillus – digo, Joey DuLoren; digo melhor, Joey DeMaio (arre!) – Dave Mustaine é o último baluarte do velho e bom heavy metal.
(Cada qual crê no q quiser crer, afinal… Este nem é um blog intolerante. Mala, mas ñ intolerante)
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E q sossego acaba, reiterando?
O das notas antigas cedendo vez às notas idiotas futuras. Q certamente trarão debates intermináveis e infrutíferos a respeito de “será ‘Endgame’ o último do Megadeth ou ñ?”
Q Lemmy (vulgo Deus) tenha compaixão de nós!!!!!!!…
Acho q nem tanto, mas realmente jazz. E, tal qual as versões Cardigans pra Black Sabbath (post “Black Sabbath For Babies?”, de semana passada) já sugeriam, bastante reveladoras do QUÃO jazz a horda de Iommi sempre foi.
Trata-se dum trio estadunidense, Bad Plus, q esteve aqui em São Paulo há umas duas semanas. E recorrentes: acho q já tinham vindo uma ou duas vezes. Pesquisando a partir de artigo no jornal, fui vendo se tratar duns caras q tocam sons próprios e tb clássicos do rock alterados do jeito jazz trio (bateria, piano, baixo acústico) deles.
[Por sinal, uma dúvida me ocorre: seria afinal o jazz o verdadeiro underground??]
Esta “Iron Man”, a versão de “Tom Sawyer” (incrível ainda mais quando se vê a bateria com 1 tom, 1 surdo e 2 pratos) e a de “Barracuda” (Heart) com uma vocalistazinha meio chatinha q eles trouxeram nesta visita, mas q ñ comprometeu, eu curti. Tem lá no You Tube uns Nirvana e Pink Floyd tb q achei meio apelação.
E algo sugestivas de q ñ só por aqui q fazer som próprio é árduo e por si só ñ arranja show.