setembro 2014
DESLOCADAS
(post surgido duma conversa com o amigo märZiano tempos atrás)
MELHORES DISCOS CUJAS FAIXAS-TÍTULO ENCONTRAM-SE EM OUTRO ÁLBUM DA BANDA:
- “Annihilator”, Annihilator
- “No Remorse” (coletânea), Motörhead
- “Live Undead”, Slayer
- “Reek Of Putrefaction”, Carcass
- “Sheer Heart Attack”, Queen
- “Brain Salad Surgery”, Emerson Lake & Palmer
- “The Legacy”, Testament
- “Voodoocult”, Voodoocult
- “If You Want Blood, You’ve Got It”, AC/DC
- “Houses Of the Holy”, Led Zeppelin
SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA THRASH COM H
“Dedicated to Chaos”, Queensrÿche, 2011, Roadrunner
sons: GET STARTED / HOT SPOT JUNKIE / GOT IT BAD / HIGHER / WOT WE DO / AROUND THE WORLD / DRIVE / AT THE EDGE / I TAKE YOU / RETAIL THERAPY / THE LIE / BIG NOIZE
formação: Geoff Tate (vocals & saxofones), Scott Rockenfield (drums & keyboards), Eddie Jackson (bass), Michael Wilton (guitars)
Additional Keyboards – Randy Gane; Additional Guitars – Peter Lundgren & Kelly Gray; Additional Vocals – Jason Ames, Miranda Tate
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Era uma vez uma banda chamada Queensrÿche.
Surgidos em Seattle nos 80’s, bem antes q o lugar virasse o epicentro dum “movimento” musical embalado em camisas xadrez de lenhador, faziam um hard rock competente e invulgar, anterior ao modismo laquê de L.A. – e tb por isso, anteriormente ao reconhecimento por fãs e críticos do estilo. Aconteceu tb de, antes da hora, amadurecerem e se tornarem um tantinho progressivos (bem antes q uns tais Dream Theater “criassem” o prog metal), lançando disco conceitual paranóico consagrado e um seguinte com arestas mais comerciais, em meio ao som tornado algo hermético.
O caso de banda q ainda ñ sei dizer se eternamente à frente de seu tempo, ou a banda cronicamente errada na hora errada. Equivalentes estadunidenses do The Cult nesse sentido.
Entraram nos 90’s cometendo, na minha opinião, seu melhor disco – “Promised Land” – q conjugou os elementos todos dos discos anteriores: comercialismo com classe, resíduos conceituais e arestas prog. Passaram do ponto, perderam a hora, só quem virou fã true acompanhou. Uma pena. Tvz se cometessem capas menos repetitivas… tvz se o soberbo vocalista Geoff Tate fosse bonitão feito um Geddy Lee (Rush)… E o q veio na seqüência os sepultou – ainda q nunca tivessem acontecido de fato – de vez: “Hear In the Now Frontier” tentou escanear (antes q o termo existisse – chamávamos de “xerox” mesmo) a sonoridade grunge reinante e a pouca credibilidade q ainda detinham, perderam por completo.
Assim como os tais fãs, q parecem ter desistido da banda irrevogavelmente. Discos legaiznhos (“Q2K”) e fracos (“Tribe”) e ainda montes de álbuns ao vivo tentaram mantê-los no mercado, em vão. Nem cometer uma parte 2 do tal disco conceitual, já na década de zerenta, ressuscitou algum interesse por eles, tampouco o fizeram o disco de covers – de q gosto muito – “Take Cover”, lançado adiante, ou o pior trabalho da banda, “American Soldier”, conceitual fraquíssimo, lançado logo após.
Rolaram tb dissidências na formação. A maior, um tal Chris DeGarmo, guitarrista/compositor, rancou fora após “Hear…”, sendo perda sem reposição até hoje. Tanto q pouco mudou a formação e nada melhor aconteceu, além dum despotismo esclarecido cada vez maior por parte do vocalista e de seu clã (esposa empresária, filha backing vocal, 2º guitarrista genro). Complementados por uma bizarra apatia dos demais integrantes.
E aí deixo pra lá relatar história mais recente, de racha na banda, com ambos os lados – Geoff Tate versus os outros três + um vocalista novo acordados da acomodação (ou finalmente livres dalgum contrato) – lançando álbuns novos com o mesmo nome ano passado, a despeito de processo na justiça pelo uso do mesmo correr solto. A ñ ser pra citar q até no quesito TRETAS os caras chegaram atrasados: foram traço de ibope, ñ ressuscitou interesses pelo Queensrÿche.
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O texto aqui quebra abruptamente para tratar de “Dedicated to Chaos”, disco controverso – caso a banda ainda rendesse controvérsias por parte de fãs (quem e quantos serão?) – a um ponto inacreditável na trajetória duma banda. Sabe quando o Metallica tentou ser o U2 em “Load” e “Reload”? Ou virar o System Of A Down no “Shit Anger”? Quando o Sepultura se tornou esse hardcore filho de mula manca com Derrick Green? Quando o Judas Priest tentou roubar as groupies de Billy Idol em “Turbo”? Ou ainda quando tua banda européia favorita – Celtic Frost, Whitesnake, Deep Purple, Nightwish (escolha uma ou duas) – fiascou em se vender ao mercado estadunidense nalgum momento equivocado de trajetória?
Digo o seguinte: em NENHUM desses casos uma banda se DESCARACTERIZOU tanto quanto o Queensrÿche neste “Dedicated to Chaos”, disco esquisitíssimo e quase sem parâmetro na obra anterior dos caras (exceção a “Big Noize”, pseudo-folk blues um tanto residual da safra “Take Cover”) ou com qualquer linhagem no heavy metal, hard rock ou prog metal. Se tirar o vocal, nunca q alguém, ouvindo a maioria dos sons (exceção a “The Lie”), irá associá-los a Queensrÿche. Ao Queensrÿche de antanho.
Exagero? Um amigo, ouvindo no carro “Wot We Do” comigo, perguntou se era Beyoncé… Até a hora em q Tate abriu o bico. Dá-lhe groove e baixo funky. Sério mesmo.
[Eddie Jackson, a propósito, considero o destaque instrumental o disco todo]
Inacreditavelmente, “Got It Bad” e “Higher” tb flertam com o r&b pop estadunidense (inclusive nas letras marrentas, com o vocalista pagando de gostosão), contendo guitarras suingadas e insólitos apartes de saxofone. Crítica equivocada na Rock Brigade categorizou o álbum como disco de “música eletrônica”, o q ñ procede. A despeito de alguma ambiência aproximada em “Around the World” (com um refrão meio jingle de banco Itaú, meio hippie), em “Drive” e em “At the Edge”, nada consta.
Os sons são todos sucintos, só 3 ultrapassam 5 minutos. Solos de guitarra se contam nos dedos de uma mão e ñ contêm fritação; o mais elaborado, alternando entre guitarra e sax, está em “Higher”. O peso é bastante contido, acessório, suplementar; as músicas, fundadas em acordes ou bases em stacatto, raramente (acho q só em “I Take You”) em riffs. A exploração de timbres é generosa: Tate sussurra, canta abafado, canta aveludado, canta aviadado (“Wot We Do”!), canta sobreposto (novamente “I Take You”). As guitarras variam entre timbres limpos e saturações contidas e cirúrgicas, sem podreira.
O trampo bateristico se fez comedido e claramente editado em computador. Aquele Scott Rockenfield das antigas pouco comparece: pouquíssimas são as viradas e firulas. Ñ me ocorre q haja muitos sons de pratos ao longo do disco. Ao mesmo tempo em q sons como “Drive” e “Got It Bad” se fundam em loops. Ñ digitais.
A proposta da banda por aqui parece ter sido quererem – ou Tate querer – se vender e ligar o foda-se. Sem paródias ou caricaturas. A despeito da capa de sempre, novamente repaginada. Já q ninguém lhes dava mais a mínima atenção, OUSARAM como nunca. Fiascando como sempre, por outro lado.
E se nos raros momentos “roqueiros”, como em “Get Started”, “Hot Spot Junkie” (sobre apego exagerado a internet) e “Retail Therapy” soam como aquele rock radiofônico genérico noventista tipo Semisonic, Sugar Ray ou Fastball – mas melhor executado – ou, como nas mais hard, “The Lie” e “Big Noize”, conseguem até demover algum nojo de fã antigo, em todas as horas se pode considerar cada som como resultante de trabalho considerável e inequívoco (duvido q muitos deles sons funcionassem ao vivo) em estúdio.
E a resenha aqui quebra pela última vez. Pois se sugere até aqui, da parte deste q vos bosta bloga, q o disco é uma porcaria hedionda, digo q entendo quem assim o considere, mas ñ o considero horroroso. Muito pelo contrário: é daqueles raríssimos álbuns q me pegou e q freqüentemente revisito. Um pouco por querer entender se é bom ou ruim, outro tanto pra tentar encontrar melhores referências q o situem. Gosto menos dos últimos 4 sons (os mais “normais”) e penso q o “caos” a q foi o trabalho foi “dedicado” comparece em doses fartas. Ao mesmo tempo em q o álbum soa coeso.
Ñ, ñ entendo. Mas sigo tentando, enquanto o recomendo entusiastica e categoricamente e agüardo xingamentos ou perguntas sobre meu atual estado de saúde mental ahah
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CATA PIOLHO CCXXXIV – “Jealousy”: Queen ou Death? // “Everything Dies”: Type O Negative ou Carnal Forge? // “Behind the Sun”: Red Hot Chili Peppers ou Meshuggah?
TRUEZICES ATROZES
Ñ sou, nem nunca fui muito de beber. E tb perdi a fase do aprendizado: estava ocupado ouvindo o “… And Justice For All” e perdi esse dia de aula no colégio. Se tomei mais de 30 latas de cerveja na vida, certamente ainda ñ cheguei à 40ª.
Ao mesmo tempo, lanço o questionamento por aqui aos amigos, baseado na foto abaixo: quem aqui já passou por algum vexame do tipo?
De minha parte, nada consta. Mas já vi e ouvi falar de histórias pra lá de bizarras. E lamentáveis.
ENCARTE: OZZY OSBOURNE
Trecho do release cometido por Phil Alexander, editor-chefe da Kerrang!, no encarte de minha versão de “No More Tears” (91):
“ANOTHER SONGWRITTER who collaborated with Ozzy and the band during the writing of No More Tears was Motörhead mainman Lemmy who co-wrote ‘Hellraiser’, ‘Mama, I’m Coming Home’, ‘Desire’ and ‘I Don’t Want to Change the World’ with Ozzy, guitarist Zakk Wylde and, on the latter two tracks, drummer Randy Castillo.
“Lemmy is fucking incredible! I love the guy!” enthuses Ozzy on the subject of a man he describes as “one of my oldest and greatest friends”. I go round to his apartment and he goes ‘What have you got?’. I usually tell him that I’m confused about where to go with a set of lyrics. That’s what happened with ‘Mama, I’m Coming Home’. Whenever I do the scratch lyrics in the studio I have a phrase or a melody that I like. It doesn’t mean that I’ve got the whole thing. With that track I said to Lemmy “I’ve got this vocal which goes ‘Mama, I’m Coming Home’ but I’m not sure what it means”. He just went “Give me an hour”. I came back an hour later and he had about 10 sets of lyrics for that track. And he goes “If you don’t like any of them I can change them”. Incredible!”.
CONTEÚDO
MELHORES ÁLBUNS COM OU SOBRE MÚSICA:
- “Music For Speeding”, Marty Friedman
- “Diabolus In Musica”, Slayer
- “Does Humor Belong In Music?”, Frank Zappa
- “Noise For Music’s Sake” (coletânea), Napalm Death
- “Black Market Music”, Placebo
- “Música Serve Pra Isso”, Os Mulheres Negras
- “Enemy Of the Music Business”, Napalm Death
- “Worship Music”, Anthrax
- “Community Music”, Asian Dub Foundation
- “Music For the Masses”, Depeche Mode
MELHOR E PIOR DE CADA ÁLBUM
Tá acabando a pauta (dezembro sai a última), daí q ñ poderia deixar de homenagear os Garotos Podres.
Poucos discos, pode empatar “dois melhores sons” ou “dois piores” à vontade.
melhor de cada disco
“Mais Podres Do Que Nunca” – “Vou Fazer Cocô” e “Anarquia Oi”
“Pior Que Antes” – “Garoto Podre” e “Escolas”
“Canções de Ninar” – “Oi, Tudo Bem?” e “Fernandinho Veadinho”
“Com A Corda Toda” – “Apresento Mi Amigo”
“Garotozan de Podrezepil” – “Vomitaram No Trem” (quase vi anteontem!) e “Agente Secreto”
pior de cada disco
“Mais Podres Do Que Nunca” – “Meu Bem” e “Liberdade (Onde Está?)”
“Pior Que Antes” – “Caminhando Para o Nada”
“Canções de Ninar” – “Mordomia” e “Censura Idiota”
“Com A Corda Toda” – “Expulsos Do Bar” e “O Que Eu Vou Ser Quando Crescer?”
“Garotozan de Podrezepil” – “O Ocidente É Um Acidente” e “Tô de Saco Cheio”
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QUESTÕES PERIFÉRICAS:
- lamenta o fim? SIM, MAS DE BOA. LUTARAM O BOM COMBATE
- melhor ao vivo: LIVE IN RIO
- Garotos Podres ou Cólera? GAROTOS PODRES
- melhor disco? MAIS PODRES DO Q NUNCA
- pior disco? COM A CORDA TODA
- “Batman” ou “Mancha”? BATMAN
- Eu não sei o q quero? MAS EU SEI Q EU VOU CONSEGUIR!
- assistiu ao vivo? FELIZMENTE, SIM! UMA VEZ
melhor e pior formação deixa pra lá, irrelevante
duas melhores capas: “Mais Podres Do Que Nunca” e “Live In Rio”
duas piores capas: “Com A Corda Toda” e “Rock De Subúrbio!”
melhor e pior clipe: todo e qualquer um. “Mancha” e “Rock De Subúrbio”







