Acho intrigante o Pain como projeto paralelo. Pq me dá a impressão de realmenteparalelo, no sentido dos fãs de Hypocrisy o abraçarem tanto quanto a banda matriz.
Fruto, óbvio, da aura emanada pelo líder (das duas lojas) Peter Tägtgren e suas renomadas produções no metal extremo. E pq o fã de Tägtgren/Hypocrisy/Pain parece mais cabeça aberta q a média metaleira. Impressão.
“Rebirth” foi o segundo álbum do projeto, e mesmo q eu tivesse achado ruim, essa capa salvaria.
Acho um disco ainda incipiente do q Tägtgren faria com o Pain e um pouco derivativo, vide os singles (“Suicide Machine”, “End Of the Line” e “On And On”) e dado o ano de lançamento. Uns instantes Rammstein aqui e ali, um pouco de teclado demais (por intenção comercial assumida) e alguns refrões um pouco “felizes” demais pro meu coração peludo.
Assim: prefiro “PsalmsOfExtinction” e “CynicParadise” discos mais claustrofóbicos lançados adiante, e daqui “Breathing In, Breathing Out” e as menos acessíveis “Parallel to Ecstasy”, “Crashed” e uma “Dark Fields Of Pain” surpreendente, com o vocal à TypeONegative.
Mas é q gostar de bandas (coisa antiga em tempos de música avulsa e anônima) tem isso de curtir a evolução disco a disco. E não dói (ops) assim.
Quando a lojinha não tem mais pra onde ir na indústria do entretenimento, nem música pra mostrar, a solução é apelar pra rede social: “quem será o próximo baterista?”
A começar pela formação: no cartaz do show, um quinteto. No palco, um quarteto. No som, partes de teclado soando em backing track; solos de guitarra não cometidos pelo – único – guitarrista presente.
O vocalista austero explicou: um tal de Sebastian, outro guitarrista, não pôde estar ali, mas vai estar melhor. Entendi q era problema de saúde, aplaudiram o ausente e vida q segue.
Na verdade, ninguém ligou.
Tvz ninguém se incomode. Fucei há pouco no MetalArchieves e achei uma bagunça o Katatonia. Vocalista meio já foi tecladista, teve baterista q começou vocalista, gente do começo da banda q não faz mais parte, uns quase 20 discos lançados. Dá trabalho ser fã desses suecos.
Quem lá esteve e lotou o Carioca no feriado, insisto, pareceu não se importar com nada disso. Só com as músicas, supostamente 17 e cobrindo meia dúzia de álbuns. Meio ⅓ do q tocaram – 5 sons – do disco recente, “SkyVoidOfStars”, q está pra fazer 2 anos de lançado.
Muita gótica de meia idade no recinto. Alguns gays tb: e quando foi q já vi gay em show de metal?
Aliás, Katatonia é metal?
Meio q sim. Mas meio gótico tb. Bem na beirada entre os estilos: sem depressivismo estereotipado nem metal gótico padrão. Não remete a SistersOfMercy ou TypeONegative, bem representado em camisetas.
Tb não lembro de show de metal sem roda. Pessoas estavam ali pelos sons, pelo clima e pra tirar umas fotos. Nessa ordem. Setlists ao final foram disputados como troféu; a moça enjoada q me permitiu fotografar o dela já estava dizendo q era “o último” (SIC), pq precisava trabalhar no dia seguinte. Putz.
A real é q o show do Katatonia, a despeito do público devoto, me pareceu mais coisa de festival. Atração entre atrações. Inclusive pela postura dos suecos, como a dos holandeses do Asphyx na semana anterior, beirando o amador.
Não havia pano de fundo ou arte pra telão: apenas o mesmo logotipo torto exibido o tempo todo. Não havia muito papo nem pose de metaleiro: salvo engano, o guitarrista presente é músico contratado pra tocar ao vivo. Não havia cds à venda, só umas camisetas a preço europeu (140 reais) e um moletom a 240 em tamanho P….
Fiquei sabendo pelo Leo q estavam por aqui desgarrados dum festival chileno, em q estiveram tb o Hypocrisy, o Asphyx e o Satyricon, q passaram individualmente por aqui na mesma semana. Algo q explica um jeitão pouco headliner e tvz a falta de merchan mais robusto.
Pouco importou, reforço.
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E o som?
Cabe dizer q fui pra conhecer. Nunca tinha ouvido, não fiz lição de casa.
Um som claramente híbrido em q o baterista me chamou atenção. Pela bateria modesta (pouquíssimas peças e pratos), timbrada praticamente trigada (soava eletrônica) e com passagens de 2 bumbos (pedal duplo) e viradas soando “fora”. Daniel Moilanen é o nome do sujeito, e não parecia se importar em tocar grooves convencionais ou compassos compatíveis.
Um misto de Tomas Haake (Meshuggah) com baterista de jazz, cuja peça principal é o prato de condução. Tudo torto e soando errado e/ou fora de tempo.
A hora em q saquei isso, o show me fez sentido. Adotei o modo “vamos ver até o final pra ver onde isso vai dar”, e assim foi. Toca muito o sujeito, mas meio querendo não aparecer e meio alheio às próprias músicas. Q, executadas com 2 playbacks instrumentais, soaram a mim ensaiadas. Algum tipo de virtuosisimo curioso e oblíquo.
O vocalista cantava sem variações, semitonações ou guturalidades. Vai ver, o efeito q pretendem no público é realmente um estado suspenso, uma paralisia catatônica mesmo. E posso testemunhar q fizeram isso muito bem.
E o som não estava alto suficiente pra eu usar protetor de ouvido.
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E não teve banda q não existe (Genocídio, Sextrash, Necromancia) abrindo, o q achei ótimo.
E era feriado, por isso tive q achar um mercadinho mais distante (Oxxo) pra comprar o kg de arroz do ingresso social, já q o Carrefour de sempre estava fechado.
E acho q posso dizer q já vi o Katatonia, se isso me valer pontos ou prêmio em gincana. E tb registrar q não vou me tornar um fã, mesmo não tendo achado ruim ou aborrecido.
Um evento bacana, em condições idem, mas em show q caberia melhor num fest à Bangers Open Air. Não me passa pela idéia ver algum outro show do Katatonia algum dia.