Dave Murray
30 VEZES X

Iron Maiden, “The X-Factor”
Um disco q acho perfeito para desautorizar “fãs” de Iron Maiden q pararam com a banda em 1988 e detratores q juram q “Iron Maiden é tudo igual”.
O Iron Maiden de “The X-Factor” ousou mudar. E não foi só o vocalista, estavam outra banda. Mais sombria, mais técnica e progressiva. Com tiques de Dream Theater (compassos ímpares) até.
Q eu lembre, foi um disco bem recebido. Blaze Bayley, o vocalista novo, foi demonizado só depois nos shows, ao não dar conta do repertório antigo. E culparam-no pelo fraco “Virtual XI” seguinte, o q acho injusto, mas não o ponto aqui.
Continuo gostando deste pelos 4 primeiros sons. Tenho “Sign Of the Cross” como a melhor música da Donzela dos últimos 30 anos, e “Man On the Edge” o single mais pesado deles até hoje. Beira o thrash metal.
Tvz as pessoas tenham curtido por curtir e com alguma desconfiança, afinal era Iron Maiden e tb um Maiden diferente, q renega o material hoje em dia (se bem q tb renega muita coisa pós 1995).
Humildemente penso q “Look For the Truth” e “2 A.M.” foram desnecessárias; tivessem ficado como lado B de single (ainda os lançavam em 1995), caberia melhor. Ou descartar-se-ia melhor. Sei lá.
Fora tudo isso, acho esquisito quem curta a fase recente (“Brave New World” pra cá) e rejeite “The X-Factor“: o início dela foi neste aqui.
EM DOSAGENS HOMEOPÁTICAS
Setlist da turnê retrô (“capítulo inédito de Vale a Pena Ver De Novo”, como diria o gigolô monegasco de bet) do Iron Maiden:

Pauta chata, vai. Mudou o quê?
O baterista (preciso analisar), umas duas músicas há muito não tocadas (a rigor, “Murders In the Rue Morgue” só, vai) e uns telões espetaculares.
Vai ver q foi isso q Bruce Dickinson quis dizer com “coisas q ninguém nunca viu” (ou coisa assim). Maiden entrando no século 21 em 2025 abandonando os backdrops de fundo artesanais/manuais.
Provavelmente demitiram roadies nesse embalo. De minha parte: nhé tudo isso.
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PS – músicas (plural) de “Fear Of the Dark“? Tá. Acreditou quem quis. E zero “No Prayer For the Dying“, zero surpresa.
FALTAM 7
IRON MAIDEN
Allianz Parque, 06.12.24
Um show honesto.

Só idiotas, hipsters e resenheiros roquistas reclamaram “faltou essa, faltou aquela”. Tudo pelo like e pelos haters. Todo mundo q esteve nas duas datas sabia exatamente o q seria tocado, e fim de papo.
Pessoalmente, achei ótimo não ter “The Number Of the Beast”, “Hallowed Be Thy Name” e “Run to the Hills”. Nem “Wrathchild” e “Running Free”‘ ou “Sanctuary” protocolares debilóides ao final. “Wasted Years” parece ter assumido esse lugar.
Ao mesmo tempo, teve “Fear Of the Dark” e “The Trooper”. Aliás, as mais comemoradas…
Essa Past And Future Tour era de 36% “Senjutsu“, 36% “Somewhere In Time” e 28% velharia (“Iron Maiden”, “The Prisoner”, “Can I Play With Madness?” e “Fear Of the Dark”). E pra mim soou coeso como nunca. Repertório encaixou. Músicas de “Senjutsu” funcionando melhor ao vivo. Pessoalmente, só excluiria “Days Of Future Past”, chatinha.
Qualquer outra do disco novo pra mim cairia melhor. E a resenha acaba aqui.

(daqui pra baixo, outras coisas)
Assisti ao show no último setor do estádio (Cadeira Superior), na antepenúltima fileira antes da última parede extremamente oposta ao palco. E o som estava ALTO, quase precisando de protetor.
Daí tb as fotos ruins; definição de imagens do celular + telões não funcionou. Melhor foto de integrantes, essa aí do Janick.
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Assisti sem saber da despedida do Nicko. Q me fez entender terem-no deixado sozinho no palco ao final. Era a despedida.
Fui pra prestar atenção no q ele NÃO tocaria: não tocou as partes rufadas antes do solo em “Caught Somewhere In Time”, não fez a virada introdutória em “The Trooper”, e em outras músicas tocadas mais lentas, deu mais peso.
Como no refrão em “Heaven Can Wait”: ficou mais bate-estaca. “Can I Play With Madness?” mais lenta achei mais interessante tb. Aquele intermezzo baixo/bateria em “Iron Maiden” ganhou vigor. Na “The Trooper”, sobrou espaço pra Dave Murray meter um bend q reinterpretou o som.

Tudo isso gerando um ganho adicional: um Bruce Dickinson impecável, q não apanhou (tanto – explico abaixo) dos andamentos e desafinou semitonou praticamente nada. Turnê retrô anterior tava foda.
“Alexander the Great” (podia ter sido ela 14 vezes seguidas), “Strange In a Strange Land”, “Caught Somewhere In Time”, “The Prisoner” (Nicko quase acertando a introdução, tocando mais lento) e “Death Of the Celts” (única com discursão de Bruce antes) achei os pontos altos. “The Writing On the Wall” foi feita pra tocar em estádio e “Hell On Earth” não soou enorme cansou ao vivo.
Fiquei um pouco decepcionado com o início de “Caught Somewhere In Time” – os 55 segundos iniciais – ser playback, mas foi do jogo. E a virada q finda os solos e volta ao riff principal não rolou. Mas nunca imaginei q a veria/ouviria ao vivo, com andamento a contento + timbres e solos idênticos, então foda-se. Ficou do caralho.
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Outro detalhe q percebi: teclados baixos na mixagem. Sonoridade em geral mais orgânica e pesada. Som de caixa e bumbo tb mais pesados. Fez diferença.
(ou é minha surdez agindo e não ouvi a porra do teclado ahah)

Homenagem a Paul Di’Anno pareceu rolar em “Iron Maiden”, quando Bruce pôs uma jaqueta de couro. Um detalhe a toa, não lembro q em outras turnês tivesse rolado.
Teria q ver shows anteriores desta turnê tb pra desempatar. Mas não vi resenha (ainda) citando.
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Amigo q estava noutro setor comentou comigo depois sobre as escorregadas de Nicko nos andamentos. Me apressei a defender o aposentado, pondo a culpa em Bruce: em “Heaven Can Wait”, o mesmo (Bruce) chegou a dar umas deslizadas. Mas nada demais.
Tvz “Wasted Years” tenha tido um tanto. Mas era de se esperar dum baterista convalescido dum AVC, ué.
E em “Fear Of the Dark” – q já ouvi versões bem piores – aproveitei pra coçar o saco por 8 minutos.
Em suma: nem o melhor, tampouco o pior show da Donzela – foi meu 6⁰ Iron Maiden – q já presenciei. Achei surpreendentemente bom.
E se Iron Maiden é Religião, pude testemunhar q ao contrário de todas as outras eles entregam milagres. Entregaram alguns sexta-feira. E nessa tour toda, ao q parece.
Não fui pra falar mal, nem teria ido de verdade (comprei ingresso desistente de amiga de amigo) e tinha baixa expectativa, mas q bom q achei bom de verdade. Passou rápido, fluiu, me convenceram.
PS – teve o Volbeat tb, mas deixa pra lá
STARS!
por märZ
No começo de 1986 um vídeo começou a tocar no programa vespertino Super Special da TV Bandeirantes, um precursor do que viria ser a MTV Brasil anos depois. Nele, vários músicos de bandas de heavy metal majoritariamente americanas apareciam em um estúdio cantando e tocando uma canção grudenta aos moldes de “We Are The World”, que logo se tornou um hit no canal e era mostrado a cada dois dias (ou assim me recordo).
Eventualmente o LP chegou na loja da minha cidade e, como de costume à época, gravei uma fita BASF 60 com o disco e ouvia non stop no meu toca-fitas portátil, trancado em meu quarto.
Ontem revi o vídeo e o curto making of disponíveis no Youtube, e uma onda de saudosismo me atingiu com tudo. Como o álbum nunca foi editado em cd, não tenho o hábito de ouvi-lo a não ser em momentos como esse, a cada X anos. Algumas considerações:
A canção é realmente muito boa e envelheceu muito bem. Grudenta como deve ser qualquer hit, mas não descartável e esquecível. A gravação guiada por Ronnie James Dio (idealizador do projeto juntamente com seus bandmates Vivian Campbell e Jimmy Bain) é enxuta e honesta, sem apelar aos excessos então costumais no estilo. Os diferentes vocais e solos de guitarra que montam o quebra-cabeça sonoro são muito bem encaixados e em momento algum parecem forçados ou fora do lugar. A coisa toda funciona como uma unidade bem costurada e sólida.
Mas o que mais me chamou a atenção, quase 40 anos depois (o projeto foi gerado em 1985 mas só lançado no começo do ano seguinte), foi a visão dos músicos em seu auge, todos voando, seguros de seu talento e sucesso, a maioria no topo de sua forma e autoconfiança.
Don Dokken com 32 anos, Paul Shortino com a mesma idade e detonando nos vocais, Geoff Tate com meros 26 e uma estrela em ascenção, Malmsteen já um superstar aos 22! Também Vince Neil, Neil Schon, Kevin Dubrow, Ted Nugent, Blackie Lawless, Adrian Smith e Dave Murray em plena World Slavery Tour, Rob Halford no auge e o próprio Dio então com maduros 41 anos, um dos mais experientes do grupo.
Pareciam todos maiores que o Universo, tão confiantes de sua posição privilegiada no show business dos férteis anos 80.
E pensar que toda aquela cena viria abaixo meros 5 ou 6 anos depois. Deve ter sido um choque de realidade gigantesco nos egos de muitas daquelas pessoas, ao se tocarem que não passavam de mais um produto de gravadora com curto prazo de validade, totalmente descartáveis. Mas pelo menos a obra sobreviveu para a posteridade. Se alguém ainda se importar, claro.
ENCARTE: IRON MAIDEN [5]
Release anônimo na contracapa de meu dvd bootleg “Raising Hell” (2000), q é do show de despedida de Bruce Dickinson em 1993, mas q parece nunca ter sido lançado oficial digital – é isso mesmo?:
“On August 28 1993, metal superstars Iron Maiden and horror illusionist Simon Drake combined to create the most macabre musical event of all time: Raising Hell. In this first and only live concert with a horror movie setting, Raising Hell celebrates lead singer Bruce Dickinson‘s final performance with Iron Maiden. The band’s electrifying concert performance, taped live at Pinewood Studios, London, incorporates blood curdling illusions and seventeen classic Iron Maiden songs, four not seen on the original pay-per-view broadcast. In a 100+ minutes ‘Iron Maiden Raises Hell’ in a performance that will live on forever”.





