Thrash com H

OVERLOAD BEER FEST

terça-feira, 5 fevereiro, 2019 por Txuca

03.02.19 – Carioca Club, São Paulo

 

Quase 8h de som, a 120 kitgays, quase 80ºC à sombra, 6 bandas, de q o show “pior” foi nota 8.

Resumindo, foi isso o Overload Beer Fest domingo. Como evento, impecável: lotado, pessoal bebendo e comendo, camisetas oficiais e cd’s disponíveis, horário conveniente. E som das bandas, todas, ñ abaixo de ótimo. Um feito.

Críticas: 1) poderia ter sido no Audio. Lugar melhor e com área livre (a dos sanduíches) maior. Tvz ñ se tivesse a expectativa de casa cheia; 2) o pessoal do Carioca Club ligar o ar condicionado só a partir do Tankard. Artifício manjado pra vender cerveja. Venderam. Muito. Mas teve muita gente passando mal, incluindo a mulherada vendendo camiseta. Fim de semana senegalesco em SP, com direito a 40º C sábado.

Elogio outro, fora todos os contidos abaixo: terem ajeitado do show do Overkill no Brasil ser data única aqui. Resultado: montes de vans vindas do interior e de outros estados. Desconheço se algo ajeitado em contrato, mas funcionou.

(pq cabe uma ressalva: nos últimos anos, os shows de metal na capital têm enfrentado concorrência com shows em Limeira, a 143 km daqui. Algo q esvazia os eventos, lá e cá. Mais cá)

***

Cheguei com o Blasthrash já andando. Tocaram meia horinha, e soaram bem diferente da banda “tr00” q eu conheci lá atrás. (“No Traces Left Behind”,de 2005, jaz em algum pen drive por aqui). Soaram mais profissionais e capazes. Ñ sabia q ainda tocavam. Thrash metal retrô – q lá atrás me parecia modinha tosca – bastante pertinente hoje em dia. Gente q faz o q gosta de fazer. Nada de fuleiragem de relação simbiótica com o “underground“. Som consistente, com uma fala do baixista ao final bem interessante:

“queremos agradecer ao Gustavo da Overload pelo CONVITE”. Captei a mensagem.

Na sequência, veio o Surra. Impressionante. Foi um coice. E levando o nível pra cima. Comentava com o amigo Leo assim: D.F.C. e R.D.P. vão ter q suar pra superar”. Tb uma meia horinha de som, mas com prováveis 10 ou 15 músicas executadas. Grindcore irrepreensível, extremamente bem executado, quase maquinado. Único defeito o vocal meio baixo, mas dane-se.

Ñ reconheci sons q ñ tivessem sido anunciados: “Não Escolha” e “7 x 1” rolaram. Outro dado relevante: das bandas escaladas, a q tinha mais gente portando camisetas. Uma pena ñ terem levado cd’s e camisetas pra vender. Teria vendido muito. Memoráveis.

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D.F.C. veio na sequência contando com carisma e sede de sangue. Tecnicamente estão mais pra hardcore q o Surra. Outro conhecido me disse terem rolado 46 sons no repertório. Ñ duvido, mas acho q ñ foi tanto.

Baterista aloprado, vocal um pouco baixo (com ótimas tiradas) e rodas insanas. A trinca inicial do disco recente – “Venom”, “Não São Casos Isolados” e “Conversa Pra Boy Dormir” – quando percebi e respirei, já tinha acabado. Rolou “Cidade de Merda”, “Vai Se Fuder No Inferno”, “Respeito É Bom e Conserva os Dentes” (com babada pra cima de babacas q estavam passando mão na mulherada nas rodas), “Pau no Cu do Capitalismo em Posições Obscenas” (q abriu os trabalhos), numa geral da carreira toda.

As melhores camisetas do merchan, incluída uma paródia da capa de “Aces High” (single do Maiden). Q escolhi comprar “depois” e ñ encontrei mais. O nível alto mantido. Nenhuma banda brasuca tosca escalada, fantástico.

Final com “Molecada 666” apoteótico.

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O Ratos de Porão foi estranho. O show nota 8. O pior. Ñ foi ruim. Só fazem show ruim se quiserem: estavam estranhos, meio apáticos. Ainda assim, rolaram 17 sons.

Pareceu menos. Como assim, sem “Aids, Pop, Repressão”? Esperava deles discursos anti-Bolsonaro, e tvz a eleição os tenha afetado. “Não Me Importo” tvz tenha sido o mote. Quem falou, foi ao fim, o Juninho – “pau no cu do Bolsonaro e pau no cu de quem votou no Bolsonaro” – em meio à microfonia, q nem todo mundo ouviu. Clima “no future”. Pouquíssima interação.

Gordo esqueceu ordem no set; puxou “Beber Até Morrer”, e ainda tinha “Herança” antes. Falhou em “Crise Geral” (esqueceu letra no fim). “Crucificados Pelo Sistema” foi executada protocolarmente. O som estava bom, mas opaco. Até isso estranho.

O público nem ligou: agitou demais. Embora menos q com o D.F.C. Impressão de q estavam ensaiando, ou faltando ensaio. Estavam meio autistas. E se houve algum discurso anti-Bozo, parecem ter preferido fazer nos sons apresentados, praticamente todos literais. E surreais, por isso mesmo. Juninho usando camiseta do MST, Jão do Facada. Eita. Entendi. No fim, Jão e Boka jogaram as camisetas (!!) pro público.

Lados b presentes: “Estilo de Vida Miserável” nunca pensei q veria ao vivo. “Farsa Nacionalista” deveria virar o Hino Nacional. Faltou dedicarem “Crianças Sem Futuro” à ministra sinistra sociopata de Deus. Fiz eu comigo mesmo isso.

Set list: 1. “Pensamentos de Trincheira” 2. “Estilo de Vida Miserável” 3. “Crocodila” 4. “Ódio” 5. “Amazônia Nunca Mais” 6. “Lei do Silêncio” 7. “Testemunhas do Apocalipse” 8. “Ignorância” 9. “Crianças Sem Futuro” 10. “Farsa Nacionalista” 11. “Morrer” 12. “Não Me Importo” 13. “Crucificados Pelo Sistema” 14. “Herança” 15. “Beber Até Morrer” 16. “Crise Geral”

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Do Tankard, ñ esperava grande coisa. Acho uma banda menor, de q tenho um monte de discos copiados, mas q ñ encontrei “tempo” suficiente ainda pra destrinchar. Banda tvz divertida, mas ñ de riffs memoráveis ou discos pra levar pra tal ilha deserta.

Por outro lado, era a banda mais esperada. Entraram com o jogo ganho. Vencedores para o público, com folga. Parece q funcionam melhor ao vivo, com seus melhores momentos e na base da interação festeira.

O vocalista barrigudo lembra um Jon Oliva menos lesado. Ou um Ozzy articulado. Jogava gelo (!!!) na galera, mostrava o pânceps, tirava onda. Banda q ñ se leva (muito) a sério, acertando onde o Anthrax oitentista ñ chegava a tanto. Baterista tocando com a bateria das bandas anteriores e mandando muito bem. Baixista meio tiozão, competente, correndo q nem tonto pelo palco. E o único guitarrista sobrando, destaque absoluto. Ñ precisam de um segundo guitarrista. Bacana.

Rodas a mil, monte de gente entoando as letras todas, set list contemplando todas as fases, e diversão genuína. Foi bem divertido. Tecnicamente, até onde o som em geral estava ótimo, ficou ainda melhor. Irrepreensível.

Set list: 1. “One Foot In the Grave” 2. “The Morning After” 3. “Zombie Attack” 4. “Not One Day Dead (But Mad One Day)” 5. “Rapid Fire (A Tyrant’s Elegy)” 6. “Rules For Fools” 7. “Die With A Beer In Your Hand” 8. “Minds On the Moon” 9. “R.I.B. (Rest In Beer)” 10. “Pay to Pray” 11. “Rectifier” 12. “Chemical Invasion” 13. “A Girl Called Cerveza” 14. “(Empty) Tankard”

***

E aí tudo o q estava foda ficou ainda maior. O Overkill ñ é primeiro escalão do thrash, mas estão alguns degraus acima das bandas outras todas. Show profissional e visceral. Retrô e atual. Headliners de fato.

Som insuportavelmente alto, mais q das bandas anteriores. Pratos e chimbau sibilando infernalmente. Repertório assassino. Até luzes melhores. Ñ acho q tenha faltado som, ñ ouvi ninguém reclamar. Saí de lá com zumbido no ouvido, o q há muito ñ ocorria.

Méritos aos caras, cada vez mais velhos e cada vez mais sérios. Bobby Blitz berrando como nos discos, apenas sumindo nas horas de solo, pra sentar atrás dos amplis. Tinham tocado no sábado, tvz estivesse se poupando. No q tange aos guitarristas perpetuamente anônimos (o mais “novo”, na horda há 18 anos), ñ sabia q Derek Tailer fizesse 90% dos solos, mas tudo bem. Dave Linsk, à esquerda, se ocupava em jogar palheta pra cima e tirar onda com pessoal do camarote. Mas sem comprometer. E fazendo um ou 2 solos.

A postura dos caras, um outro conhecido (aê, Eduardo Cabelo!) apontou: ninguém toma a frente do palco. É um pelotão. Uma banda. Cujo destaque são os sons. Ninguém querendo aparecer mais q o outro. Por mais q, pra mim, o baterista novo aloprado – o ex-Shadows Fall Jason Bittner – tenha sobrado. Tocando os sons antigos à risca, mas tb melhor. Ñ consigo explicar. “In Union We Stand” foi absurda, igual ao disco.

Sabe aquela estória da banda merecidamente a ser escalada num “próximo Big Four”? Testament? ExodusOverkill ninguém nunca cogitou, mas deixam Anthrax no chinelo.

Tvz se entrassem no lugar do Metallica, q ficaria no backstage contando dinheiro e subiria ao palco só pra “Am I Evil?” eheh

Set list: 1. “Mean, Green, Killing Machine” 2. “Rotten to the Core” 3. “Electric Rattlesnake” 4. “Hello From the Gutter” 5. “In Union We Stand” 6. “Coma” 7. “Infectious” 8. “Goddamn Trouble” 9. “Wrecking Crew” 10. “Head Of A Pin” 11. “Hammered” 12. “Ironbound” + bis 13. “Elimination” 14. “Fuck You” (com “Sonic Reducer”)

3 respostas

  1. märZ

    Queria muito ir nesse festival, mas como de costume minha escala de trabalho não permitiu (em abril Nuclear Assault toca no ES… adivinha onde vou estar?).

    Curto muito o Tankard e tenho até LP importado comprado na época (“Morning After”). Na minha opinião “Chemical Invasion” é um dos maiores clássicos do thrash alemão.

    E Overkill… meu, sou fã número 0. Tenho tudo! Só consegui ver um show deles em toda minha vida, em 2001, no interior do ES (sabe-se lá como, foram parar num festival de música em Alegre, onde abriram para… Ivete Sangalo).

  2. Leo

    Resenha irretocável!
    Cometida com todo garbo e elegância!

    Como não suporto calor nem a mesquinharia de deixar as pessoas morrerem pra ver se consomem mais bebida (as moças do merchandising estavam trabalhando em condições INSALUBRES! Mais de 40ºC sem interrupção, sem ar-condicionado ou um ventilador sequer! Absurdo!), assisti apenas o começo do show do tankard e não vi o overkill.
    Confesso: não era minha praia, mas, nunca situação correlata, tb cheguei a sair no meio do show do testament, que tb estava insuportável.

    Uma lição pra vida: carioca não é, nem de longe, o lugar pra shows grandes. Arch Enemy e Kreator mostraram que a Audio é o lugar pra shows desse porte.

    E que dá pra apostar – se for feito um trabalho legal de bastidores, como esse indica ter sido feito – que vai dar público.

    Os lanches venderam como água.
    As cervejas artesanais não sei, pq competiam em preço muito desigual com as comerciais – e as pessoas precisavaam consumir muito pelo calor desagradável lá de dentro!
    Nota: Skol/ Itaipava: $7,00 (5 por $30,00)
    Refrigerante: $8,50 (uma inversão de valores!)
    Cervejas artesanais: $15 (acho… Mais que o dobro!)

    Enfim… O lucro foi certo!
    E que bom que tenha sido assim.

    Vindo ao que viemos: música!
    Minha impressão, mesmo parcial, foi a mesma que a sua: Surra foi a melhor banda da noite.
    Muito difícil escrever isso pra quem cresceu na guitarra ouvindo os riffs do Jogo, mas é verdade!
    Surra, pra mim, roubou a cena.

    DFC foi excelente, levou a galera ao delírio, e ocupou um patamar que acho que, aos 25 anos de banda, é devido.

    Blasthrash foi uma grata surpresa.
    Paulistanos-raiz da Mooca, Bello!
    Da galera que começou na garagem na década de 90. Conheço bem.
    Até eu que não sou oitentista gostei muito.

    Torço pelos próximos, mas torço para que corrijam esses problemas, pq eles são fundamentais.

    Forte abraço.

  3. Leo

    Em tempo, no comentário anterior, Jogo = Jão!

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