Thrash com H

BACKING TRACKS

quinta-feira, 22 março, 2018 por Txuca

por märZ

Os últimos 3 shows de medalhões do hard/metal que assisti ao vivo foram Accept, Judas Priest e Scorpions, todas as bandas com mais de 30 anos de existência e integrantes que já passaram dos 60, uns bem e outros nem tanto. Me lembro especificamente em algum ponto dos shows ter pensado: “nossa, como ele fez isso?”.

No Accept foram os backing vocals de Wolf Hoffmann, que pouco se esforçando produzia côro igualzinho nos álbuns, grave e cheio como se fossem cinco pessoas ao invés de somente uma. No Judas foram os gritos de Halford, ainda lascando tudo lá em cima, e os solos de Tipton, que já na época se arrastava no palco. No Scorpions foram alguns momentos na voz de Klaus e um lance em específico, na volta pro bis, quando Rudolf voltou correndo de trás do palco tocando o início de “Rock You Like A Hurricane”, ao qual me perguntei: “como ele deu essa carreira sem errar uma nota sequer?”.

Acho que agora eu já sei. Com o avanço na tecnologia, ficou muito mais fácil encaixar partes pré-gravadas por trás de sons sendo executados ao vivo. Isso sempre foi prática comum no mundo pop de pseudo-divas e pseudo-rappers, mas inevitavelmente achou seu lugar também entre músicos pretensamente sérios. Todo mundo faz isso hoje em dia. Andei pesquisando e a lista é enorme: Kiss (meio óbvio), Def Leppard, Bon Jovi, Mötley Crüe, Whitesnake, Ozzy, Marilyn Manson e até Behemoth. E a lista continua.

***

E pode apostar, tua banda favorita também. Vi um trecho do programa de rádio do DJ Eddie Trunk onde ele discorre indignado sobre a prática hoje comum, e diz que se nega a assistir show de hard rock ou metal com dublagem, seja de voz ou guitarras (no caso de Mick Mars, especificamente).

Minha pergunta aos companheiros de armas: o que vocês acham disso tudo?

14 respostas

  1. Marco Txuca

    O amigo falou em “banda preferida fazendo”, por isso postei o vídeo do Rush acima, ao vivo, fazendo “Far Cry”.

    Compartilhem de minha estupefação: então Geddy Lee, fora tocar baixo, às vezes tb teclado (com pedaleira) e cantar junto, agora canta e faz os próprios backing vocals? Caralho, vozes estão dobradas e harmonizadas na estrofe.

    Amigo outro uma vez falou se tratar de efeito de oitavar, comum em guitarras, mas ñ me parece. Uma vez q desde o vídeo “A Show Of Hands”, de 1989, todos os backing vocals de Alex Lifeson já pareciam Geddy Lee dobrando a própria voz…

    Conclusão: Rush faz uso, ainda q comedido, desse artifício em vocais. Ainda q em dvd’s recentes Geddy Lee tenha semitonado nuns sons (tipo “The Big Money” no dvd “Clockwork Angels Live”. Ou em “Animate”, tocada já pela metade, no dvd “R30”), meio pra ñ dar na cara total.

    ***

    Outro exemplo recente: aquela descoberta, na abertura da “Pumpkins United” no México, de q Michael Kiske andava fazendo playback.

    Kai Hansen veio a público dizer q ñ era bem playback, mas uma backing track da própria voz do Kiske acionada junto à voz do cara em determinados momentos. Tucanaram/gourmetizaram o playback.

    Q, aliás, pra quem já reparou, ocorre direto nesses eventos americanos tipo intervalo de Superbowl, premiação de Oscar, Grammy e etc. Às vezes é som gravado ao vivo antes e feita a dublagem na hora. Pq assim se evita defeitos técnicos ou imprevisíveis cortes de luz.

    Como aconteceu naquela horrenda apresentação de “The Wall”, quando mal acabara de cair o muro de Berlim, aliás.

    ***

    E me ocorre lembrar ainda das tretas de Sammy Hagar com Eddie Van Halen, quando o ruivo queima o filme (e torra meu saco) puxando algum desaforo da manga.

    Como quando recentemente acusou Eddie de usar backing tracks de Michael Anthony em shows ao vivo. A indignação foi pra cima de Wolfgang Van Halen jamais conseguir fazê-lo, ñ para o FATO de q se faz!

    Tem mais, ñ me ocorre por ora. Segue o papo.

    Assim como bandas q Ñ O FAZEM ou fizeram. Motörhead, Oasis, Iron Maiden (ainda), Deep Purple (Gillan morreu, faz tempo, por isso estão acabando) e outras poucas…

  2. doggma

    Overdub ao vivo é o equivalente sonoro daquelas pilhas de Marshalls de MDF. Mas fazer o quê, né.

  3. Jessiê

    Sinceramente? Regra geral não tenho tanto ouvido para perceber tais minúcias. Se presente no show, bebo, converso, curto, canto mal percebo quando o cara erra… Só se for tosqueira mesmo. Na verdade bebo tanto nas bandas de abertura que tudo é lindo.
    Quando assisto os DVDs acabo achando que tudo tem efeito, me parece sempre tudo muito certinho e discos ao vivo nunca foram minhas preferências, gosto de um ou outro e no geral tenho para discografia mesmo.
    Acho improvável nego que bebe até água de bateria, fuma até cocaína, injeta até kisuco, não caminha nem pra comprar pão, vá conseguir tocar bateria, cantar e outras coisas com 60 anos ou mais!
    Eu mal consigo andar de bicicleta!

  4. doggma

    Aliás, exceção seja feita para a rapaziada do metal industrial? Nos shows do Fear Factory devem rolar uns trocentos backing tracks.

    E, realmente, o Iron não deve usar (se houver um tecladista lá na coxia n’alguns sons). Mas tem o mal costume de não tocar a intro de “Aces High” e usar uma fita pré-gravada. Acho muy palha isso.

    O mesmo com o Metallica e a intro de “Fight Fire with Fire”. Não precisa levar um cravo pro palco, mas faz na guitarra, pô.

  5. Cassio

    O bom e velho Musta mandava esta intro na guitarra em 1986:
    https://youtu.be/P2IYMXcuSqk

    Depois, em 1987, usando o tal recurso que vocês debatem (creio que seja; se nao, corrijam -me):

    https://youtu.be/CZiLYpns36Y

  6. Marco Txuca

    O Maiden tem o tecladista, Michael Kenney (tb roadie de Steve Harris) atrás do palco. Como o Black Sabbath por décadas deixava Geoff Nicholls fazendo teclado (e backings) lá atrás, e mesmo o Helloween. E o Heaven And Hell.

    Nunca entendi por q ñ pôr os cabras na frente.

    Playback de trecho/introdução tb acho muito broxa. Maiden faz isso com “Aces High”; pô, com 3 guitarristas dava pra fazer ao vivo!

    Metallica nunca fez as intros de “Fight Fire” nem de “Battery”. Pq tenho impressão de q Cliff Burton levou o segredo pra tumba ahah

    Mas acho irritante tb o q fazem, nesse sentido, de playback em início de “Blackened” e de tantos sons de “Death Magnetic”. Só depõem contra o Lars, q leva a culpa de tudo.

    Dá pra fazer ao vivo.

    Ah, lembrei do Slayer tb. Q sempre fez playback da intro de “South Of Heaven”. Tanto quanto o Judas Priest da intro de “Electric Eye”…

  7. märZ

    Com o lance das intro gravadas eu nem me importo, mas não sei se acho decente você fazer playback de vocal ao vivo. Partes instrumentais também, mas especialmente vocal.

    Coverdale praticamente inventou isso no hard rock. Há muitos anos ele não dá conta ao vivo.

  8. Marco Txuca

    Steven Tyler tem colocado um tecladista ao vivo q canta no mesmo tom q ele. Antigamente. Aí reforça.

    Aprendeu com a Madonna, q fez isso a vida toda.

  9. märZ

    Isso é comum no pop de arena, arrisco a dizer que começou exatamente com Madonna. Essas divas (e divos também) dançantes usam quase que 100% de vocal pré gravado nos shows. Até Celine Dion que é tida como uma cantora “séria” faz isso, é só jogar o tema no youtube que vem um monte de escorregadas desse tipo. Vergonha alheia total.

  10. FC

    Engraçado que enquanto eu lia lembrei que no show do Motley Crue no RIR enquanto o Mick Mars solava tinha uma guitarra base vindo de “lugar nenhum”, aí depois vi que estava no texto.

    Também falaram que o show do Journey em SP foi o maior festival de playback da história.

    Falando em pop, também no RIR, matérias em 2001 já dizia que quando a metaleira Sandy cantava apontando para a plateia era a deixa para entrar o playback e quando cantava apontando para si, era voz de verdade.

  11. Marco Txuca

    Falar em Sandy até entendo, mas forçou a amizade, hein FC? ahah

    Falemos ainda de quem Ñ FAZ isso: Guns N’Roses e Metallica (playbacks de intro, mas ñ backing tracks), o q revela muitas vezes a ruindade dos caras ao vivo. Ruins, mas sinceros.

    Já o Megadeth, qdo vi o show ano passado (outubro/novembro), juro q estranhei a voz do Mustaine. Perfeita (modo Mustaine perfeito) e sem desafinações. Ele, q já usou de baixar afinação pra ficar melhor – turnê do “Countdown to Extinction” inteiro na ordem – ficou tão bom q eu desconfiei na hora.

    E uma antiga do Ramones, só pra constar: solo/dedilhado em “We Want the Airwaves”, sem Johnny ou Dee Dee sequer disfarçar q faziam.

    https://www.youtube.com/watch?v=WYSG2rHY23M

    Era um roadie atrás do ampli fazendo.

  12. märZ

    Acho que já li algo sobre o GNR usar backing tracks, mas não me lembro exatamente quem disse. Algum outro artista, creio que em entrevista à Roadie Crew, mencionou dublagens óbvias de piano e voz do Axl.

  13. André

    Acho que nem rolou o Axl estudar pra dar um up na pianada dele. E, ainda terminou de foder com a voz. Enfim…

    Sobre ser ruim ao vivo: o Legião era ridículo, mas, não disfarçavam. Depois, botaram uns gajos pra tocar teclado, baixo e uma segunda guitarra e o som ficou redondinho. Mesmo assim, não eram de se apresentar ao vivo.

  14. Marco Txuca

    O Axl foi melhorar (ou usar autotunes) na hora de cantar com o Angus/DC. Surpreendeu!

    Legião e bandas assim (Capital etc.) têm q dar aquele “recheio” ao vivo. Pra ñ ficar murrinha. O Green Day põe um guitarrista a mais no palco faz tempo.

    E nesse ramo pop, vi a gostosa da Lana Del Rey fazendo playback no Lolla Palooza. Com alguma senha muito parecida com a da Sandy, q o amigo FC citou…

    Tinha hora em q ela cantava com a mão no microfone, escondendo a boca (que boca!), hora q cantava pra valer. Tinha backing vocals, sim, mas rolou um playback ali.

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