O nível do set-list. Meticulosamente executado em uma hora e quinze de show. O Carioca cheio em ¾.
Minha vivência na quinta-feira foi a de uma AVALANCHE. Mental e cognitivamente atordoante. Perguntei depois ao colega com quem foi junto, q me confirmou ter sido isso tudo. E q tb ficou meio perdido com os sons novos.
Bora descrever obviedades:
1) o Carcass é uma banda, mas seu destaque é e tem q ser Bill Steer. Com o mesmo jeans apertado de hippie velho, magro igual uma hippie velha e quicando no palco o tempo todo ENQUANTO sorria e tocava fácil, como se tocar Carcass fosse fácil. É sempre assim e mesmo assim sempre me impressiona.
2) o baterista Daniel Wilding merece respeito. Pq preciso e extremamente respeitoso com os sons antigos. Comparo com Paul Bostaph, no Slayer, q ao vivo tocava nota por nota, virada por virada, de Dave Lombardo. Pq tinha. Q ser. Daquele jeito.
Wilding em “No Love Lost” – só pra exemplificar – faz o q tem q fazer. Pq poluir, adulterar, rearranjar, não cabe. Pq tem q tocar assim. Viajo q Steer e Jeff Walker nem cobram dele isso, q faz pq sim.
3) o show foi espetacular (menos q o Coroner e pouco atrás do Helmet) pq não daria pra ser ruim. Mesmo com Walker ostentando rabugice e fingindo mau humor. Mesmo Walker não entoando os hinos exatamente como deveria ser, nalgumas horas só pigarreando, e tudo bem.
De minha parte, a sensação foi de q perdi alguma coisa. De q fui convidado a um churrasco e almocei antes, pq tinha esquecido. Fui “sem fome”, faltou eu fazer a lição de casa.
Assim: as músicas novas (de “SurgicalSteel” e “TornArteries“, ⅓ de tudo) me confundem, ainda não assimilei o diferencial entre elas. Tanto q até agora estou em dúvida se “Kelly’s Meat Emporium” rolou mesmo. Não ajudou o fato de q foram emendando um som no outro, impiedosamente. Às vezes como medleys.
Odeio medleys.
Ao mesmo tempo, as músicas mais gore conseguia perceber q eram da fase mais podreira primeira, mesmo sem reconhecer se eram “Genital Grinder”, “Pyosisified”, “Tools Of the Trade” ali no meio.
“Ruptured In Purulence” antecedendo “Heartwork” ao final – é só o comecinho – tb me bugou: na coletânea “WakeUpAndSmelltheCarcass” ela antecede e é suturada em “No Love Lost”, e consta como “Exhume to Consume”. Sei lá.
Surpresa pra mim foi “Keep On Rotting In the Free World”, com direito a um meião esticado com mais solos. Lição de casa com set-lists anteriores (Santiago e BH) não acusava ela.
Mas olhando há pouco, BH teve ela tb. Aviso: não confiar 100% no setlist.fm
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No fim, foi um baita show, uma hemorragia de sons de todas as fases e a interação com a platéia foi considerável. As 5 músicas de “Heartwork” me foram as melhores, junto de “Keep On Rotting…”, e mesmo eu gostando menos de “Buried Dreams”. Coisa minha. A intro de “Corporal Jigsore Quandary”‘ é reconhecível mesmo ouvida num radinho de pilha e foi bastante comemorada.
Assim como o som q a sucedeu ahah
Pra constar ainda, 2 aspectos mais periféricos mas não irrelevantes: 1) show em dia útil começando e terminando cedo; 2) nenhuma banda de abertura enxertada. Não era pra ter.
O Carcass não soa uma banda cover nem um bailão da saudade. Eu é q estive meio em falta com os caras; numa próxima, estudo mais os laudos e exames prévios detidamente.
Em alguma época do ensino médio ou na faculdade, aprendi q aquilo q eu e minha bolha metaleira usávamos comumente como autópsia descrevendo necrópsia era na verdade melhor chamar de necrópsia. Afinal, um cadáver ñ se abre e se disseca. Nem sozinho, nem com auxílio.
Isso ñ me serviu pra muita coisa… até hoje.
ISTO aqui é uma AUTÓPSIA. Jeff Walker descrevendo o Carcass com uma lucidez absurda em 1992. Mtv estadunidense. E ñ sendo interrompido. E definindo o death metal sob parâmetros razoáveis, achei. Só mais absurdo – alerta de spoiler! – ver o quietão Bill Steer (estava ali todo o tempo?) dar uns pitacos ali pro final tb ahahah
A apresentadora leu o teleprompter direitinho. Uau.
Época em q Earache era grande e o Carcass gerava curiosidade nos States, pelo jeito. Época do “Necroticism: Descanting the Insalubrious”, algo ainda mais inusitado.
Vou procurar alguma entrevista de quando lançaram “Heartwork”. Bobear, foi algum monólogo de 120 minutos ahah
“War Eternal”, Arch Enemy, 2014, Century Media/Rock Brigade
sons: TEMPORE NIHIL SANAT (PRELUDE IN F MINOR) [instrumental] / NEVER FORGIVE, NEVER FORGET / WAR ETERNAL / AS THE PAGES BURN / NO MORE REGRETS / YOU WILL KNOW MY NAME / GRAVEYARD OF DREAMS [instrumental] / STOLEN LIFE / TIME IS BLACK / ON AND ON / AVALANCHE / DOWN TO NOTHING / NOT LONG FOR THIS WORLD [instrumental]
formação: Michael Amott (lead & rhythm guitar), Daniel Erlandsson (drums), Sharlee D’Angelo (bass), Nick Cordle (lead & rhythm guitar), Alissa White-Gluz (vocals)
strings on “Tempore Nihil Sanat”, “Avalanche”, “You Will Know My Name” and “Time Is Black” played by Stockolm Session Strings. Additional orchestra programming and keyboards by Ulf Janson. Mellotron by Per Wiberg. Additional keyboards by Daniel Erlandsson and Nick Cordle
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Mudaram pra ñ mudar.
Pra mim, o maior acerto deste “War Eternal” foi extramusical: foi quando o lançaram, daí com o alarde – e ñ antes, fazendo novelinha – da nova vocalista e novo guitarrista (q já nem é novo, pois saiu e pouca gente vai sequer lembrar q entrou) na formação. A capa tb achei acima da média pro Arch Enemy.
Musicalmente falando, por sua vez, os maiores defeitos (defensores chamarão de “estilo” ou “identidade”) da banda continuaram: 1) as instrumentais – prelúdio, interlúdio e final – desnecessárias (“Not Long For This World” parece autoirônica, desnecessária em seus 3 minutos e meio); 2) os sons q se seguem quase sem dinâmica (partes diferentes ou de volumes alternados); 3) a produção digital, artificial, de laptop.
Produção artificial essa de longa data, q arruína o trabalho do baterista. Tudo timbrado igual e tocado no mesmo volume. Mesmo aros de caixa presentes em “You Will Never Know My Name” parecem ajeitados em computador. 90% do q Daniel Erlandsson toca é feito em caixa, bumbos, chimbau e pratos: raras são as viradas e conduções no prato (só em “Stolen Life”), e as partes de bumbos “truncados” (tercinados ou sextinados), ou disparados adoidado em semicolcheias, só servem pra tentar cadenciar alguma coisa vez ou outra. Cansam. Torço pra q algum dia ele grave numa bateria com som de bateria; militar no Arch Enemy o torna (mais) um baterista de laptop.
A faixa-título até q me enganou, no clip, e me fez ir atrás do cd. “Never Forgive, Never Forget” impressiona, com a inédita artilharia de blast beats – terá sido pra fustigar o Carcass redivivo? “As the Pages Burn” tem base podrona, true. Uau. “Avalanche” poderia constar – ñ inteira – dalgum disco (maldito) do Nightwish ou do Helloween. A vocalista é gostosinha, ok, mas se ñ tivessem dito dava pra achar q era a Angela ainda. Pra piorar: Alissa White-Gluz estraga tudo no trabalho.
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Pois enquanto as tentativas citadas de fazerem sons algo diferentes (ñ como um todo, mas em partes isoladas), aliados aos realmente diferentes (“Stolen Life”, “Life Is Black”, “On And On”, “Avalanche” e “Down to Nothing”) merecem elogios, as ressalvas surgem em igual proporção quando a fulana “canta”.
Pra ñ dizer q faz tudo igual – rasgado o tempo todo, nas melhores horas soando como Abbath (Immortal), e nas piores como Jeff Walker – faz “Down to Nothing” num gutural impressionante. Mas homogeniza tudo, mascara os sons, deixa a desejar em momentos em q uma voz limpa ajudaria (“As the Pages Burn”, “No More Regrets” e “On And On”). Entrou pra banda ñ por ser diferente, uma gostosa de 29 anos no lugar duma de 40 (q virou a empresária), mas pra encantar o mercado japonês, q adora cabelos coloridos. Bah.
A idéia de orquestra nuns sons tb curti, mas me parece trazer uma ENCRUZILHADA à banda: vão botar tecladista pra tocar ao vivo, tocar com partes pré-gravadas, ou melhor seria q evoluíssem harmonicamente nas guitarras, pra ñ precisarem mais do recurso? Gostei de “Stolen Life”, “On And On” (mais curtas e diretas), de “Life Is Black” (pedrada q poderia acabar na meio, sem a orquestração), de “You Will Know My Name”, por conta duma base guitarrística em contratempo q parece reggae (!!) e de “Avalanche”, corajosa e verdadeiramente épica. O resto soa mais do mesmo, mesmo.
“War Eternal” é o disco mais pesado da horda desde os tempos do insosso Johan Liiva, mas isso ñ quer dizer muita coisa. Com ele o Arch Enemy saiu um pouco duma zona de conforto; resta torcer pra num próximo álbum – Jeff Loomis durará até lá? – as coisas se descontrolarem mais. O heavy metal atual (artificial e vendido em embalagens coloridas) e em geral agradeceria.
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CATA PIOLHO CCXXXVII – “Come And Get It”: Whitesnake ou Overkill? // “Collateral Damage”: Brutal Truth ou Exodus? // “Not Of This Earth”: Joe Satriani ou Prong?
A pretexto de falarmos por aqui sobre os shows – realmente Históricos? – do Black Sabbath (ñ fui em nenhum deles), dos quais sei q vários amigos por aqui compareceram, replico cá algo q postava no Facebook sobre uma campanha idiota visando “tributo ao Dio” em meio ao show. Pedido a Ozzy Osbourne (!), via rede social (!!), q entoasse algum trecho de “Heaven And Hell” em homenagem!!!
Putz.
Mais putz ainda foi descobrir q o conhecido q estava compartilhando tal tranqueira (ñ freqüenta aqui a bodega) foi quem teve a idéia “genial” de propor o lance. Num daqueles episódios já conhecidos em internet de Presunção sem Noção:
como se Iommi e companhia fossem mudar repertório de show especialmente por causa de pedido em rede social
como se Ozzy sequer lembrasse quem foi Dio, e q o mesmo morreu faz 2 anos
como se Sharon Osbourne fosse autorizar um troço desses
como se já tivesse ocorrido algo antes assim!
Amigo FC, por lá, foi inventariando episódios recentes de falta de noção, por vezes vindos da própria mídia, como da vez, em Rock In Rio anterior, q a Rede Globo acenou pra “possibilidade de algum som do Nirvana” no show do Foo Fighters… Má intenção ou má informação?
Lembrei tb daquele mesmo Rock In Rio 2001 em q monte de gente foi ao Rio de Janeiro (conheci ao menos duas pessoas), de última hora, pra ver uma “suposta” jam do Iron Maiden com Jimmy Page, q estava de passagem pelo Brasil. Ou do Rock In Rio 2011, quando muita gente jurou de pé junto q Lemmy faria jam com o Metallica. Ñ fez, ñ faria, como cravei na época, antecipando. Puta merda.
Meio a ver, mas meio ñ tendo a ver, resenha de “Surgical Steel” q acabei de ler no whiplash: redator crava duelos guitarrísticos entre Bill Steer e Ben Ash. Quando o próprio Jeff Walker, em entrevistas, e ainda o ENCARTE do álbum, afirma(ra)m, a quem tiver ao menos 2 neurônios, q Bill Steer gravou todas as guitarras sozinho. Ben Ash – “introducing on live guitar” – entrou depois do álbum terminado, porra!
Evocando Carlos Nascimento: “já fomos mais inteligentes” ou o quê?