New Model Army
THE LOVE OF HOPELESS CAUSES
por märZ

Contexto: o sol está castigando lá fora, é um dia quente de verão no sudeste do Brasil, estou sem energia elétrica desde a noite anterior (tem acontecido bastante), o arroz que preparei há pouco está esfriando na panela e estou na minha quarta dose de Absolut com limão. Por razões já mencionadas, a única música ambiente está tocando na minha cabeça: alterna entre “Where Is My Mind” do Pixies e “Shine” do Motorhead.
Estou lendo um livro muito legal. Comecei há uns 3 ou 4 dias, após uns bons anos guardado na estante. “Old Records Never Die”, de Eric Spitznagel. Eric é jornalista/escritor e fã de música alternativa (seja lá o que isso signifique hoje em dia). E como tantos de sua geração, cometeu o erro de vender toda sua coleção de LPs no fim dos anos 90 e começo dos 2000. Assim como eu (1996, pra ser mais específico).
A diferença talvez seja que Eric, já casado, com filho e perigosamente se aproximando dos 50, resolveu se dedicar à quixotesca empreitada de garimpar e recomprar seus antigos discos. Veja bem: especificamente os discos por ele outrora possuídos. Nada de repress ou remaster, nada de cds ou edições especiais. Impossível? Talvez, mas por enquanto tem me proporcionado momentos divertidos e nostálgicos. Torço por ele.
MELHORES DE 2024
Não foi um ano ruim. Não consegui ouvir tudo o q me interessou (tipo o Opeth novo), mas vamos q vamos:

MELHORES DISCOS DE 2024:
- “Hell, Fire And Damnation”, Saxon [melhor capa tb]
- “Invincible Shield”, Judas Priest [2ª melhor capa]
- “A Mass To the Grotesque”, Troops Of Doom
- “Falha Crítica”, Surra
- “The Underworld Awaits Us All”, Nile
- “Absolute Elsewhere”, Blood Incantation
- ” =1″, Deep Purple
- “Eu Sou A Derrota”, Sangue De Bode
- “Necrocosmos”, Vazio
- “Unbroken”, New Model Army
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MELHORES DISCOS COMPRADOS EM 2024, MAS DESOVADOS NOUTRAS SAFRAS:
- “Blast Off!”, Stray Cats
- “Dark Side Of the Moon Redux”, Roger Waters
- “Resentment Is Always Seismic – A Final Throw Of Throes”, Napalm Death
- “Whiskey For the Holy Ghost”, Mark Lanegan
- “Independent Worm Saloon”, Butthole Surfers
- “Decomposição”, Manger Cadavre?
- “Get Up”, Ben Harper and Chatlie Musselwhite
- “Charango”, Morcheeba
- “O Primeiro Canto”, Dulce Pontes
- “Metal Machine Music”, Lou Reed
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PIORES DISCOS COMPRADOS EM 2024, LANÇADOS EM 2024 OU NEM:
- “Live In São Paulo”, Sepultura
- “Natural”, Cesar Camargo Mariano
- trilha sonora filme “Angus”
- trilha sonora filme “A Life Less Ordinary”
- “Architecture & Morality”, Orchestral Manœuvres In the Dark
- “Sax Drive”, Leo Gandleman
- “On the Night”, Dire Straits
- “That’s Why I’m Here”, James Taylor
- “Língua De Trapo”, Língua De Trapo
- “… And Out Come the Wolves”, Rancid
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MELHORES (MENOS) POUCOS LIVROS LIDOS Q RECOMENDO:
- “A Culpa É Do Lou Reed”, Jotabê Medeiros
- “Into the Void”, Geezer Butler
- “A Vida Até Parece Uma Festa”, Hérica Marmo e Luiz André Alzer
- “O Livro do Disco – ‘As Quatro Estações'”,
- “‘Rust In Peace’ – A História da Obra-Prima do Megadeth”, Dave Mustaine e Joel Selvin
- “Pavões Misteriosos – 1974/1983: A Explosão da Música Pop no Brasil”, André Barcinski
Li mais q nos outros anos e deixei 3 pela metade: biografia dos Jesus And Mary Chain, um dos Beatles zumbis e outro do Haruki Murakami.
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MELHORES SHOWS
- Nick Mason’s Saucerful Of Secrets
- Napalm Death
- Deep Purple
- Krisiun [Sesc Belenzinho]
- Sepultura
- Jerry Cantrell
- Survivalist
- Charlotte Matou Um Cara
- Arnaldo Antunes e Vitor Araújo
- Edgard Scandurra
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PROFECIAS/PREVISÕES 2025:
Fiasco ameno (não devem cancelar, mas não vai ter mais) do Bangers Open Air; shows de Ripper Owens, Eric Martin, Blaze Bayley e Roland Grapow com bandas cover daqui (ocupando o lugar do Korzus, do Genocídio, do Necromancia e de outras bandas q não existem). Turnês de despedida passando a rodo e batido, gerando gastrites nos produtores de show farialimers. Metallica? Adiando pra 2026 – System Of A Down engoliu a demanda. Discos novos de Saxon, Amorphis e Overkill.
ZERO DATADOS

New Model Army, “Unbroken”
Foram 6 dos 11 sons totais tocados no show por aqui há 2 meses. “First Summer After”, “Language”, “Cold Wind”, “Coming Or Going”, “Do You Really Want to Go There?” e “Idumea”. Q combinaram com o repertório restante e clássicos executados. E q me convenceram a adquirir “Unbroken“.
As versões em estúdio, bem gravadas e arranjadas, vão me soando abaixo. Pq falta feeling e a visceralidade de palco de Justin Sullivan, o líder, o bardo. Mas não ruins.
“Unbroken” me fica meio como souvenir do show, em vez do contrário habitual.
Pq ainda há o q ler no encarte – leiam encartes: letras, mensagens, assunto (e não “conteúdo”). O New Model Army está na quarta década de atividades e continua zero datado e relevante. Bora aprofundar.
Nunca é demais um disco novo do New Model Army.
NEW MODEL ARMY
Carioca Club, 08.06.24

“Nenhuma nota fora do lugar”. Pensava isso o tempo todo.
Como penso isso do New Model Army desde sempre. As músicas são simples, dirão os guitarristas de YouTube. E fáceis de tocar, provavelmente bostejarão.
Até são, mas vai tocar igual.
Os caras dominam timbres e arranjos, coisa q muita banda consagrada ou estagnada (como o Amorphis) poderia aprender. Violão, violinos (de teclado), percussão adicional, microfonias e feedbacks propositais dando climas, teclados e backing vocals dão a assinatura insuspeita do New Model Army muitíssimo parecida ao vivo com as versões de estúdio.
Estavam aqui pra lançar disco novo, “Unbroken“, do qual tocaram 5 sons. De 19 totais. 9 outros sons foram os clássicos e mais conhecidos, tocados sem pau mole ou protocolarmente. O q incluiu o meu preferido, “I Love the World”, ao final.

Foi um puta show, e a resenha acaba aqui pra quem tem TDAH induzido ou foca só no essencial. Bora as divagações.
O Carioca estava lotado, o q me surpreendeu. Fiquei literalmente na última fileira possível, praticamente escorado na mesa de som, em q o técnico ficou remexendo em 3 opções de setlist, nenhuma das quais executada. Sei do amigo bonna q os viu domingo (Circo Voador, no Río), só não sei se repetiram o repertório.
O público era majoritariamente tiozão. As músicas são absolutamente atuais. “Here Comes the War” foi o ápice; Justin Sullivan sanguíneo nela. “225”, continua um soco na cara, crônica absurda. As músicas novas me convenceram, sobretudo “First Summer After” e “Idumea”.
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Sullivan em alguns momentos tentou contextualizar coisa ou outra, ligar lé com cré, mas não precisava. E pareceu legitimamente tocado com a reação do público, sem precisar apelar pra frases feitas ou camisa da CBF no bis.
O discurso, o som (excelente) e a coerência do repertório mostraram uma banda zero nostálgica ou presa ao passado. Zero surpresa pra mim.

O baterista é sensacional, o mesmo das outras vezes, substituto do falecido Robert Heaton, e simplesmente dá o chão de tudo. Volume da bateria impecável na mixagem.
“Green And Grey” foi outro ponto alto, cantada em alto e bom som. “51st State” foi tocada melhor do q da outra vez em q eu os tinha visto (2015? 2016?). E cantamos um trecho errando nela ahahah “Wonderful Way to Go” é uma q tinha esquecido q existia, pancada.
No bis, baita sacada: Sullivan veio sozinho com guitarra, disse q não tinham trazido violinista e q teríamos q cantar a melodia em “Vagabonds”. Perfeito. Feito. Emendaram “The Hunt”, outra q me surpreendeu, comoveu geral e q nunca ouvi a original. E aí fecharam com “I Love the World”.
Pouco mais de 1h30min de show. Duma banda relevante, contundente e satisfatória como poucas.
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PS – sem bandas de abertura q “we never asked for any of this”
PS 2 – com preço bastante adequado: 200 lulas + kg de arroz não sulista
CAUSAS PERDIDAS

New Model Army, “The Love Of Hopeless Causes“
É por um fetichismo meio besta q mantenho algumas etiquetas com os preços dispendidos nuns cds daqui.
Um pouco pq me faz lembrar da loja onde encontrei o artefato (no caso, a Disconcert, em Perdizes), outro tanto (o “meio ñ besta”) pela medida do esforço em procurar + demora em conseguir. Ainda q “The Love Of Hopeless Causes” siga distante dos meus favoritos da banda.
Muito por culpa deles: a contundência de “Thunder And Consolation” (1989) e o refinamento de “Impurity” (1991) ñ encontraram eco ou seqüência aqui, q o New Model Army nem seria disso.
Ainda q tenha sido levemente mais acessível, com clipe de “balada” (“Living In the Rose”) na Mtv Brasil, um único som mais virulento (“Here Comes the War”) e muitos teclados pelos outros. Até pensei na época – passados já 30 anos – q era o New Model Army se vendendo.
Ñ podia estar mais errado. É disco mais introspectivo e dado a interpretações das letras menos explícitas, mas nem por isso menos panfletárias e críticas. Demanda prontidão e tempo pra melhor assimilação, o q ao reouvir ontem acabei constatando.
Diferente, mas ñ pior (como achei e continuei achando “Strange Brotherhood”, de 1998) ou melhor q os citados anteriores. Bora “achar tempo” no final de semana para a devida – fala, Jessiê – imersão.
Ainda q por amor às causas perdidas eheh
10 ÚLTIMOS COMPRADOS
Pauta sazonal anacrônica q resiste por teimosia.
Vale disco baixado ou ouvido inteiro nos Spotify da off-vida.
(comprados todos neste mês)
- “Hate Über Alles”, Kreator
- “Perpetual Chaos”, Nervosa
- “Quadra”, Sepultura
- “Unleeched”, Claustofobia
- “Defenders Of the Faith”, Judas Priest
- “Outrider”, Jimmy Page
- “Raw Melody Men”, New Model Army
- “Ghost Opera”, Kamelot
- “Calle Salud”, Compay Segundo
- “Diana Princess Of Wales (1961-1997)”, The BBC Recording Of the Funeral Service
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whatsapping: algo q conversamos por alto aqui quando da postagem do “Metal Massacre” quarentando https://flipboard.com/@Loudersound/scott-ian-nobody-thought-metallica-would-be-bigger-than-iron-maiden/a-yuJKXW5JSGGt2nz-1KHszA%3Aa%3A2568926976-be7992eb16%2Floudersound.com?format=amp
CAST NO SHADOW
Cartaz do Wacken 2022 q o Leo me enviou esta semana, ressaltando a importância/tamanho do Slipknot no rolê.

Minha estranheza nem é com o Slipknot num festival graduado de metal como o Wacken (sim, pra mim eles são metal), mas o praticamente status de headliner da banda. Sei q ainda existem, mas ñ virou banda de nicho?
(ou pior: banda retrô?)
Fora isso, minha estranheza com bandas q em outros tempos JAMAIS fariam parte duma escalação: Rose Tattoo, Danko Jones, New Model Army. Tá faltando banda? A versão 2021 cancelada incluía Dropkick Murphys no cartaz… oi? Limp Bizkit, caralho, certeza? Como assim?
Escalação encolhida tb, provavelmente devido à pandemia. Ao mesmo tempo, ñ demora em acrescentarem atrações ao evento. Sempre rola.
Mas tb fico pensando na PENEIRA CANCELADORA enrustida aí: terá banda faltando pq é anti-vax?
Aguardo pra ver.



