Justin Sullivan
ZERO DATADOS

New Model Army, “Unbroken”
Foram 6 dos 11 sons totais tocados no show por aqui há 2 meses. “First Summer After”, “Language”, “Cold Wind”, “Coming Or Going”, “Do You Really Want to Go There?” e “Idumea”. Q combinaram com o repertório restante e clássicos executados. E q me convenceram a adquirir “Unbroken“.
As versões em estúdio, bem gravadas e arranjadas, vão me soando abaixo. Pq falta feeling e a visceralidade de palco de Justin Sullivan, o líder, o bardo. Mas não ruins.
“Unbroken” me fica meio como souvenir do show, em vez do contrário habitual.
Pq ainda há o q ler no encarte – leiam encartes: letras, mensagens, assunto (e não “conteúdo”). O New Model Army está na quarta década de atividades e continua zero datado e relevante. Bora aprofundar.
Nunca é demais um disco novo do New Model Army.
NEW MODEL ARMY
Carioca Club, 08.06.24

“Nenhuma nota fora do lugar”. Pensava isso o tempo todo.
Como penso isso do New Model Army desde sempre. As músicas são simples, dirão os guitarristas de YouTube. E fáceis de tocar, provavelmente bostejarão.
Até são, mas vai tocar igual.
Os caras dominam timbres e arranjos, coisa q muita banda consagrada ou estagnada (como o Amorphis) poderia aprender. Violão, violinos (de teclado), percussão adicional, microfonias e feedbacks propositais dando climas, teclados e backing vocals dão a assinatura insuspeita do New Model Army muitíssimo parecida ao vivo com as versões de estúdio.
Estavam aqui pra lançar disco novo, “Unbroken“, do qual tocaram 5 sons. De 19 totais. 9 outros sons foram os clássicos e mais conhecidos, tocados sem pau mole ou protocolarmente. O q incluiu o meu preferido, “I Love the World”, ao final.

Foi um puta show, e a resenha acaba aqui pra quem tem TDAH induzido ou foca só no essencial. Bora as divagações.
O Carioca estava lotado, o q me surpreendeu. Fiquei literalmente na última fileira possível, praticamente escorado na mesa de som, em q o técnico ficou remexendo em 3 opções de setlist, nenhuma das quais executada. Sei do amigo bonna q os viu domingo (Circo Voador, no Río), só não sei se repetiram o repertório.
O público era majoritariamente tiozão. As músicas são absolutamente atuais. “Here Comes the War” foi o ápice; Justin Sullivan sanguíneo nela. “225”, continua um soco na cara, crônica absurda. As músicas novas me convenceram, sobretudo “First Summer After” e “Idumea”.
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Sullivan em alguns momentos tentou contextualizar coisa ou outra, ligar lé com cré, mas não precisava. E pareceu legitimamente tocado com a reação do público, sem precisar apelar pra frases feitas ou camisa da CBF no bis.
O discurso, o som (excelente) e a coerência do repertório mostraram uma banda zero nostálgica ou presa ao passado. Zero surpresa pra mim.

O baterista é sensacional, o mesmo das outras vezes, substituto do falecido Robert Heaton, e simplesmente dá o chão de tudo. Volume da bateria impecável na mixagem.
“Green And Grey” foi outro ponto alto, cantada em alto e bom som. “51st State” foi tocada melhor do q da outra vez em q eu os tinha visto (2015? 2016?). E cantamos um trecho errando nela ahahah “Wonderful Way to Go” é uma q tinha esquecido q existia, pancada.
No bis, baita sacada: Sullivan veio sozinho com guitarra, disse q não tinham trazido violinista e q teríamos q cantar a melodia em “Vagabonds”. Perfeito. Feito. Emendaram “The Hunt”, outra q me surpreendeu, comoveu geral e q nunca ouvi a original. E aí fecharam com “I Love the World”.
Pouco mais de 1h30min de show. Duma banda relevante, contundente e satisfatória como poucas.
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PS – sem bandas de abertura q “we never asked for any of this”
PS 2 – com preço bastante adequado: 200 lulas + kg de arroz não sulista
DE QUANDO OPINIÃO Ñ ERA ACHISMO
Inventariando revistas antigas, me deparo com a Rock Brigade #253, de setembro de 2007. Uma rara entrevista com Justin Sullivan, do New Model Army, de passagem por shows (eu fui!) por aqui.
Mais rara ainda a entrevista ter sido conduzida por Márcio Baraldi, aquele, quadrinista e fã dos caras. Com propriedade pra entrevista em si, mas q aparentemente ficou tietando a banda tb em tarde de autógrafos e tudo mais.

Trecho sobre política e América Latina. Entre o profético e o lúcido, me impressionou. Acho q na época ñ saquei. Sem print hoje, segue:
“RB – Como um cara bastante politizado, você acompanha o que acontece na política sul-americana? O que pensa do crescimento da esquerda na região, com os presidentes Lula, Morales, Kirschner e Chavez?
SULLIVAN – Acho que o povo cansou de gente dizendo como se deve agir ou pensar. Então, esses homens que você citou chegaram ao poder numa reação natural ao modelo norte-americano neoconservador que sempre se meter na América do Sul. Eu não sou um expert no assunto, mas, pra mim, todos os democratas que chegam ao poder são geralmente surpreendidos ao descobrirem o pouco poder que realmente possuem e as poucas mudanças que realmente podem e conseguem realizar. Mesmo assim, é bom saber que a América do Sul se organiza em uma espécie de levante e agora enfrenta a América do Norte“.
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PS – o show ocorrido no dia 7 de agosto daquele 2007 contou com uma resenha minha… no site da Dynamite, na coluna semanal de Humberto Finatti, crítico indie metido a junkie com quem eu trocava idéias metal x antimetal na época, e q ñ chegou a tempo do show. Aliás, chegou DEPOIS do show.
Simplesmente enquanto eu saía rumo ao metrô, trombei o sujeito na rua, q por motivos óbvios (tosse tosse) ñ poderia resenhar a apresentação. Num misto de eu oferecer e ele pedir (sem envolver dinheiro), acabei resenhando e mandando pra ele, q publicou.
Uma hora tenho q dar um Google nisso, pra saber se ainda existe.
Ou fuçar aqui no blog mesmo, pq ñ lembro se repostei.
2014 AINDA Ñ COMEÇOU
Os amigos FC e Léo Musumeci muito me falaram sobre o Soilwork novo ser bão. Outra dica pra qual liguei o foda-se.
Ñ por eles, claro, mas pela banda, da qual já tinha desistido: embalagem death metal melódico enrustindo um metalcore pula-pula e gritão q ñ me agrada mesmo.
Dum troco q sobrou na Galeria do Rock sábado, aproveitei e peguei “The Living Infinite”. Estava barato. Duplo. Exagero? Nem!
Mal sabia q eles tinha arrumado um baterista de verdade (Dirk Verbeuren), o q fez toda uma diferença. Trocaram quase todo o time tb. Sobraram o vocalista e o baixista das antigas. As guitarras soam menos Pro Tools e o vocal vez ou outra ainda exagera na dose, mas beleza. Cresceram, esses caras. Quem diria!
No mais, trampo de teclado mais digno e de menos barulhinhos ao fundo, 2 sons instrumentais interessantes (nada de encheção de lingüiça), além da grata surpresa de Justin Sullivan, vocalista do New Model Army, discretamente participar em “The Windswept Mercy”.
Haja tempo pra digestão dos 20 sons: foi pro pendrive de ouvir som no carro.




