Thrash com H

OVER THE TOP

sexta-feira, 26 março, 2021 por Txuca

E quando a banda autoral se acha demais e (quase) estraga tudo?
Aquele papo idiota de “banda cover rouba espaço de banda autoral séria”, e de como provo aqui desta vez q isso é a maior mentira.

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A cidade era Indaiatuba. A data, 07.03.2015. O bar, me recuso a citar nome; dono em 2018 se revelou um bostonarista de primeiro quilate, e mesmo q o local ainda exista (parece q faliu), em eu voltando a tocar com bandas e tentando achar lugar pra tocar, pretendo nunca mais voltar ali.

[ficam as iniciais: PB]

Uma pena, pois era um bar agradável, com público bem receptivo e legal, em q tocamos umas duas ou 3 vezes antes (as duas primeiras, ainda com um outro dono q parecia o baixista do System Of A Down) e voltaríamos a tocar mais uma vez; aliás, a única vez em q toquei bêbado.

[deixa pra lá]

Quem arranjou e contratou a noite foram os camaradas do Ministério da Discórdia, banda semi-autoral e semi-cover de Black Sabbath de quem tínhamos virado parceiros. O tempo passou, e as bandas até então parceiras P.O.T.T. (q virou Sarkaustic) e Napster (com quem fundimos formação por algum tempo), tinham encerrado atividades, então nada melhor do q fazermos noites com caras os quais ora convidávamos, ora éramos convidados.

[naquela proposta q tínhamos adotado de só tocarmos com bandas de amigos, após o ocorrido descrito nesta pauta, anteriormente, em “Please Don’t Touch”]

E era uma situação legal tb pq, embora já tivéssemos tocado no PB sem o Ministério, os caras ficaram mais amigos do povo do bar, então ficavam encarregados de meio uma vez por ano agendar alguma data por ali, ou num concorrente da cidade, o Piratas Bar.

***

A diferença é q o Ministério andou fazendo uns rolês autorais com bandas idem pelas bandas de Osasco, no q conheceram a outra banda da noite – q tb cito apenas inicial – o S!, e acharam q combinava numa mesma noite Motörhead, o semi stoner q faziam e o rock desses últimos. Nada contra. Ajeitadas datas e cachê, era só esperar o dia.

***

Faltando 3 ou 4 dias, começa a encrenca:
os caras desse S! mandaram mensagem perguntando se ñ gostaríamos de dividir uma van até o local. Tomei a frente pelo No Class e disse q ñ. Provavelmente o cachê (q eu já calculava certinho o gasto com gasolina e pedágios, e daí sobrar um pouco pro nosso “caixa”) iria pelo ralo com a empreitada, fora ñ conhecermos os caras, e ainda todo um rolo de provavelmente combinar um ponto de partida único pras bandas, o q é sempre complicado, gera atrasos e etc.

O pessoal do Ministério tb recusou. Cada banda com seu carro, cada banda com seus pobremas, bora pra Indaiatuba. Ordem das bandas definida: S!, Ministério da Discórdia, No Class. A primeira, tendo q começar às 23h. Todas as bandas na porta do bar às 21h30min.

21:30 estávamos lá. O Ministério tb. Cadê o S!?

22:00 estávamos esperando. O Ministério tb. Nada do S!

22:45, nada do S!. E a essa altura, eu – responsável pelo No Class – já comecei a articular de a gente abrir a noite e deixar esses malas por último. Por algum motivo, tínhamos q fechar e o vocal do Ministério ñ queria tocar primeiro. Ñ era o combinado. Impasse. 23:00, nada dos caras, intimei o baterista do Ministério a contactar esses caras e saber se viriam, ou se estavam a caminho.

Estavam chegando. Fui pra cima do Inácio (o baterista) e intimei q ele deveria intimar os caras a chegar e já correr pro palco montar as coisas e sair tocando. Nada de chegar, trocar idéia e daí tocar. Chegaram às 23:45. Numa Kombi velha e podre – a tal “van” – e todos entre completamente bêbados e chapados, mal se agüentando em pé. Foda-se.

Montaram as coisas e começaram a tocar. Nada de “e aí, galera?”. Nada de se comunicarem ou parecerem legais. Ou de apresentarem a banda ao público, q já enchia o local. Nada de agradecer ao bar ou às bandas; provavelmente todos os neurônios do guitarrista/vocalista estavam ocupados em lembrar a palavra “Indaiatuba” e em se manter em pé enquanto “tocava”.

***

O q era o som? Algo q eles achavam q era stoner. Stoner foi uma modinha de playboy metaleiro reaça por algum tempo por aqui. E q ali ñ era stoner: era um Nirvana piorado. Básico e ruim. 3 caras se trombando e se atropelando, tocando muito alto e sem noção, e se achando.

Fica pior: na única hora em q o vocalista resolveu falar um “e ae, Indaiatuba?”, emendou um discurso patético, do qual as palavras em negrito são as q me lembro com certeza; as outras são adaptações fidedignas do discurso:

pois é, Indaiatuba, longe pra caralho, hein? Mas chegamos. Pegamos uma van, ela quebrou na estrada. Arrumamos uma outra, quebrou tb. (aham) Mas o rock ñ pode parar e conseguimos chegar aqui pra tocar. E já q o Rock in Rio ñ convida a gente, foda-se, o negócio é tocar“.

Insultaram a cidade, se acharam injustiçados, se mostraram totalmente deslocados da situação e do evento. Eu, q já estava puto e de saco cheio mesmo antes, saí do bar e fiquei na calçada. Fazendo meu aquecimento e preservando a audição. Ñ cumprimentei nenhum dos caras, mesmo eles ñ tendo a menor iniciativa pra isso. Sequer condição cognitiva.

***

Tocaram, foi uma merda, ñ trocaram idéia com ninguém. Desmontaram as coisas, veio o Ministério, tocaram bem. Agradaram. Detalhe: mesmo tendo sido ruim a abertura, pouca gente saiu do bar ou foi embora. Veio a nossa vez, tocamos bem tb. Pessoal veio trocar idéia, dono do bar agradeceu, o técnico de som tb (depois montaria um cover de Motörhead na cidade) ficamos ali curtindo, antes de o corpo esfriar e eu ter q desmontar as coisas, pôr no meu carro e voltarmos pra São Paulo. Com escala em Carapicuíba, pra deixar o Edinho.

E aí a última coisa q fica pior: recebemos, eu e Inácio, o cachê total da noite, q seria dividido por igual entre as bandas. E cadê alguém do S! por ali?

Ñ ficaram pra ver o Ministério, ñ viram o No Class, a Kombi velha estava na porta, mas nem o trio, nem motorista, nem algumas das namoradas q estavam junto estavam dentro, ou próximas. Simplesmente sumiram, no q até hoje depreendo q pra cheirar um pó ou fumar algum bagulho nalguma rua próxima. Equipamento? Etiqueta? Cachê? “O rock ñ pode parar!

Fui calhorda nessa hora, e ñ me arrependo. Salvo engano, eram R$600 o cachê, a dividir entre as 3 bandas, 200 pra cada. Falei com o Inácio, e ele topou: dividimos 250 pra No Class, 250 pro Ministério e fomos embora.

Deixamos pros caras algum dia virem buscar a parte deles (R$ 100) com o Inácio. Até hoje ñ sei se buscaram.

3 respostas

  1. Leo

    Cara…
    Dividir palco com banda bosta é um saco.
    Vide aquela história do no class no bar aqui da Santa Cecília que eu esqueci o nome.

    Se eu fosse vocês, pegaria os $600 e deixaria uma nota de $2. Rs

  2. FC

    Como que a pessoa faz um show e insulta a cidade que está recebendo a banda? Além do mais, Indaiatuba nem é longe de São Paulo.

  3. Marco Txuca

    Leo: vc e a Danny estavam lá no Gillan’s aquele dia?

    Foi um dia tão bosta, e eu deixei de falar com algumas pessoas desde então, q meio q esqueci quem estava ou ñ na ocasião. Ainda vou escrever a respeito: “Shoot You In the Back”.

    FC: sujeito estava provavelmente enaltecendo a si próprio e à banda, q é de Osasco. Portanto, ainda mais próximo de Indaiá.

    A propósito: banda Spread! e bar Plebe Rock Bar.

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