Thrash com H

NAPSTER OF PUPPETS

quarta-feira, 15 abril, 2020 por Txuca

por Jessiê Machado

Vinte anos atrás (eu disse 20 anos!!), o Metallica começava o capítulo mais lembrado de sua história desde a expulsão de Dave Mustaine:

tudo começou com o vazamento de uma versão demo de “I Disappear” e a banda resolveu processar o Napster, seus criadores, 3 universidades americanas e os usuários da plataforma, que na verdade eram os próprios fãs da banda.

Relembrando que o Napster foi um programa pioneiro em compartilhamento de mp3 em uma época de internet discada – quem nunca deixou um programa desses aberto a noite toda baixando toda a sorte de vírus? – que consiste basicamente no modo P2P, que basicamente era a troca de arquivos feita remotamente por computadores de todo o mundo, sem os criadores nada receberem por isto.

O direito invocado pela banda era legítimo e é a base legal de todas as plataformas que existem hoje, como o YouTube; o problema foi a forma irônica e agressiva com que a banda (leia-se “Lars”) tocou toda a coisa e, chegaram a afirmar que quem baixava as músicas do Metallica dessa forma “não era fã”, era criminoso e não tinha moral, dentre diversas outras coisas.

***

No fim, o tiro saiu pela culatra pois o Napster era apenas um dos milhares de sistemas similares (Ares, Limewire…) e o caso apenas deu visibilidade ao sistema até a criação de sistemas como o iTunes, até chegar ao que temos hoje, que inclusive é a maior fonte de renda de músicas pelo mundo todo.

O fato é que a banda já não vinha em paz com os fãs old school, ficou com a pecha de “arrogante” e nunca superou o episódio, mesmo passado tanto tempo. Quer ver o semblante mudar, é em qualquer entrevista tocar no assunto. Lars tentou contemporizar recentemente, dizendo: “Ficamos presos nessa tempestade e todo mundo comentava ‘o Metallica é muito ganancioso’, mas aquilo não tinha nada a ver com dinheiro (…) Fomos pegos de surpresa e não sabíamos o que fazer. Como o Napster significava muito para algumas pessoas, tivemos que decidir como seguir em frente”. Dizendo ainda que é até amigo de Sean Parker, co-fundador do Napster e atual investidor do Spotify.

Mas intimamente não é bem assim, pois Kirk em entrevista a um canal de tv sueco, disse que “todo esse lance do Napster não nos favoreceu de forma alguma. Mas quer saber? Ainda estamos certos nisto, ainda estamos certos sobre o Napster, não importa quem ainda diz ‘o Metallica estava errado’. Tudo o que você tem que fazer é olhar para o estado da indústria da música, e isso meio que explica toda a situação aqui”.

6 respostas

  1. FC

    Metallica estava certo somente do ponto de vista do modelo pelo qual fizeram a carreira, nos anos 80. E redondamente enganados ao não perceberem – ninguém os avisou? – que este modelo não existiria mais.

    Tem um documentário que conta a história do Napster em que o Shawn Fenning disse que o Lars entrou num elevador por engano junto com ele, antes de uma audiência. É bem legal.

  2. Jessiê

    TB assisti, mas não lembro de nada.

  3. Marco Txuca

    Lembro de como fiquei sabendo do Napster: em idas domiciliares a um paciente, em meados de 2000. Era um nerd programador auto-didata, e lembro q me explicou como funcionava.

    Achei uma maluquice. Na época, fiquei pensando se ñ era surto do sujeito, daí vi q era “o futuro”. Mas nunca me comoveu isso: nunca tive saco pra baixar álbum.

    O único q fiz foi o “Motörizer” (Motörhead), pq eu ñ aguentava a ansiedade com relação ao lançamento. Mas ñ curti: as músicas ñ tinham separação, tinha q ouvi tudo. Achei um saco, preferi ficar no analógico, onde até hoje resido, com concessões ao já anacrônico pendrive ahah

    ***

    Com relação ao Metallica, lembro ñ ter ficado contra. Eu já estava com birra deles previamente, por isso nem dei atenção. Ao mesmo tempo, hoje até valorizo a iniciativa, q embora torta, poderia ter sido pior:

    alguém tomaria essa iniciativa, e poderia ter sido alguém muito pior (tipo uns Garth Brooks da vida) ou muito mais influente (tipo um Paul McCartney ou Michael Jackson). Entendo q um bando de artistas/bandas apoiou o Metallica em segredo, pq a iniciativa pôde colocá-los (esses omissos) na segurança do anonimato.

  4. Marco Txuca

    Por outro lado, segue link com matéria um tanto fragmentada dando conta de como Frank Zappa já antecipava (e pedia) a música a ser vendida por computadores…

    Reparem a data!

    http://trabalhosujo.com.br/frank-zappa-e-a-musica-sem-disco/

  5. André

    Por um lado, ajudou a derrubar a indústria fonográfica. A facada final veio com o youtube.

    Por outro lado, a internet permite que artistas negligenciados ou marginalizados divulguem seus trabalhos, que subgêneros se desenvolvam e formem uma cena própria.

    Quem quiser ter uma carreira corporativa, vai ter que tocar outro tipo de música. O metal, definitivamente, não vai deixar ninguém rico. Nunca deixou, aliás.

  6. Marco Txuca

    Tirando Sabbath, Maiden, Led e Metallica, ninguém ficou assim milionário.

    Por outro lado, foi tudo em vão: houve a mudança de paradigmas, bandas tendo q se vender por conta própria, divulgação de subgêneros para público fiel e etc. Mas vivemos a era (atual) em q o Sistema deu a volta e monte de gente acha o máximo pagar por música na internet. Spotify.

    A vida dá vodcas e vodcas.

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