Thrash com H

DESTRINCHANDO LULU – parte 1

quarta-feira, 30 novembro, 2011 por Txuca

Bem, atendendo a pedidos – quem mandou, märZiano? – eis q resolvi resenhar “Lulu”. Mas de modo atípico desta feita.

Pois estou me dando ao trabaho de ouví-lo todo. Peguei ontem pra ouvir as 4 primeiras faixas, quarta q vem farei o mesmo com mais 4, e na outra semana eu devasso as restantes.

E embora possam objetar alguma mania minha de ser “do contra”, digo q está acontecendo o q eu mais temia: estou GOSTANDO da bagaça.

Por ter em mente a premissa principal: é disco de Lou Reed, ñ do Metallica. Quem insistir noutro entendimento, q dê jeito de se resolver quanto a isso. E é disco cabeça, no q me tem sido de grande auxílio ouvir os sons acompanhando alguma sorte de explicações no blog do Jamari França –  http://oglobo.globo.com/blogs/jamari/ – q ainda fez o favor de colocar som por som pra audição.

Outra coisa ainda: vejo muita gente já tendo julgado apressadamente o álbum. E ouvindo em mp3 ou via You Tube. Tb estou fazendo via You Tube, ciente das distorções impróprias no resultado final.

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“Brandenburg” e “The View”, inciais, soam músicas próximas. Cruas, dando impressão de gravação de ensaio. E ñ me convidaram ao desgosto.

Ah, o vocal do Lou Reed é uma bosta. É. Mas está de acordo com a proposta. (Rimou!).

A sensação das repetições básicas e simples é a do Metallica ter tirado do lixo alguns riffs jamais aproveitados. Por outro lado, o q acho é q Reed deve ter passado as músicas do jeito TOSCO q toca/compõe: Hetfield, Trujillo e Kirk devem ter ouvido e tirado TUDO na 1ª audição. E metido umas palhetadas fáceis, pra ñ se entediarem. Guitarristicamente as músicas ñ parecem nem um pouco difíceis.

Engraçado na 1ª, lá pros 2’49” o Lars meio parecendo achar q a música terminou. Pára de tocar, mas daí vê q o som ñ acabou e volta. “Small town girl”, o refrão repetido por Hetfield, em nenhum momento me cansou. A proposta parece ser a de hipnotizar, ñ nos ganhar com agudeza guitarrística e solos, q inexistem.

Na 2ª, percebi alguma vacilada ulrichiana em manter a cadência (na altura de 1’40”) – mas pode ser apenas IMPLICÂNCIA; e um final a la “The Day That Never Comes” – música vinha monótona, resolveram acidentar um pouco.

Pior q “St. Anger” essas? Façam-me o favor!!!!

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“Pumping Blood” eu curti tb. Fosse uma única música do tal projeto, saindo nalgum álbum-tributo ou em trilha sonora de filme expressionista alemão, despertaria aquela curiosidade sem culpa dos fãs, e ficaria tudo na mesma. Mas tá contida num álbum já condenado sem dó.

O início ñ consegui distinguir serem cordas, sanfona ou foles. Dá um climinha. A quebra abrupta de peso em 2’09”, inesperada, curti. E a impressão dos sons anteriores, de feitos/gravados em ensaio, 1º take, aqui cai por terra: é música muitíssimo bem ajeitada (provavelmente em Pro Tools), com partes se sucedendo e brechas para Reed “recicantar”.

As duas partes só com Lars batendo e Reed declamando em cima achei fodas. E pertinentes.

E as coisas vão ficando pesadas dum jeito q ñ me ocorreu ainda perceber se riffs do início se repetem, ou se são riffs novos surgindo ao longo. (O q estranhamente me remeteu às primeiras vezes em q ouvi o “And Justice For All”). Claro q riffs pela metade: naquilo q citei acima, de parecer coisa composta pelas cordas sem nem esforço. O tipo de coisa q os caras tocam sem se dar conta, quando estão afinando. A mais thrash até então. Timbragem completamente Metallica em tudo.

http://www.youtube.com/watch?v=k9huGKW6OQ4&feature=player_embedded

“Mistress Dread” me parece o som mais pesado da banda desde “Dyers Eve”. Ñ mesmo?

E me fez pensar: “Lulu” até agora, parece o q “St. Anger” ñ foi. É provocador e incômodo, mas é o Metallica tocando e misturando-se a uma linguagem q ñ a deles. Soa autêntico, e beeeem diferente da época ridícula em q quiseram cometer (duplo sentido!) o new metal q estava na moda.

Fosse o Hetfield resmungando ou cantando, tvz fosse a faixa controversa dalgum disco deles. Quando Lars, na época do “St. Anger”, disse ali estarem se inspirando no Meshuggah – e cagou pela boca nessa – tvz estivesse profetizando “Mistress Dread”. Barulheira insana, digna de assustar os fãs de Lou Reed: tvz a gente como nós, q curte peso, passe até batida. Soa mal gravada e “borrada”.

A bateria é borrada exatamente como consta no “Death Magnetic”, por sinal. Coerência. Finalzinho com loop achei bem sacado.

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Outras impressões q me ocorreram, por ora:

  1. fosse disco q Reed lançasse sem creditar o Metallica, tvz chamasse melhor atenção. Criaria algum mistério e factóides a serem confirmados e refutados. E a quem curte heavy metal passaria batido; se muito, soando “interessante” – nada demais – a quem é mais cabeça aberta
  2. como assim, pior q “St. Anger”???
  3. é álbum na CONTRAMÃO absoluta dos tempos atuais. Ñ vai render videogame, ñ é coisa pra ouvir dirigindo ou em random no iPod. Muito menos ouvir em mp3. Ñ serve pra cantar junto, e se for apresentado ao vivo certamente soará uma BOSTA. Disco pra seguir letras – ñ parecem qualquer tipo de letra – no encarte (no Metal Archieves estão elas todas) e se impactar com ele. Ainda q negativamente. Mas negativamente com convicção, ñ só de se ouvir por alto
  4. viajeiras foram me remetendo a surrealismo, The Young Gods, Tangerine Dream, até Killing Joke (ñ se confessaram influenciados tb por eles lá no “Garage Days”?). Sons desconexos? Ninguém nunca ouviu o 1º do Fantômas, é isso?

Conversemos, pois, sobre os sons de 1 a 4. Pode ser?

15 respostas

  1. Tiago Rolim

    Tb curti. Quem conheçe o trabalho de Lou Reed, fica beeem mais fácil digerir o trampo. Quem é apenas fã de Metal e de Metallica tem tudo p achar uma merda. Saus observações foram bem colocadas e tendo a concordar com elas. Ainda não comprei o dito cujo, pois desenvolvi uma técnica de comprar CD’s que é a seguinte: NUNCA compre no lançamento, ainda mais se for um disco fadado ao fracasso. Pois eles sempre caem com o tempo, nem que seja em promoções relampagos do submarino.Já o vi por ai na faixa de R$40,00. APOSTO que ate o carnaval o compro por, no máximo, R$ 20,00.

  2. Marco Txuca

    Eu acho, Tiago, q se vc for à Galeria do Rock HOJE, vc já o encontra a R$ 15!

    E vc já o ouviu todo? Terei surpresas mais desagradáveis adiante?

  3. Tiago Rolim

    Não terá não. As músicas seguem o memso padrão, apenas ficam mais longas, a última tem quase 20 min. Destaco Frustation e a última, Junior Dad. Se vc gostou até aqui, vai gostar do resto fácil.

  4. Marco Txuca

    E ninguém mais por aqui ouviu, ou está ouvindo a bagaça? Só odiando por odiar?

  5. Jessiê

    Vou ouvir (não sei quando), mas ao que me parece muito metal pra quem curte o lou e muito lou pra quem gosta de metal. Por aí?

  6. Jessiê

    Comprei o Blu-ray do Big Four, ainda não ouvi/vi, mas a caixinha é capenga, mas o preço (59 na Saraiva) valeu, por enquanto, o investimento.
    Assisti O palhaço e recomendo.

  7. Jessiê

    E por falar em sites e afins segue duas dicas que sempre frequento: http://lockjaw-yappy.blogspot.com/ blog de mp3 de thrash em geral e podreiras obscuras de todas as formas (destaque para demos oitentintas); http://heavy-videos.blogspot.com/ um dos que mais frequento, clipes e shows, organizados em ordem alfabética por nome das bandas. Muito bom o site! Inclusive Sr. Txuca tem lá uns 10 clips do Dio, dá uma conferida.

  8. Rodrigo Gomes

    Odiei esse disco, mesmo que eu não tenha ouvido. Passo!

  9. FC

    Prefiro o Lulu brasileiro, o Santos. Sério, ainda não ouvi, mas tô sem pressa hehehehe.

  10. doggma

    Análise precisa, cara. Principalmente pelo fato de você destrinchar os sons com percepção de músico (como sempre), ao contrário dos críticos profissionais que analisam mais pela estética da coisa.

    “Lulu” é realmente um dos discos mais ousados e transgressores dos últimos tempos. Nem seu público-alvo é assim tão fácil: talvez admiradores de John Zorn, Robert Fripp, Zappa, dos projetos do Mike Patton e do álbum “Metal Machine Music”, do próprio Reed (aquilo sim é experimentalismo em estágio terminal). Metalheads e tradicionalistas cultuadores de Velvet Underground, ironicamente não.

    Ainda não absorvi completamente (esse semi-review ajudou bastante) mas me sinto motivado a seguir em frente. Aguardo pela continuação. O próximo som, “Iced Honey”, é moleza.

  11. Marco Txuca

    Então, doggmático: quando vc diz q eu analiso “com percepção de músico (como sempre)”, eu rebato ser esse o jeito q eu sei fazer.

    E fiquei aqui pensando: como é “julgar pela estética”? Mais além: como é julgar um álbum como tão convictamente ruim assim? Q parâmetros seriam levados em consideração?

    Pergunto pq eu simplesmente Ñ SEI, e tenho curiosidade em saber desses outros critérios indefectíveis.

    Ousadia e transgressão nos últimos tempos, eu concordo. Sobretudo em relação aos respectivos públicos-alvos: será q indies/críticos e headbangers ñ têm q ser sacudidos um pouco?

    O heavy metal como o conhecemos será q ñ precisa ser reinventado? Vivemos já 40 anos do 1º do Black Sabbath, heavy metal de chassi sabbáthico, e o paradigma AINDA Ñ MUDOU. Vez ou outra surge alguma banda com proposta diferente (geralmente alguma fusão, ou reuso de algum artifício de modo ñ-ortodoxo), mas proposta NOVA de fato, ñ aparece.

    Ñ q eu ache q “Lulu” seja a reinvenção da roda. Ñ o ouvi inteiro ainda, mas sei q ñ será. Por outro lado, num sentido mais amplo, me parece q apenas Radiohead e Björk estão ousando mudar padrões. Será q ñ deveria surgir um “radiohead metal” já pra ontem??

    E comparar com Zorn e Zappa, até entendo. Esteticamente dizendo, certo? Pois musicalmente, o q temos aqui ñ acho q chegue aos pés do “Jazz From Hell” (Zappa) ou de “Amenaza Al Mundo” (Fantômas).

    E o tal “Metal Machine Music” sempre tive curiosidade de ouvir, mas nunca o encontrei. Reed esteve aqui em SP ano passado (ou foi no começo deste ano) apresentando-o em shows (poucos) esgotados num SESC…

  12. Marco Txuca

    Mais pra reflexões. Opinião de Bob Rock a respeito: http://whiplash.net/materias/news_844/143305-metallica.html

  13. doggma

    Então, analisar pela estética é algo que os jornalistas musicais mais fazem, talvez pra fechar prazos e cumprir cotas, sei lá. É expressar uma opinião baseada numa análise superficial, buscando ali estereótipos que possam encurtar o julgamento.

    Um exemplo: falar que o show do Motörhead continua bom como sempre foi. Para os críticos, é “bom” porque Lemmy ainda está lá, cantando rouco e empunhando o baixo. Nem sequer percebem que o andamento das músicas está mais lento e algumas afinações estão mais baixas. Sem aspectos técnicos, só a perfumaria. E “Ace of Spades”.

    Citei Zorn/Zappa apenas como referências de quebradores de convenções. E realmente, “Lulu” não chega a ser revolucionário, nem pretende ser. Mas acho sensacional que o Metallica tenha bala na agulha pra gastar assim, com um projeto tão inclinadamente anticomercial. Puro avant-garde, como o Bob Rock comentou aí.

    Concordo sobre o paradigma sabbáthico. Incorrerei no clichê aqui: o “futuro do metal” está nas mãos do Mastodon. Ou no revisionismo do Ghost.

    Chegou a ler as críticas desses shows do Lou? Hilárias. Antes da primeira meia hora de show, o público abandonava o local à dezenas… deve ter sido fantástico presenciar isso.

  14. marZ

    Primeiramente, desculpe pela ausência. Seu site está bloqueado no meu trabalho, então levo mais de 15 dias pra conseguir ler o que escreve.

    Eu curto ambos os artistas e não sou músico. Avalio uma obra pelo efeito que ela me causa. Conceitos de bom e ruim são relativos e pessoais. Eu não gostei e pronto, apesar de achar o conceito ousado. Ouvi 4 vezes e juro que com boa vontade, mas não rolou.

    Mas no fim das contas, foda-se o que eu acho. E ambos são artistas consagrados e têm mais é que lançar o que lhe derem na telha mesmo, e não o que se espera deles.

  15. Marco Txuca

    Concordo, märZiano, q são tudo gente já num outro nível, de “foda-se”: querem lançar isso, até pouco ligando pra polêmicas ou eventuais encalhes.

    Penso q isso é necessário de quando em quando, pra se fixarem limites. Ainda q o limite estabelecido possa ser o de ninguém querer pegar “Lulu” como paradigma.

    E ñ desculpo por ausência PORRA NENHUMA: apresente atestado, devidamente autenticado em cartório e em duas vias!! ahah

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