Thrash com H

MEIO Q VALE 5 CONTOS

sexta-feira, 31 dezembro, 2010 por Txuca

skolnick-trio

“Goodbye to Romance: Standards For A New Generation”, Alex Skolnick Trio, 2002, Magnatude Records

sons: DETROIT ROCK CITY [Banda Beijo] / DREAM ON [Aeromstv] / NO ONE LIKE YOU [Scorpions] / GOODBYE TO ROMANCE [Ozzy Osbourne] / STILL LOVING YOU [Scorpions] / SKOL BLUES / PINBALL WIZARD [The Who] / OFRI / WAR PIGS [Black Sabbath]

formação: Alex Skolnick (guitars), John Graham Davis (double bass), Matt Zebroski (drums)

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Num post por aqui cometido há tempos (“Colega Pentatônico de Blog”, em 17/07/09), lembro haver dialogado com o amigo Louie Cyfer sobre nossas divergências eternas a respeito de Alex Skolnick, pra mim o 2º maior motivo de eu jamais ter ido tanto com a cara do Testament pré-“Return to the Apocalyptic City”, enquanto q pro amigo um super-guitarrista, cara batuta, relevante, coisa e tal.

Claro q as divergências apontam pro fato de eu ñ tocar guitarra, embora tenha tido sempre a noção de q ele tocava DEMAIS pra banda ali. Argumentei naquele post, inclusive, minha impressão de ele ter caído muito melhor no Savatage, onde toda a firulice e fritação pareceram fazer mais sentido. Caber. O amigo Louie, louicidamente (ops!), argumentou pontos precisos como os do Skolnick haver PRECISADO SAIR da horda do Japa e do Índio pra seguir um caminho próprio tocando fusion e jazz, enquanto q o Testament sem ele foi tb paralelamente evoluindo. Até fazerem sentido juntos de novo no “The Formation Of Damnation”, em q Skolnick claramente (consigo perceber isso!) pouco atrapalhou.

Meses atrás, finalmente adquiri este álbum (pirata, mas com capa, contracapa e encarte xerocados. Em p&b) do Alex Skolnick Trio. Pra poder me inteirar melhor e prosseguir a elibada conversa divergente. E minha opinião/conclusão já deixo explícita: ñ é um disco – e parece ñ ter sido tb uma carreira (com outros 2 álbuns) – q a meu ver ACRESCENTA algo. Fãs do Skolnick firuleiro certamente ficaram algo frustrados, pois o jazz aqui existente é aquele “de elevador”, ambiente, semi-acústico e de baixo volume, pouco dado a arroubos shredder. No pouco q conheço, de veia Stanley Jordan. E fãs de jazz certamente ñ deram a mínima. Por soar tvz como um “invasor” em campo alheio. Tentando jogar com embalagem jazz, mas de conteúdo outro.

Hipotetizo-o pelo REPERTÓRIO, de versões semi-acústicas e instrumentais de baladas de hard rock, exceção a “War Pigs” e “Pinball Wizard”: por q raios um fã de jazz – ainda mais o da parcela mais ortodoxa, q tende a desdenhar de rock – se interessaria por versões tais quais? (Ah, “Detroit Rock City” ñ encaixa em “baladas”. Mas foi quase tornada uma). Ainda mais quando todas as versões acabaram seguindo um mesma estrutura: 1) tema principal reconhecível, embora amenizado; 2) trecho no meio de suposta improvisação (cara ao jazz), de solos jazzísticos enxertados nos sons; 3) volta à inteligibilidade (e tema principal), pra daí fechar. Pessoalmente, ñ me animaram muito, exceção novamente a “War Pigs” (q acho q até se o Skank fizer versão eu vou achar do cacete), por me soar o som mais a ver com a proposta jazzística, sem necessidade de muitas alterações.

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“Skol Blues” e “Ofri” são os sons próprios – enormes – e vão no mesmo molde. Desvantagem e diferença deles é ñ termos como associá-los a algo anteriormente conhecido. Hipótese q faço é q se tivessem ocorrido mais sons assim, em detrimento das “versões”, o álbum seria ainda mais obscuro (comercialmente falando) e hermético (esteticamente falando). Claro q pesa aqui o fato de eu (ainda) entender pouco de jazz, nunca ter ouvido a “No One Like You” original, e da prévia antipatia ao Skolnick me impedirem análise mais objetiva e menos dada a objeções por birra. Algo adicional q ainda ñ consigo ter: a capacidade de ouvir músicas assim sem estar na cadeira da dentista.

O pouco q já vi no You Tube do tal The Bad Plus (trio jazzístico canadense, de q já postei por aqui vídeo deles cometendo “War Pigs”) e até mesmo do citado Stanley Jordan, me agradam mais. Pois, fora birra e ignorâncias acima confessadas, ñ consegui me desfazer da ambigüidade do disco – é jazz, mas é de versões amenas de metal e hard rock. Ñ sendo bem um, nem outro – nem da presunção do título, forçando em “Standards For A New Generation”… Até mesmo pq uma “nova geração” de molecada q toca pra cacete mal me parece interessada em jazz, fusion, Miles Davis, Alex Skolnick ou Marty Friedman: querem é entrar num conservatório pra aprender a tocar (e imitar o) Dream Theater

De todo modo, creio ter valido o esforço do Alex em querer trilhar praias diferentes, acrescentar elementos à sua identidade sonora (o projeto, como muita coisa em jazz, me parece ser coisa q interessa febrilmente apenas a quem toca. Coisa mais masturbatória nesse sentido q Malmsteen, Satriani, Steve Vai) ou cativar os fãs mais entusiasmados fazendo algo ñ tão óbvio. Ficando um daqueles cd’s de fundo de prateleira (ou pasta em hd semi-esquecida) pra se ressuscitar de vez em quando só pra mostrar a algum fã de thrash metal retrô bitolado. Toca pra caralho, Louie, entendi: e voltar ao Testament realmente pareceu tirar dele aquela fome de querer tocar jazz onde ñ devia.

A quem se interessar, ainda os outros 2 álbuns lançados pelo Alex Skolnick Trio: “Transformation”, de 2004, com mais sons de autoria própria (5) e versões pra “Electric Eye” (Judas Priest), “Money” (Pink Floyd), “Blackout” (Scorpions, de novo), “The Trooper” (Iron Maiden), “Don’t Talk toStrangers”  (Dio) e “Highway Star” (Deep Purple) – versões estas q me soam bem mais interessantes q as descaradamente comerciais deste “Goodbye to Romance…” – e “Last Day In Paradise”, de 2007, com 6 sons próprios fora versões pra “Tom Sawyer” (Rush), “Revelation (Mother Earth)” (Ozzy), “Practice What You Preach” (!!! – da horda-mor) e uma certa “Out There Somewhere”, q ñ consegui saber de quem é.

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PS – e há a curiosidade da capa de “Transformation” ser o oposto da de “Goodbye to Romance…”, dialogando com ela num jogo de figura-fundo: pois enquanto nesta a guitarra semi-acústica é destacada com a flying v de fundo, neste outro ocorre o contrário.

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CATA PIOLHO CLXXXIX – das coisas q se perderam da mudança do vinil pro cd. Detalhes da capa de “Powerslave” (Iron Maiden):

1) acima da 1ª esfinge à esquerda, a inscrição “Indiana Jones Was Here 1947”

2) acima da 2ª esfinge, mesmo lado, uma caricatura grosseira do Mickey Mouse

3) no friso horizontal à esquerda, abaixo das pombas (gaivotas?) voando em círculos, alguma inscrição mais ou menos inteligível, q diz “Wot a load bul of crap”

4) acima da 2ª esfinge do lado direito, um rosto desenhado com alguma pergunta “Wot? No Quiness” (?!)

Pode ser q haja mais coisas: quem souber, q deponha por aqui!

Uma resposta

  1. Louie Cyfer

    Bacana resenha Txuca… Concordo com vc q este cd é fadado a ficar empoeirado no fundo de gaveta e serve mais pra enfiar goela abaixo de Trú “descrente” (hehehe) do que ouvir constantemente.

    Mas como disse, a necessidade de Skolnick de fazer algo diferente, mostrar que era capaz, foi um capítulo importante na carreira do Testament.

    Quem ainda se arrisca a ouvir o The Ritual de vez em qdo consegue perceber que o cara estava num patamar superior que o restante da Banda. E com certeza a amizade dos dois criou esse disco chato.

    Digo amizade, pq o Japa tirou o pé do acelerador (já vinha fazendo isso nos anteriores) em detrimento das nuances melódicas criadas por Skolnick, talvez para apaziguar os ânimos em relação a direcionamento musical da Banda.

    Tanto que qdo a coisa toda explodiu, cada um foi pra um canto, o Testament enfureceu de vez guiado pelo Japa, Alex fez o que queria (mostrou a todos que podia sim tocar além Metal) numa curta (e divertida pra ele) carreira “solo” até que os egos acalmados viessem novamente se encontrar.

    Qdo lançaram “First Srike is deadly” o primeiro grande susto em relação ao Skolnick é sua pegada. Incrivelmente diferente pelos seus anos na onda Jazz, mas ainda melódico e musical, me deixou duvidoso sobre sua permanência ou não na Banda.

    Tudo se dissipou qdo Formation foi lançado, pois a melodia continuou, o Japa comandou o lado porrada e o índio… vamos ser sinceros, ninguém bate o índio em melodia e grosseria extrema num mesmo gogó.

    Ponto pros dois. E quem ganhou mais ainda foram os que curtem Testament. Este que vos escreve é um deles.

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