Thrash com H

THRASH COM H CLASSICS

sexta-feira, 30 abril, 2010 por Txuca

Publicado originalmente em 25 de Março de 2007 e reprisada por motivos óbitos (digo, óbvios)…

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SERVIÇO DE UTILIDADE PÚBLICA THRASH COM H

carnivore

“Retaliation”, Carnivore, 1987, Roadrunner

sons: JACK DANIEL’S AND PIZZA * / ANGRY NEUROTIC CATHOLICS * / S.M.D. / GROUND ZERO BROOKLIN / RACE WAR / INNER CONFLICT / JESUS HITLER * / TECHNOPHOBIA / MANIC DEPRESSION [Jimi Hendrix] / U.S.A. FOR U.S.A. * / FIVE BILLION DEAD * / SEX AND VIOLENCE / faixas bônus (relançamento): WORLD WARS III AND IV / CARNIVORE / THE SUBHUMAN

formação: Peter (bass, vocals), Mark (guitars, vocals), Louie (drums)

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A resenha q se segue é bastante indicativa a quem, vivendo os anos 80, ñ chegou a conhecer o Carnivore. Como eu, q só recentemente tive acesso a este “Retaliation”, alvo tb recente de revival e considerações q em sua época de lançamento tvz ñ tivesse tido tantas.

Sim, o Carnivore era a banda do Pedro Aço (vulgo Peter Steele, atualmente no Type O Negative), e ñ fosse isso provavelmente ñ teriam voltado em 2006 pra tocar no Wacken. Voltaram, provavelmente embolsaram um pezinho de meia e já des-voltaram (ainda q o Metal Archives os dê como banda ainda ativa): pouca gente reparou, a repercussão (pelo menos aqui no Brasil) foi pouca – pra ñ dizer nula – e é isso aí. Ao menos ñ tentaram forçar barra de gravar disco novo, de prometer show por aqui ou causar polêmica envolvendo desacordos ou incongruências folclóricas entre integrantes. Q afinal, fora Peter, eram quem mesmo?

Mark, guitarrista, era Mark Piovanetti, q postumamente faria parte do Crumbsuckers (hein?) em fins dos 80’s; Louie era Louie Beateaux, de passagens anteriores pelo Fallout (quem?), banda tb anterior do Peter, passou pelo Agnostic Front [S.U.P. em jul/05] e pode ser q ainda toque, numa banda chamada Aggression (se bem q ñ entendi bem a ficha no M.A.). No único álbum outro da carreira da banda, o anterior auto-intitulado, quem tocava guitarra era um tal Keith Alexander, q consta haver morrido num acidente de bicicleta em 2005, ñ sem antes passar por um certo Primal Scream (q ñ aquele indie pedante britânico) e haver tocado no Dee Snider’s SMF.

Ah, então tá. Já diz muito sobre a banda.
Tvz ñ tanto pra trocentos parágrafos de enrolação biográfica, costumeiros do S.U.P.. Menos mal. Ao som:

Meio um híbrido de thrash com punk nova-iorquino oitentista – ñ o pula-pula noventista metido a mano. Ñ lembro onde (achei ter sido no allmusic.com, mas voltei lá e ñ encontrei), mas vi certa vez uma descrição como eles sendo um Slayer punk”: ñ descreve bem, mas dá alguma referência, por conta das temáticas abordadas e pela URGÊNCIA com q os sons são apresentados. Contanto q ñ se espere rifferama inspirada e imortal (maior parte das guitarras é passagem de acordes rápidos e bruscos), tampouco solos-alavanca em profusão e a rítmica destacada (as batidas aceleradas no modo hardcore antigo predominam). Duvido q quem curte o Sodom oitentista, assim como tb fãs dos álbuns mais metal do Agnostic Front ou apreciadores ainda das vinhetas diretas-e-retas do Nuclear Assault primordial ñ fique fã.

No entanto, q ñ fique a impressão de sujeitos ostentando tosqueridade sonora: mesmo ñ sendo fabulosos instrumentistas, a receita dos sons aqui apresentados demonstra uns caras fazendo som sem tentar inventar demais nem usar a precariedade técnica como álibi para ñ ter gravado coisa melhor. Mesmo pq “Retaliation” está longe, bem longe, de ser um álbum ruim: entrosamento por aqui é ponto pacífico. E ouso ainda dizer q de tanta banda ruim, lado b, lado c, lado d voltando, esta certamente encontra-se entre as menos piores.

“Retaliation” é bem produzido e gravado, coerente e homogêneo (ñ tem faixas muito superiores, nem muito inferiores às outras) e tem as músicas todas tendo uma mesma concepção: baixo e guitarra básicos acompanhados por guitarra q às vezes ousou dar passos adiante, e com o vocal conduzindo as letras alheio às passagens, riffs, bases, formando linhas melódicas à parte (inclusive fora de tempo), em torno das quais as músicas se desenvolvem. Acabada a letra, acaba o som.

Capítulo – e aqui, no caso, 4 parágrafos – à parte tem q ser dedicado às LETRAS de Steele, várias delas enfocando aspectos sócio-políticos (“Race War”, “USA For USA” e a única datada, “Ground Zero Brooklin” – q trata de Nova Iorque enquanto provável alvo de míssil soviético; tempos de Guerra Fria e Holocausto Nuclear…) ou sérias (“Inner Conflict” é praticamente um tratado splatter de alguém descrevendo processo de autodeterioração), mas q nas mais legais – pra mim, as q fogem a isso – revelam um senso de humor único e apurado.

Q ñ poderia ser meramente enquadrado como ‘politicamente incorreto’, ‘excêntrico’ ou ‘de mau gosto’. Tem um pouco de cada, mas ñ se fecham num ou noutro, ou naquele. No Carnivore, Steele parecia fazer algo q apenas nas entrevistas e declarações do Type O Negative se tem: o dischavar dum humor único e insólito, ao mesmo tempo sarcástico e solene, como tb mordaz e desconcertante. O q dizer então – chavão de Orkut isso – de “Jack Daniels And Pizza” inicial? Apenas, pra ñ estragar a graça, ser uma vinheta introdutória sem uma única nota q envolve vomitar e uma privada. Memorável, pra dizer pouco.

“Angry Neurotic Catholics” desanca os católicos fervorosos duma maneira tão mais contundente q noruegueses a granel. E a melhor de todas, ANTOLÓGICA MESMO, é a de “Jesus Hitler”, sobre a estória do sujeito homônimo, nascido duma freira estuprada por um nazista na 2ª Guerra Mundial e profundamente perturbado por ñ saber sua missão na vida: proteger ou exterminar os judeus? ahahah

“Race War”, voltando às letras ‘sérias’, vale uma lida enquanto um tratado de humor duvidoso a respeito do direito q as diferentes etnias nos EUA teriam de se odiar umas às outras: ñ é lá a ‘terra da liberdade’ afinal? “Sex And Violence” parece baseada em “Laranja Mecânica”, futurista tanto quanto “Technophobia”, denotando Steele como letrista com referências a mais, ao passo q “USA For USA” soa esquisita, meio q tirando sarro do poderio bélico estadunidense tratando em 1ª pessoa – na visão do agressor – do assunto, posando de arrogante (“Ya don’t fuck with the eagle”).

E para quem ñ encara o vocal forçado e falsamente tenebroso imposto com toneladas de compressores no Type O, a GRATA SURPRESA por aqui é a vocalização verdadeira de Steele. O sujeito é rouco mesmo (mas ñ tãããõ rouco), e o fato de ñ ir nem pro gutural, tampouco pro rasgado torna o fato algo q poderia influenciar outras bandas, outros vocalistas. A única banda q a mim vagamente chega perto, nesse sentido, acho o Força Macabra [S.U.P. em dez/05].

Passagens por alto: “S.M.D.” tem alternância de temas e andamentos bem interessante, com passagens bem Black Sabbath (presentes tb em tudo o q é passagem lenta), como “Ground Zero Brooklin”, da bateria mais grind por aqui, fora refrão com backings a ñ ser rejeitado por fãs xiitas de Anthrax e Exodus, e q tal qual “Race War”, por serem mais arrastadas em várias passagens, só me parece q poderiam durar menos. “Jesus Hitler”, afora ‘partes Sabbath + passagens velozes’, contém a passagem de solos de guitarra mais legal, trabalhada e inspirada.

“Technophobia” em sua base inicial, é coisa fina pro paladar de quem ouve o “Show No Mercy” todo dia, assim como “USA For USA” o é pra assíduos no “Reign In Blood”, e demonstram q ao longo das faixas as coisas ficam mais técnicas. A versão de “Manic Depression” ñ macula o legado de Jimi Hendrix, adaptando-a a 2 bumbos; “Five Billion Dead” cai bem como instrumental, com abertura pro tal Mark se mostrar um tanto mais (o q tb fez na “Sex And Violence” seguinte), parecendo estrategicamente bem colocada na seqüência de sons.

Caso excepcional de banda cult mais influenciada q influência (ou alguém já viu gente declarando “minhas influências são Carcass, Bezerra da Silva e Carnivore?), haja visto tb a batida motörhéadica, “Overkill”, de “Inner Conflict”, sou da opinião de q o Carnivore e este “Retaliation” merecem, sim, uma 2ª chance, uma apreciação devida. Mesmo q em 1987 a própria Roadrunner ñ lhes tenha dado tanto crédito, o q o digo baseado 1) no fato de q até há pouco tempo o álbum ñ havia sido relançado em cd (fora o anterior, q parece q permanece), 2) na impressão de a própria banda, com visual “Mad Max” em fotos de divulgação, tb ñ se levar tão a sério, e 3) na capa – na verdade, DUAS CAPAS q tem “Retaliation”: a capa consagrada, do álbum relançado no Brasil com bônus (as 3 últimas faixas) era, na verdade, uma arte ruim em relação à arte original, q é a q consta no relançamento gringo.

A capa colada acima é a da versão original.

2 respostas

  1. Yulo Braga

    Sem saber, tinha comentado com minha esposa esse “Slayer Punk”…
    Talvez pelo “Undisputed…”, discão aliais.

    Voltando ao Carnivore, que somente conheci em 2008, Achei esse melhor que o anterior. E pra minha surpresa, encontrei o 3º banger que curte os caras.heheh
    Acho esse parecido com o “Cada dia mais sujo e agressivo” do Ratos.Mais pela levada hardcore.
    Ou nem tanto?

  2. Marco Txuca

    Acho q quando o Banderas vir isto aqui, revelar-se-á o 4º banger… já dá pra montar banda cover ahahah

    (e ele, q é baixista, q se vire pra cantar ahahah)

    Quanto à comparação com o disco do R.D.P., terei q reouvir “Retaliation” com essa perspectiva. Mas a impressão é a do “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo” ser melhor. Tecnicamente e tal. E intencionalmente crossover.

    O Carnivore será q ñ era um crossover “sem querer”?

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