CIRITH UNGOL
abertura: Night Demon/ 07.03.25 – Hangar 110

Era um clima de NWOBHM no ar. E eu sem entender muito o porquê. Cirith Ungol não encaixa.
Muita gente com jaquetas de patches de Saxon, Exciter, Running Wild e Tygers Of Pan Tang. Vi camisetas de Piledriver (!), Acid (!!) e Angelwitch.
Bandas de tiozão 60+, mas usada por gente mais nova, como um sujeito recorrente no 74club q parece o taxista do clipe de “By the Way”, do Red Hot Chili Peppers (bandana na cabeça e tudo). Uma cena true diferente: não dorme-sujo e sem idade pra ter vomitado bomberinho na Led Slay. Havia os veteranos assim tb, poucos e circulando pelas beiradas com goró na mão.
Perdi Chumbo e Hellish War por opção (guardar fôlego) e trabalho (encerrei às 19h e só saí de casa umas 20h). Quando tocarem num Sesc ou no Iglesia, em horários acessíveis, vou tentar assistir.
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Entendi a vibe NWOBHM assim q entrou o Night Demon, meio uns 15 minutos depois q cheguei. Power trio, guitarrista e baixista portando modelos flying–v e o baterista pouco mais novo. Fita de introdução épica e contundente.
Tocaram som após som, quase sem intervalo. 3ª música puxada por um solo de bateria na medida. Meio Raven, meio Motörhead fase Eddie Clarke, meio Tygers Of Pan Tang mesmo.
Olhava pro tanto de cabeçote, amplificador bom e notebook no palco e pensei “uau, noite profissional por aqui hoje”. Não sabia q eram americanos: Metal Archieves me disse. Tb não sei se as bandas antes usaram o mesmo equipo, provavelmente não.
Nenhuma nota fora do lugar, nenhuma microfonia. Som impecável, coisa de quem passou o som à tarde. Banda redonda, repertório coeso, muita gente curtindo. Sabiam q eram abertura, q tinham pouco tempo e exalaram profissionalismo.

Teve interação conosco tb, numa hora em q o baixista/vocalista (baita vocalista, por sinal) intimou o público a guardar os celulares. “O show somos nós e vcs” (sic), no q soaria autoritário não fossem as palmas pela postura.
Eu, q já tinha tirado o suficiente de fotos, guardei o meu, meio constrangido. Gostei demais da presença, e da sonoridade, mas não sei se compraria cd. Q não tinha à venda no merchan.
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Por volta de 20 minutos depois (mesmo), a cortina se abriu novamente e entrou o Cirith Ungol. E entendi de chofre a agilidade: simplesmente os baixista e guitarrista (Jarvis Leatherby e Armand John Anthony) do Night Demon eram tb do CU.
A banda tem 2 integrantes originais: o idiossincrático vocalista Tim Baker e o baterista peculiar Robert Garven. Leatherby e Anthony seguram bem a onda como músicos de apoio. Provavelmente melhor q os dois guitarristas e baixistas velhos outros de antes.
E aí cabe contextualizar: esse show, com essas mesmas aberturas, tinha sido remarcado duas vezes. Era pra terem vindo em novembro de 2023 (com promessa de “última turnê”), daí em março de 2024. E só vieram agora, sei lá se ainda com ideação suicida.
Algum youtubber metaleiro ou influencer modinha (tinha um tonto lá, querendo ser reconhecido) teria q perguntar.

E cabe dizer q o show foi surpreendente tb. Baker simplesmente atrai todos os olhares e tem a mesma voz do início ao fim. Isso, vindo de alguém com 68 anos.
Garven é meio torto e exagerado nas viradas, mas esteve à vontade. Esbanjou pegada e teve até um breve solo, q em nada atrapalhou o ritmo da apresentação. Banda ensaiada tb ajuda: se errou ou rateou, todo mundo errou junto ahahah
Destaques: as músicas mais velhas e clássicas, como “Black Machine”, “Frost & Fire” e “I’m Alive”. O tempo total foi de 1h10min, suficiente pra Baker, q ao fim acusava a idade e apontava o relógio.

Insisto: não miguelou uma passagem, interagiu fazendo caras e bocas e preferiu agradecimentos protocolares. É carismático sem precisar falar.
E não sei de verdade se o setlist acima foi tocado todo. Impressão de terem descartado uns 3 sons. Cabe aos resenhistas e sites oficiais me ajudarem nisso…
Show improvável, tanto quanto o do Atheist doutro dia – “caralho, vi o Cirith Ungol” – numa vibe metaleira bastante satisfatória. Torço pra q, em não encerrando atividades, não demorem tanto pra voltar.
Ao mesmo tempo em q penso q se voltarem será inevitavelmente inferior ao tônus demonstrado sexta. Melhor não voltarem?