Punho De Mahin, Atos de Vingança e Inocentes – Casa de Cultura do Butantã, 24.05.05
Dead Fish e Sepultura – palco Butantã, 25.05.05
Falei a amigos q não faria resenha dos shows da Virada Cultural, mas alguns outros e especialmente um novo colega espectador por aqui (seja bem vindo, Fernando Romano!), perguntaram a respeito, então meio q fiz. Em forma avulsa de comentários.
Foram 5 shows! Seguem:
UM: assim como Krisiun e RatosdePorão ano passado, percebi uma preocupação de Inocentes e Sepultura focarem em setlists mais “clássicos” devido ao público periférico, de muita gente q estava vendo as bandas pela primeira vez.
DOIS: chegando à estação Vila Sônia no domingo, vi muito fã de Fresno (tocaram antes do DeadFish) em sentido contrário. Voltando pra casa. Muita menina e gays. Não são o mesmo público de hardcore?
TRÊS: Clemente (Inocentes) meio perdendo a paciência com alguém na grade pedindo “Pânico em SP” desde o primeiro som. O mesmo tipo de idiota q vai a show do Krisiun pra ficar pedindo “Black Force Domain”. Falava pro cara “vamos tocar no final”, “vc só quer ouvir ela?”, “tem um monte de música ainda” etc. Tem o meu apoio.
QUATRO: barracas com copos d’água gratuitos. Estratégicos no domingo. Alexandre de Moraes presente ahahah Por outro lado, merchan do Devotos (tocaram antes do PunhodeMahin, não quis ver) vendendo cds a 80 reais achei irreal.
CINCO: Sepultura foi um baita show. Claramente muita gente ali vendo desde há muito ou pela 1ª vez. Pouco mais de hora e meia de repertório. Mas beirando o burocrático. Parece q estão empurrando a carniça, acho q deviam acabar logo. Greyson fazendo umas viradas só com bumbos, me pareceu disperso. Ou vai ver não se ouviu bem.
SEIS: nunca tinha ouvido DeadFish. Fizeram um show impecável, sem falhas na execução ou no som. Fiquei realmente admirado de como tinha gente cantando TODAS as músicas. Tiozões do hardcore (são 34 anos de banda) se abraçando, apontando uns pros outros, e tudo. Mas não é pra mim.
SETE: discursos anti-Bozo praticamente inexistentes. Clemente e DeadFish provavelmente estavam ligados em não fazê-los, pra vereador MBL filho da puta arrombado (redundâncias) não vir depois com lacração ou querer sustar cachê.
Durante o Inocentes, rolou do público um coro de “sem anistia”. Baterista acompanhou com bumbo, Clemente incentivou. Mas não instigou. Rodrigo DeadFish foi pelas beiradas: xingou o Agro, enalteceu o MTST e no final dum som mandou um “Bolsonaro vai ser preso”.
OITO: AtosdeVingança montaram os instrumentos e equipamentos no intervalo entre PunhodeMahin e Inocentes, tocando na rua. Na veia. Curti. Crossover mais puxado pra metal (vocal gutural, palhetadas, duas guitarras, pedal duplo na bateria do baterista acima da média), q gosto e penso estar em falta.
Falei isso pro vocalista/guitarrista, de quem não perguntei o nome e me entregou não serem banda “estamos gravando um disco”: tem sons no Spotify. Recomendo. E não foi exatamente uma intervenção: foram autorizados e tiveram equipamento cedido pela Casa de Cultura.
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NOVE: cheguei sábado no primeiro som do PunhodeMahin, q não teve a produção (tipo telão) do Sesc recente, mas em compensação teve muito mais sangue nos olhos.
O som estava muito melhor q do Sesc. ALTO. O palco está ficando melhor e menor pra eles e elas. Coesão das músicas, discursos entre elas ficando mais retos e um público nitidamente novo a eles, mesmo a banda sendo periférica.
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DEZ: sacanagem do Burger King apinhado de metaleiros e punks no domingo fechar os banheiros lá pelas tantas, alegando estarem “quebrados”. Ou foi pq a fila do banheiro estava maior q a do caixa?
Fossem shows do Agro, fariam o mesmo? De todo modo, almocei ali EM PÉ e tive q voltar ao metrô pra mijar no banheiro da estação/mall.
ONZE: sacanagem do metrô em DESLIGAR as escadas rolantes na volta da multidão pós-Sepultura. Entendo q tvz houvesse riscos – e mesmo a passarela por sobre a Avenida Pirajussara tremia com o tanto de gente passando – mas achei isso perverso.
DOZE: DeadFish e Sepultura serem as maiores atrações da Virada Cultural deve ser um “chupa” pra alguém. Não me ocorre a quem ou “quems”?
Não ter havido tretas ou mortes (houve risco) (e vi tiozões metaleiros desmaiando) tb me parece um grande “chupa” a quem tvz tivesse esperando pelo pior. Tvz organizadores q vêm reduzindo a Virada nos últimos anos.
TREZE: Sepultura mexeu no repertório tb incluindo “Choke” e “Agony Of Defeat”. Fracas. Deveriam rancar fora “Orgasmatron” tb. Pq fazer medley dela (tocar 1ª e 3ª estrofe) acho uma bosta. Já estava uma bosta ano passado, Derrick Green não sabe a letra e parece não querer saber.
Em compensação, “Desperate Cry” achei a melhor. Tinha um backingtrack de teclado, mas tudo bem. Não lembrava q ela tinha 1000 partes diferentes. “Atittude” foi tocada de pau mole (achei Greyson desinteressado nela) e “Dead Embryonic Cells” foi foda. Mas faltou “Biotech Is Godzilla” ou mais sons do “ChaosA.D.”.
CATORZE: sinalizadores adoidado no Sepultura. Não sei se chega a queimar filme pra shows de metal em próximas Viradas (e teve revista na entrada), mas me parece q depois do SystemOfADown vai virar regra.
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E é isso o q me ocorre. Qualquer coisa, volto e acrescento coisa. Ou nos comentários. Façam comentários.
Começo a “resenha” pelo fim: os 4 integrantes emocionadíssimos ao final do show, cumprimentando amigos, parentes e público presente (no q incluiu a mim, Debora, o filho dela e meus 2 cunhados) q calculei em 200 pessoas. Numa quinta-feira fria à noite.
Punks das antigas, como Ariel (InvasoresdeCérebro) estiveram presentes. E numa entrevista compartilhada por eles em seu Instagram, e q compartilhei por lá com os amigos, a guitarrista Camila fez questão de referendar o passado e o local: estavam tocando no mesmo local d’O Começo do Fim do Mundo, de 1982.
Não é pouco.
Falo de mim: conheci a banda e troquei idéia com seu baixista, Duh, naquele festival em março no CCJ, quando o PunhodeMahin dividiu palco com RatasRabiosas, InRaza e Eskröta. Não sabia q eles tinham iniciado atividades no dia da Consciência Negra em 2018. Sequer q já tinham um álbum lançado há 3 anos – tá no Spotify – “EmbateeAncestralidade“.
Agora sei, e corrijo a impressão de banda totalmente nova e recente. Tem chão e alguma estrada. Mas não desmerece o evento, totalmente deles e com o tanto de gente presente ao Sesc.
Era um evento gratuito, o q tb não desmerece. Mas não vi youtubber metaleiro nem resenhista de metal nacional presentes por ali. Por q são punks? Por q são pretos? Por q não teve participação especial de quadros do Angraverso? Tvz tudo isso.
O ranço é meu.
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A afinidade com o BlackPantera é tremenda, embora sejam mais punks. Camila usava camiseta do Cólera, influência sonora mais evidente. E um pouco menos, o RatosdePorão do “CrucificadosPeloSistema“.
É o punk periférico, e agora tb preto, dando a volta em si mesmo e à urgência de seu nascedouro paulistano. “O punk nasceu preto”, dizem. Digo q o punk está RENASCENDO preto, q ótimo. Dois caras, duas gurias mandando ver. Chutando a porta e sem pedir “por favor”.
Foi basicamente uma hora de show, com intervenções dum poeta negro e de um mestre de capoeira – de quem guardei nomes na hora, mas não anotei, daí esqueci… – pra lá de pertinentes. É o punk atualizado, um façavcmesmo repaginado.
Tb não tirei foto de setlist, mas já reconheci músicas como “Xingú”, “Protagonistas” e “Racistas”. As projeções em telão deram um destaque ao q Natália (boa vocalista) ia descrevendo nas letras. Como quando explicaram quem foi Mahin.
Luísa Mahin, líder da Revolta dos Malês, uma das tantas insurreições populares q a História oficial omite. Pra falar de constitucionalistas (pretos e pobres induzidos por gente rica) anti Getúlio Vargas DERROTADOS, sobra narrativa.
A tese foi dita por Natália, o aparte sobre paulistas 1932 é meu.
O porém veio do som, mal ajeitado. Primeiras músicas, bateria inaudível. Músicas seguintes, bateria e guitarra inaudíveis. Mudamos de posição na platéia, melhorou um pouco. Mas não muito. Defeito grave em relação ao Sesc Pompéia, q não é de falhar em som.
E Duh havia me dito antes (reconheceu a mim e minha camiseta Heineken/Hannemann) q tinham feito passagem de som… Estava melhor no rolê CCJ na Brasilândia, mil vezes.
De qualquer modo, um puta show duma banda q está crescendo a olhos vistos – tocaram ainda ontem no Carioca em festival com RatosdePorão e TheExploited, vão tocar com o BlackPantera no The Town em setembro, e assinaram recentemente com a Deck Discos – e sem deslumbrar.
Tudo o q conseguirem parece absolutamente merecido. (Aliás, tocaram um som anti “meritocracia” foda tb) e recomendo o PunhodeMahin, ativista e combativo, a quem quiser sacar um novo finalmente vindo.
Pensem num rolê longínquo: duas horas pra ir, duas pra voltar. Metrô e ônibus, ônibus e metrô. Brasilândia. Periferia.
Pensem num rolê q valeu muito a pena. Fosse pago, teria sido pra lá de bem gasto.
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Previsto começar às 15h no domingo, cheguei pontualmente atrasado (ônibus errado foi parte da encrenca) às 16h. Quando começava o RatasRabiosas.
A banda maís punk do fest, e punk tosco mesmo. Já as tinha visto ano passado no Tendal da Lapa, e de cara lembrei pq não gostei tanto: a baterista toca todasasmúsicas igual. Sempre a mesma levada.
Mas faz parte da proposta. Achei melhor dessa vez. Três mulheres com atitude; a guitarrista, com duas ou 3 filhas circulando pelo lugar. A baixista, grandona, tatuada e tipo pin-up; a baterista, apesar dos pesares, firme.
Não lembro nomes de músicas, lembro q o som estava ótimo (tônica do evento todo) e q representam demais. Ao final, meninas e crianças subiram ao palco pra tirar selfie, pegar palheta, cumprimentar. O meio é a mensagem: recados dados.
Anti-machistas, anti-fascistas, anti-racistas. Na veia, nada cirandeiras ou woke.
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A seqüência trouxe a banda mais diferenciada: PunhodeMahin. Punk preto e pardo, com um baterista incrível ousando com percussões afro.
Mandou uma conga no início da apresentação, mandou um pandeiro contundente no início de outra música. Sem macumba pra turista. Baixista com 6 cordas, uma guitarrista com guitarra metaleira e nervosa nas palhetadas e uma vocalista q achei mais discreta do q poderia.
Temáticas de negritude, anti-racista, indígena, direitos sociais e sobre Marighella. Tocaram bastante coisa e já têm fã clube, o q diria Fabio Massari, ali presente pra vê-los. Não pra cobrir o evento.
Ao final, ainda mais acolhidos pelo público. Selfies, palhetas, trocar idéia, zero estrelismo. Se o BlackPantera eventualmente estiver maneirando seu som, PunhodeMahin combina demais. Q façam show juntos.
Troquei idéia com o baixista (Du), elogiando seu backing vocal robótico (acidental), o baterista poderoso e a proposta. Trocava idéia com Massari, q usava camiseta do SanguedeBode, no q aproveitei pra me aproximar e trocar idéia sobre os bons serviços prestados na Mtv Brasil.
Cereja do bolo trocar idéia com alguém tão influente e presente ali numa boníssima. Du me falou dum lugar novo em Perdizes onde a banda toca, e q Massari tá sempre por ali.
Guardei a rua (Cândido Espinheira), não o nome do lugar. A investigar. Esqueci de perguntar tb quem é ou foi Mahin. Fica pra próxima.
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Do InRaza posso dizer q foram os melhores do dia. Sem menosprezo às demais bandas, apenas foram melhores. O famoso “chegou chegando”.
O famoso “alguém anotou a placa”?
Se tinham uma proposta fronteiriça entre o hardcore e o metalcore, estão agora ousando um djent à Jinjer e levemente Meshuggah. WolfgangVanHalen aprovaria ahah
Vieram equipados e dominando o arsenal, q incluiu um baixo de 6 cordas (ou eram 5?) de pedaleira monstra e uma guitarra flyingv mandando prender e soltar. Usam retorno nos ouvidos e começam os sons espontaneamente. Pensem em banda já pronta (é visível q devem ensaiar muito) e profissional.
A vocalista é a destaque. Presente em todos os cantos do palco, carismática e feminina empoderada. Não dá pra não acompanhar essa mulher (Fernanda) o tempo todo. Tocaram música nova com orgulho. Com mão trocada, lembraram as Mercenárias do outro dia: a cada fim de som, a satisfação de ter saído bom e de estarem se descobrindo.
Brincaram um pouco com “Raining Blood” no final, q achei desnecessário, sem estragar. Ninguém estava ali pra ver banda cover: é uma vibe q me lembra o final dos 80’s por aqui, quando íamos a shows de bandas locais – até pq gringas só vinham DeepPurple e JethroTull ahah – pra descobrir coisas novas. É uma outra geração aderindo aos sons pesados.
Foi tb a única banda de nome entoado pelo público. Fernanda estava legitimamente surpresa. PNC das bandas q ficam “dando uma pausa na carreira” ou voltando só pra fazer shows de abertura: o InRaza é o presente e está ganhando espaço na unha.
Como tem q ser.
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A seqüência trouxe o Eskröta, q parecia organizar o festival. E q parecem ter sentido o impacto do inRaza: tacaram o volume NO TALO.
Tudo audível, mas beirando a apelação.
Não q tenha sido ruim: tecnicamente Tamyris, Yasmin e Jhon (sobretudo o baterista) estão voando. As músicas eram tijoladas atrás de tijoladas, atrás de socos na cara e muquetas no baço. Jogaram bolas pretas com o logo da banda no público (chupa, GeneSimmons!), o q foi divertido pras crianças.
Dois problemas, a meu ver:
precisam de foco, ou de produtor pra lapidar a proposta. Não é o mesmo q diluir. Estão meio dispersas entre o grindcore, o thrash e o punk, meio fio desencapado demais
o q aponto com a vibe durante o show: foi o único do evento com um caso de agressão (marmanjo agrediu garota e seguranças intervieram), o único q numa roda vi sujeito caindo e parecendo perder um dente e as pessoas meio cansando. (Pq eram a última banda, claro) Mas pq tem algo necessitado de ajuste, apenas isso
um papo recorrente de Yasmin, de “quase querer desistir” q tb acho estranho. Auto sabotagem, esgotamento ou tentar apelar?
Sei lá mesmo tudo isso. A banda é foda, só está faltando direção.
Era por volta de 20h quando tudo acabou. Público satisfeito, vendedores de cerveja e camisetas (vi uma regata feminina do Laibach!) na calçada, tb. Público heterogêneo até a página 2: góticos, punks velhos de moicano, molecada pintada com sangue falso, metaleiros surrados, grunges, corpsepintados aqui e ali, mulherada protagonista e até o Fabio Massari.
Evento periférico com condição e profissionalismo de todos os envolvidos, ainda q gratuito e bancado por prefeitura. Sem baixarias de bêbado, nem fuleiragem. Atrações e público à altura um do outro e de si mesmos.
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As bandas novas estão chegando sem mimimi na bagagem. Q continuem chegando, estava demorando