Rush – só eles e o staff sabiam q era última turnê, em 2015. Fã-clubes mais nerds desconfiaram, sem ter certeza. Fizeram documentário a respeito, “Time Stand Still”, ótimo. Não vazaram ou venderam “última turnê”: último show, Neil Peart tirou fotinhos, desceu do praticável e abraçou Lee e Lifeson pra foto e a banda acabou
R.E.M. – acabaram com um comunicado em site oficial, 21.09.2011, sem última turnê ou último disco anúncio e sem alarde
Faith No More – comunicado no site oficial em 1998, começando com um “pra esclarecer rumores sobre a banda estar acabando, avisamos q a banda está acabando” e culparam o baterista
LedZeppelin – dignos: sem John Bonham, sem LedZeppelin. Fizeram anúncio?
Ramones: avisaram “mais um disco, mais uma turnê”. Fizeram ambos e fecharam a firma
BlackSabbath/Ozzy: história conhecida. Surpreendentemente digna. Baita evento. Ozzy morreu 17 dias depois do velório
MidnightOil: depois de muitos anos (Peter Garrett havia sido ministro do meio ambiente australiano) voltam com disco inédito e turnê mundial agendadas. A dias do início dos shows, baixista morreu de câncer. Acabaram.
BoltThrower: lançaram o melhor disco, “ThoseOnceLoyal“. Encerraram atividades por achar q não conseguiram fazer coisa melhor. Quando pareceu q iriam, baterista morreu. Acabaram.
Motörhead – sem Lemmy, sem Motörhead. Mas tiveram últimos tempos meio indignos e teimosos
The Police – nem se preocuparam em avisar. Mesmo. Cada um foi pro seu canto e não houve comoção induzida nem desmedida
Assim como considero Quentin Tarantino um Woody Allen q ouve Slayer e fuma crack, literariamente Chuck Palahniuk me é como um Kurt Vonnegut q ouve Zappa e cheira pó.
Como ñ ler um cara q escreveu “Clube da Luta”? Tvz o problema seja comigo – q ainda nem li o livro, esperando esquecer bem o filme – mas sei lá se tanto. Encontrei “Clímax” por aqui num sebo e me interessei pela sinopse, q assim reproduzia elogio do USA Today: “Chuck Palahniuk anda com sexo na cabeça (…) Mas não estamos falando de 50 Tons de Cinza. Clímax é praticamente um dedo do meio para a mommy porn e para a fama do erotismo moderno – e, ao mesmo tempo, uma sátira esperta sobre misoginia, fama, moda, autoajuda e ciência”.
Resumindo sem resumir? É uma aventura delirante, inicialmente decalcada de “50 Tons de Cinza”, parodiando-o sem dó, até a página 21. Parte chata. Dali pra frente, melhora: Penny Harrigan, estagiária de advocacia interiorana, se envolve com um milionário cobiçado e midiático, C. Linus Maxwell, acreditando ser ele o “cara ideal”, q dela tudo ouve, presta atenção, anota. Sem interrupções nem discórdia. Até a mesma descobrir ter sido feita de cobaia para o aperfeiçoamento de produtos eróticos femininos, dum segmento de seus negócios miliardários, a grife “Beautiful You”.
Isso dá pra contar, pq tem na orelha de “Clímax”. O q se desenrola nas páginas seguintes é toda uma viajeira sobre o tal milionário ter sordidamente viciado em sexo a mulherada adulta de praticamente todo o mundo industrializado. A ponto de os maridos e homens todos se tornarem prescindíveis, obsoletos. Ñ acho q dá pra transformarem em filme, ao menos q consigam fazer um com mulheres usando vibradores em Nova Iorque a céu aberto.
Ao menos q conseguissem passar com verossimilhança o início, depois repetido ao fim (ñ acho q estrague contar), duma cena com Penny sendo estuprada num tribunal sem q ninguém presente reaja. Ñ daria um filme de “Sessão da Tarde”. A história envolve ainda nanotecnologia, culto a celebridades, propaganda subliminar ostensiva, controle da mídia, suicídio em público, idosa bicentenária do Nepal, lesbianismo, machos indóceis queimando vibradores em pira pública, ginecologia a granel e ciência futurista desvairada, de fazer Isaac Asimov se remoer na tumba.
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Rola tb um escrachar cruel do feminismo, em livro cujas entrelinhas de ridicularizações à nossa pós-modernidade me parecem mais interessantes e importantes até q a trama, q tem falhas, como mudanças abruptas de cenários ou situações, ou falta de capítulos estruturados: o enredo se desenrola com pouquíssimas pausas, tresloucada e vertiginosamente. Palahniuk teve ter feito questão de ser assim ou então faltou editor com culhão (ui!) pra interferir.
A crítica mais mordaz e ferina cito aqui: “Analistas de comportamento foram rápidos em destacar como a publicidade se aproveitava havia muito tempo dos impulsos sexuais naturais dos homens. Para vender certa marca de cerveja e fisgar o público masculino, a mídia só precisava mostrar corpos femininos idealizados. Essa tática histórica parecia explorar as mulheres e favorecer os homens, mas os observadores mais astutos reconheciam como as mentes de homens inteligentes estavam sendo apagadas – suas ideias, sua capacidade de concentração e de compreensão – a cada vislumbrar de seios atraentes e de coxas lisas e firmes.
(…) Talvez tenha sido por isso que o mundo aceitara tão rápido o sumiço das mulheres caídas no mesmo abismo. A superestimulação artificial parecia ser a maneira perfeita de sufocar uma geração de jovens que queria mais em um mundo em que havia cada vez menos. Fossem as vítimas homens ou mulheres, a dependência de estímulo parecia ter se tornado a nova normalidade”.
O final achei bem besta e frouxo, em suas últimas 11 páginas, mas entendo. Por se tratar de história sem precedentes, algum final ainda mais bizarro e condizente seria humanamente impossível. Algo q já – ñ – vi em livros distópicos outros, como de José Saramago ou Stephen King. Tvz seja até bizarro, mas dum jeito q ñ me agradou. De todo modo, é livro forte, chulo, cruel, politicamente incorreto e sarcástico como poucos. Por isso o recomendo.
Quando contei à esposa de q se tratava, ficou em dúvida se era o autor o mais xarope em fazer o livro, o editor em publicá-lo, a editora daqui em traduzi-lo ou eu em tê-lo comprado, lido e resenhado. Confesso q ainda estou em dúvida.
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CATA PIOLHO CCLI – Jogo dos 7 Erros capístico eheh
sons: VERGASSO / MIAMI DEVICE / YAMA / SIGNAL 2.42 / T.M.S. / CHICAGO TYPEWRITTER / OBSCURITY / 01000011110011
formação: Eric Plonka (guitars, throat singing), James Staffel (drums, temple bell, udu), Eric Clark (bass, backing vocals), Bruce Lamont (vocals, tenor & soprano saxofones)
Additional saxofone on “Obscurity” by Ken Vandermark
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Difícil analisar um álbum de heavy metal cuja intro do 1º som ostenta um didgeridoo acompanhado dum sino: metal étnico? Versão de Jamiroquai? [“Por favor, ñ!”, me ocorreu enquanto ouvi pela 1ª vez]. Mais uma banda posando de eclética cometendo versão de Midnight Oil?
Nada disso. Por outro lado, banda mais q true o Yakuza: sem qualquer registro no Metal Archieves, site q registra bandas q nem saíram da demo filha única em cassete. Como isso, se fazem heavy metal? Meio misturado, haja visto a presença de saxofonista(s) ao longo de “Way Of the Dead”, mas metal. Numa proposta um tanto próxima daquilo q o citado site metálico rotularia como avant gard metal.
Rotulação esta às vezes inespecífica, uma vez abranger formações díspares como Buckethead (fritador freak), Fantômas (barulheira e Mike Patton) e Disharmonic Orchestra (death metal grooveado de pirados); Faith No More (música de novela global), Arcturus (black metal de pirados) e Diablo Swing Orchestra (big band from hell pra baile de formatura de Carrie). Por este disco, o Yakuza tvz pudesse ser rotulado como um avant gardstoner com grind e jazz, predominantemente.
E aproximadamente, uma vez q um som ñ é igual ao outro. E ñ de modo caricato, feito bandas tentando atingir variados públicos-alvo e nichos de mercado: é gente q sabe tocar e, aparentemente, faz música pra si mesmos, naquela ideologia um tanto oblíqua de acharem q meia dúzia de pessoas q tb curtirem estará bom. E é material bem gravado e produzido: portanto, ñ espere bagaceira mal gravada posando de true e anticomercial.
Exemplifico: “Vergasso” contém a intro exótica acima citada, até virar som de batidas tribais (brevemente) e sincopadas, como o Sepultura do “Chaos A.D.” ou Mastodon. O vocal ñ é gutural, e caberia numa banda de hard com culhão. Termina com berros e saxes. “Miami Device” começa jazz com linha de baixo de aveludada, repentinamente virando algo com trampo de 2 bumbos e palhetadas – bem thrash metal – no qual o vocal (ainda agudo, mas abrindo-se a uns guturais) fica por cima; quando parece q termina na porradaria, volta a introdução jazzística. Daí acaba.
“Signal 2.42” é uma instrumental curtinha, baseada em dedilhado e harmônicos de guitarra meio limpos, entremeada com percussão tribal e barulhos sortidos – parece som de trilha de filme. “T.M.S.” é a mais pesada, quebrada, barulhenta, gutural e com blast beats, na qual o fronteirismo “grind com stoner” vale; tem refrão limpo (me lembrando vagamente “Desire”, do Slayer) q dá pra cantar junto. “Chicago Typewritter” surge colada nela e tem uma veia psicodélica – quase q stoner à moda Kyuss. Ñ fossem as dissonâncias e os blasts repentinos. “Obscurity” é minha preferida, caótica e cacofônica como uma cruza – com vocal hard e acessível – de Morphine com Napalm Death.
O auge dessa formatação q desafia rótulos e generalizações é a “01000011110011” derradeira, e sua viagem de 43 minutos e 25 segundos, congregando os óbvios elementos jazzísticos, psicodélicos, stoner e o q mais. Os nerds do Dream Theater aprovariam, sem entender. O pirado do John Coltrane tvz lembrasse tê-la cometido – ou ñ. Ocupa mais da metade do álbum, maior q todos os outros 7 sons juntos. Pra piorar, ñ consigo ouvir seus 6 minutos finais: meu cd player engripou por ali. Coisa de cd em versão ucraniana comprado em sebo.
Como fiquei conhecendo a horda? Por um dvd-coletânea de videoclipes da Century Media, q contém o abjeto feito pra “Chicago Typerwritter” (tem no You Tube). Passados uns anos, encontrei “Way Of the Dead” e arrisquei. Custou 15 reais, o q aqui em São Paulo paga um almoço num Habib’s, e ainda o estou digerindo. A ponto de ñ conseguir cravar valer 15 contos, trocá-lo por um frango empanado com arroz + fritas + suco na franquia, ou a aquisição se encontrado mais barato. Digamos q tvz valha um download.
Já ouvi misturebas bem mais indigestas. E ñ escarafunchei “Yama” pq ñ quis estender a resenha pra além de 9 parágrafos.
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CATA PIOLHO CCXXXIII – se James Brown é o artista solo mais sampleado na História, e a Portuguesa de Desportos o time de futebol mais roubado do mundo, o Thin Lizzy – a Portuguesa do rock – é claramente uma das bandas mais (senão a mais) chupinhadas de todos os tempos. Pô, Coverdale, cover deles tb?