CÓLERA & RATOS DE PORÃO

La Iglesia, 30.11.25

Um domingo à noite, um rolê sold out com finalidade caridosa: levar um brinquedo em bom estado pra alguma instituição fazer o Natal legal pra alguma criançada. Levei um Pula Pirata.

Além disso, o pretexto de celebrar os 40 anos de “Ao Vivo no Lira Paulistana“, disco split ao vivo (e jamais relançado em cd) de Cólera e Ratos de Porão. O finado Lira Paulistana, na Teodoro Sampaio, hoje é um boteco/lanchonete a 10 minutos do Iglesia. E cada banda tocou sua cota de sons – 8 do Cólera, 12 do Ratos de Porão – e mais.

Bem mais.

E puta q pariu esse setlist do Ratos:

Q aproveitaram tb os 30 anos dos “Feijoada Acidente” e simplesmente abriram fumegando o show (q encerrou) com uma sessão de 4 sons do “Internacional” e 7 do “Nacional“. Virou covardia e noite memorável.

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Mas bora falar do Cólera primeiro:

Seguiram a vida (faz tempo já) sem Redson Pozzi, lenda. Com 2 jovenzinhos – Wendel, vocalista e Fabio, guitarrista – fazendo as vezes dele. Wendel soa idêntico e os veteranos Pierre (baterista) e Val (baixista) seguram a onda demais. Conseguem ser uma banda cover e a continuidade, um feito.

Já os tinha visto no Sesc Avenida Paulista mês passado e o grande destaque acho o público q os acompanha. Nitidamente periféricos, fiéis e repleto de mulher. Mulherada punk tia.

Camisetas amarelas (do “Pela Paz Em Todo Mundo“) rivalizavam com as do RDP e outras (tinha um sujeito usando uma das Spice Girls…). E esse povo canta TUDO, o tempo todo.

Devido a um molequinho duns 6, 7 anos, e os pais ali juntos, consegui ficar na beira do palco. E tb com o Ratos. O repertório foi esse acima, os sons em preto os do ao vivo quarentão. Fizeram bis idêntico ao do Sesc: “Pela Paz”, “Palpebrite” e “Histeria”. Parece ser rotina.

“Medo” é hino, “Deixe a Terra Em Paz” não fica atrás e os caras têm noção do tamanho e devido lugar. Se atribuíram a função de banda de abertura, de “esquenta” pro Ratos.

Pierre falava pra guardarmos “fôlego” e ele mesmo, a cada som, parecia ter q puxar doses extras do dito cujo. E duma Budweiser ali ao lado. Ponto fraco achei uma parte de discurso velho, com ele viajar com a idéia dum “show punk anual” no Sambódromo, lugar “usado uma vez por ano” (sic), num papo anti samba desnecessário. E q não colou. Mas tb não atrapalhou.

Estávamos tomando fôlego.

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Voltando ao Ratos:

Demoraram um pouco pra ajeitar o som e começar. Entraram ali no meio da gente, JG na beira do palco trocando idéia, Jão de boa tb. Boka aquecendo e tendo a bateria montada, Juninho sem usar camiseta vermelha passando o som.

Aí vieram impiedosos com as “suítes Feijoada”. Caralho, praticamente ⅓ do “Nacional“. Os caras voando. Jão e Boka, possuídos. Há muito não o via sentando a mão e ostentando aquelas passagens beirando o grindcore.

Falo com o Leo isso há tempos: sentindo o RDP meio zona de conforto nos últimos anos. Tvz seja tocar no Sesc. Entram como jogo amistoso, sei lá. Foi totalmente diferente domingo.

O q não significa q não erraram: Boka iniciou duas vezes “Desemprego” e não era ainda a vez. Foram “Olho de Gato” e “John Travolta” antes. Gordo errou “Beber Até Morrer” – cantou a estrofe final na 2ª – mas os quesitos entrosamento e bom humor predominaram. Estavam pilhados E de boa.

Estavam em casa.

Anti-bolsonarismo só nas camisetas e nuns comentários poucos. Ninguém aguenta mais.

Quando passaram aos sons (doze) do “Ao Vivo no Lira Paulistana“, a outra surpresa: JG ficou de lado e lá atrás e Jão as cantou praticamente todas. Só chamando a vocalista do Gritando HC pra cantar “Não Me Importo”. (Voltou depois cantando junto “Beber Até Morrer”). E aí cabe um dado histórico, por eles inclusive contado:

Na época desse ao vivo, situado entre “Crucificados Pelo Sistema” e “Descanse Em Paz“, Gordo (virou metaleiro) e Mingau (virou new wave) tinham saído da banda, q recrutou Betinho de volta e fez o show em formação trio Jão, Jabá e Betinho. Assim: é o único disco do Ratos sem o Gordo.

Replicando, de certo modo, o formato trio (Betinho estava presente, Jão o saudou), o show foi especial tb por isso. Torço pra q alguém o tenha gravado inteiro.

Final contou com sons velhos – aliás, nada de “Anarkophobia” em diante foi executado – dois (supostamente) do “Descanse Em Paz“, dois do “Brasil” e um bis realmente não planejado (era nítido q estavam curtindo, e não batendo ponto) com “Crise Geral”.

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Pra mim , o melhor show do Ratos em anos. Melhor q quando tocaram o “Brasil” inteiro. Sangue nos olhos, facas nos dentes e verdadeiramente sujos e agressivos.

Torço pra q façam esse repertório mais vezes, em outras praças. Os fãs merecem essa porra.

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PS – não tenho realmente certeza se rolaram “Só Pensa em Matar”, “Não Podemos Falar” e “Juventude Perdida”. E não estava bêbado, só zureta

PS 2 – vivi pra ver os caras tocando “Olho de Gato”, “Lobotomia” e “Medo de Morrer”. Q foda