ULCERATE
La Iglesia, 23.11.25
A vibe era hostil: uma fita de introdução ruidosa e mórbida tocando desde às 20h, pelo menos. Nada de som ambiente ou claridade.

A penumbra continuou quando o trio neozelandês entrou pontualmente às 20:30, sequer cumprimentaram e esperaram detalhes de afinação e (provavelmente) click pra daí começar a apresentação. Não estavam a fim de conversa, ou de filmássemos/fotografássemos.
A proposta do Ulcerate, vi umas horas antes no YouTube, é o tal do post black metal: clima, timbre, morbidez. Quase nada de riffs na guitarra de Michael Hoggard, q executava acordes improváveis, jazzísticos, dissonantes. Nenhum solo.
O baixista/vocalista Paul Kelland faz suas partes no mesmo volume, intencionalmente enterradas na mixagem. Enquanto o baterista Jamie Saint Merat parece ter o emprego dos sonhos do baterista do Torture Squad: uma banda fazendo climas e tocando monotonamente enquanto ele “frita” o tempo todo: viradas, pratadas, 2 bumbos trigado alucinados e alucinantes, com provável intenção de atordoamento.
Consegue.

TDAH define.
O Iglesia estava lotado. Se não sold out, a vez em q vi o lugar mais cheio.
E sem ar-condicionado ligado.
E Kelland sofrendo (mas não admitindo) em sua camiseta de manga longa. De onde estavamos, Leo e eu, não se mexia. Não se conseguia mexer, abrir roda, pular. E assim foi até o final, hora e meia mais tarde.
A pesquisa q fiz há pouco – não havia setlists no palco, fui atrás pelo site de set-lists – acusou 9 sons, 5 deles do opus recente, “Cutting the Throat Of God”.
Pena não haver merchan à venda: truezice ou venderam tudo na Argentina antes? Provavelmente venderia tudo.

O público estava devoto e solene: nalguma hora, recriminaram alguém q ousou rir ALTO. Até dá pra cantar entoar junto, mas não vi ninguém fazendo.
Falei pro Leo a certa altura: os caras não vão nem agradecer, sequer fazer um bis, é acabar, virar as costas e vazar. Mas não: ao final, tvz espantado com e reconhecendo nossa magna presença, Kelland nos agradeceu umas três vezes, Saint Merat parece ter notado q existiamos e concederam a honra de nos ofertar com um bis.
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Ao final, racionalizamos: banda de média pra pequena, sem roadies – e tvz tb, iluminação – por contenção de gastos (e q tvz não se pensasse q juntaria tanta gente), com proposta não exatamente original, mas executada originalmente.
Curti. Parece q nos discos soa melhor. A ver. E certamente foi melhor q o Atrophy & Artillery cancelado e a mim devidamente reembolsado.
Saímos mais malignos daquele antro do q quando entramos.
Set-list (suposto): 1. “To Flow Through Ashen Hearts” 2. “Drawn Into the Next Void” 3. “Further Opening the Wounds” 4. “The Dawn Is Hollow” 5. “Dissolved Ordens” 6. “Cutting the Throat Of God” 7. “To See Death Just Once” 8.”Stare Into Death And Be Still” 9. “Dead Oceans”