DEVE SER BOM SER CARLOS VÂNDALO NA SUÍÇA
(Curiosidades Aleatórias parte II)
por märZ

Tom Warrior escreveu ele mesmo o livro, nada de ghostwriter, e diretamente em inglês, uma língua que aparentemente não domina com total fluência. O mesmo menciona que fala francês e alemão como línguas nativas, mas seu inglês, apesar de bom, deixa um tanto a desejar.
Aparentemente faltou também um bom revisor. Além da narrativa truncada, às vezes excessivamente formal e formulaica, abundam erros gramaticais simplórios que poderiam ser facilmente corrigidos. Mas nada disso impede a leitura ou diminui o impacto da história.
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Tom não ficou satisfeito com “To Mega Therion” por ter escrito o álbum inteiro sozinho, pois na época seu parceiro de composição Martin havia deixado a banda. Considerava o álbum limitado e unidimensional, pois necessitava de idéias e colaborações diversas, o que nao aconteceu (Reed e o novo baixista Dominic nao compunham).
Refletindo as influências de Fischer vindas do gótico e post-punk, o álbum soa lento e arrastado, assentando as bases para o doom metal que viria a surgir mais tarde (bandas como Paradise Lost, Anathema, My Dying Bride e Moonspell beberam muito dessa fonte). Notável que Fischer ja havia percebido algo que o Metallica em breve enxergaria com clareza: o thrash metal era um beco criativo sem saída.
O baterista americano Reed St. Mark nunca se tornou oficialmente membro do Celtic Frost; apesar de ter sido oferecido vários contratos para assinar, sempre recusou. Isso o mantinha livre para deixar a banda quando quisesse, sem nenhuma obrigação contratual, o que de fato fez eventualmente. Anos mais tarde, apos a consolidação do CF no cenario mundial e contratos de distribuição de merchandising e novos formatos de discos, processou a banda por direitos autorais passados. Perdeu.

Apesar do surpreendente sucesso de “To Mega Therion”, Karl Walterbach liberou um orçamento baixíssimo para a gravação de “Into the Pandemonium”, alugando um pequeno estúdio na Alemanha e contratando somente um engenheiro de som para a equipe.
Na época chegaram a cogitar Rick Rubin para a produção, o que nunca aconteceu. No fim, o disco foi produzido por Fischer e Ain, mas a Noise deu o crédito ao engenheiro de som sem experiência com metal, Jan Nemec. A banda detestou a sonoridade da produção e mix final. Karl odiou as músicas e disse que nao lançaria o disco e romperia o contrato com a banda. Esperava um som mais voltado a Slayer e Exodus, algo de que Fischer tentava a todo custo se afastar. No fim, para não se perder o investimento, o álbum foi lançado sem muita empolgação ou promoção (talvez por isso não tenha chegado ao Brasil, como o anterior). Seu sucesso surpreendeu a todos, menos Tom.
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Toda banda de metal tem seu nemesis, seu rival, seu inimigo odiado. O do Celtic Frost era o Destruction, originários de uma cidade próxima da fronteira com a Suíça. Tinham sotaques parecidos, habitavam a mesma esfera social e se odiavam mutuamente, aparentemente sem nenhuma razão específica ou justificável. Coisa de macho adolescente imaturo, como o proprio Tom comenta no livro.
Tom em geral parece ser uma pessoa decente e profunda, constantemente exercitando auto-critica, especialmente ao relatar e analisar fatos passados que envolveram decisões suas. Nao bebia nem usava qualquer tipo de droga. De origem rural humilde e rígidos princípios familiares, foi pego de surpresa em sua primeira tour americana com a adulação dos fãs, algo ainda inédito para a banda em 1986. Após um período de resistência, eventualmente cedeu aos excessos da estrada e assédio das groupies tornando-se, em suas próprias palavras, um “viciado em sexo”.
Um dos motivos da mudança de som da banda já em “Pandemonium” e mais ostensivamente em “Cold Lake” foi o descontentamento de seus membros com a cena de metal extremo e seus fãs, notoriamente agressivos e beligerantes uns com os outros e com a própria banda nos shows. Garotos subindo no palco, pisando em pedais, tropeçando em fios, derrubando microfones e partes da bateria, agarrando os musicos. Tudo isso incomodava demasiado principalmente Tom e o baterista Reed, que ansiavam por um comportamento mais comedido e a presença de mais fãs do sexo feminino.
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Junto com sua inteligência e criatividade, Tom demonstra também uma boa dose de arrogancia ao comparar sua banda com contemporâneos: ainda que tenha os membros de outras bandas com quem dividiu o palco no inicio como Exodus, Nuclear Assault, Destruction, Helloween, Kreator e Voivod em boa estima (alguns menos que outros), não mede palavras ao dizer que nenhuma delas se equipara ao Celtic Frost em termos de qualidade, importância e performance ao vivo.

Parceiros de turnê como Running Wild e Grave Digger são descritos como caricatos e ultrapassados (isso ainda em 1987!). A unica banda citada totalmente em tons positivos é o Anthrax, destacando a amizade e camaradagem entre eles. Metallica é brevemente mencionado com reverência, principalmente pela mudança em seu som a partir do “Black Album”.
Alem da manutenção de sua integridade artística, a única coisa que parece nao mudar na vida de Tom Warrior, aparecendo constantemente por todo o livro, é seu ódio por Karl Walterbach. E aparentemente era recíproco.
“Viver é mudar, seu imbecil! Se você nunca mudou na vida, você nunca viveu” – Totonho













