Cólera
CÓLERA & RATOS DE PORÃO
La Iglesia, 30.11.25

Um domingo à noite, um rolê sold out com finalidade caridosa: levar um brinquedo em bom estado pra alguma instituição fazer o Natal legal pra alguma criançada. Levei um Pula Pirata.
Além disso, o pretexto de celebrar os 40 anos de “Ao Vivo no Lira Paulistana“, disco split ao vivo (e jamais relançado em cd) de Cólera e Ratos de Porão. O finado Lira Paulistana, na Teodoro Sampaio, hoje é um boteco/lanchonete a 10 minutos do Iglesia. E cada banda tocou sua cota de sons – 8 do Cólera, 12 do Ratos de Porão – e mais.
Bem mais.
E puta q pariu esse setlist do Ratos:

Q aproveitaram tb os 30 anos dos “Feijoada Acidente” e simplesmente abriram fumegando o show (q encerrou) com uma sessão de 4 sons do “Internacional” e 7 do “Nacional“. Virou covardia e noite memorável.
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Mas bora falar do Cólera primeiro:

Seguiram a vida (faz tempo já) sem Redson Pozzi, lenda. Com 2 jovenzinhos – Wendel, vocalista e Fabio, guitarrista – fazendo as vezes dele. Wendel soa idêntico e os veteranos Pierre (baterista) e Val (baixista) seguram a onda demais. Conseguem ser uma banda cover e a continuidade, um feito.
Já os tinha visto no Sesc Avenida Paulista mês passado e o grande destaque acho o público q os acompanha. Nitidamente periféricos, fiéis e repleto de mulher. Mulherada punk tia.
Camisetas amarelas (do “Pela Paz Em Todo Mundo“) rivalizavam com as do RDP e outras (tinha um sujeito usando uma das Spice Girls…). E esse povo canta TUDO, o tempo todo.

Devido a um molequinho duns 6, 7 anos, e os pais ali juntos, consegui ficar na beira do palco. E tb com o Ratos. O repertório foi esse acima, os sons em preto os do ao vivo quarentão. Fizeram bis idêntico ao do Sesc: “Pela Paz”, “Palpebrite” e “Histeria”. Parece ser rotina.
“Medo” é hino, “Deixe a Terra Em Paz” não fica atrás e os caras têm noção do tamanho e devido lugar. Se atribuíram a função de banda de abertura, de “esquenta” pro Ratos.
Pierre falava pra guardarmos “fôlego” e ele mesmo, a cada som, parecia ter q puxar doses extras do dito cujo. E duma Budweiser ali ao lado. Ponto fraco achei uma parte de discurso velho, com ele viajar com a idéia dum “show punk anual” no Sambódromo, lugar “usado uma vez por ano” (sic), num papo anti samba desnecessário. E q não colou. Mas tb não atrapalhou.
Estávamos tomando fôlego.
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Voltando ao Ratos:

Demoraram um pouco pra ajeitar o som e começar. Entraram ali no meio da gente, JG na beira do palco trocando idéia, Jão de boa tb. Boka aquecendo e tendo a bateria montada, Juninho sem usar camiseta vermelha passando o som.
Aí vieram impiedosos com as “suítes Feijoada”. Caralho, praticamente ⅓ do “Nacional“. Os caras voando. Jão e Boka, possuídos. Há muito não o via sentando a mão e ostentando aquelas passagens beirando o grindcore.
Falo com o Leo isso há tempos: sentindo o RDP meio zona de conforto nos últimos anos. Tvz seja tocar no Sesc. Entram como jogo amistoso, sei lá. Foi totalmente diferente domingo.
O q não significa q não erraram: Boka iniciou duas vezes “Desemprego” e não era ainda a vez. Foram “Olho de Gato” e “John Travolta” antes. Gordo errou “Beber Até Morrer” – cantou a estrofe final na 2ª – mas os quesitos entrosamento e bom humor predominaram. Estavam pilhados E de boa.
Estavam em casa.

Anti-bolsonarismo só nas camisetas e nuns comentários poucos. Ninguém aguenta mais.
Quando passaram aos sons (doze) do “Ao Vivo no Lira Paulistana“, a outra surpresa: JG ficou de lado e lá atrás e Jão as cantou praticamente todas. Só chamando a vocalista do Gritando HC pra cantar “Não Me Importo”. (Voltou depois cantando junto “Beber Até Morrer”). E aí cabe um dado histórico, por eles inclusive contado:
Na época desse ao vivo, situado entre “Crucificados Pelo Sistema” e “Descanse Em Paz“, Gordo (virou metaleiro) e Mingau (virou new wave) tinham saído da banda, q recrutou Betinho de volta e fez o show em formação trio Jão, Jabá e Betinho. Assim: é o único disco do Ratos sem o Gordo.
Replicando, de certo modo, o formato trio (Betinho estava presente, Jão o saudou), o show foi especial tb por isso. Torço pra q alguém o tenha gravado inteiro.

Final contou com sons velhos – aliás, nada de “Anarkophobia” em diante foi executado – dois (supostamente) do “Descanse Em Paz“, dois do “Brasil” e um bis realmente não planejado (era nítido q estavam curtindo, e não batendo ponto) com “Crise Geral”.
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Pra mim , o melhor show do Ratos em anos. Melhor q quando tocaram o “Brasil” inteiro. Sangue nos olhos, facas nos dentes e verdadeiramente sujos e agressivos.
Torço pra q façam esse repertório mais vezes, em outras praças. Os fãs merecem essa porra.
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PS – não tenho realmente certeza se rolaram “Só Pensa em Matar”, “Não Podemos Falar” e “Juventude Perdida”. E não estava bêbado, só zureta
PS 2 – vivi pra ver os caras tocando “Olho de Gato”, “Lobotomia” e “Medo de Morrer”. Q foda
GAROTOS PODRES
Sesc Belenzinho, 27.09.25

Não acho exagero afirmar q os Garotos Podres vivem em 2025 o melhor momento da carreira.
Desafiando toda uma escrita do rock, contando com um único integrante original e não parecendo uma banda cover ruim de si própria. Vindos de turnê européia recente (Escócia, Irlanda e Inglaterra) e prestes a encarar turnê de 4 shows em Portugal neste próximo mês de outubro.
E fazendo um show sold out sábado pra celebrar os 40 anos de “Mais Podres Do Que Nunca“, disco inabalável, indelével, inoxidável, influente e sem bolor.

Executado na íntegra – com exceção daquela última faixa obtusa q ninguém pediu, nem eles justificaram, tampouco consta do LP relançado à venda – nos primeiros 20 minutos da apresentação. Encerrada “Liberdade (Onde Está?)”, o guitarrista Deedy agradeceu e se despediu ahahah
SQN. A banda tocaria ainda outros 14 sons, entre os hinos austeros “Rock de Subúrbio”, “Subúrbio Operário” e “Aos Fuzilados da CSN” e os galhofeiros “Vomitaram No Trem”, “Mancha” (6ª série B mesmo), “Kim Jonguinho” e “Verme”.

E a relevância do discurso crítico e esquerdista predominou. Melhor momento? “Anistia?”, de 1988 e parecendo ter sido feita HOJE. “A Internacional”, hino marxista-leninista, foi impecavelmente entoado por Mao, q em partes lia colas no palco, ora não. Deve estar no DNA, há muito decorada.
Mao é o fiel da balança no quesito carisma, mas tb nas poucas falhas, devido aos 62 anos. Assim: a banda, entrosada em alto nível, tem q acompanhar o homem em suas flutuações de andamento.
Dava certo na maior parte das vezes, em “Oi, Tudo Bem?” (HINO) e em “Mancha” ficou estranho. Mas ninguém ligou e faz parte. Em termos de tonalidade e gritaria, o homem tá impressionante ainda.

O público era majoritariamente veterano, o sold out não significou 700 lugares vendidos (chuto uns 500, o q não é pouco) e tinha bastante criança presente, o q o guitarrista fez questão de apontar e enaltecer. Renovação de público, e se o discurso parece o mesmo é pq as coisas estão as mesmas…
Lembraram ainda de louvar o falecido Rédson (Cólera), produtor de “Mais Podres Do Que Nunca” e um momento q achei significativo foi quando Deedy entregou q a atual formação estava tocando pela primeira vez muitos daqueles sons de 1985.
Reitero: não são uma banda cover e não fizeram um show saudosista.

Outro detalhe fundamental no show: o som estava impecável. Mesmo quem estava ali conhecendo a banda pela primeira vez, conseguia ouvir e entender tudo, dos protestos à zoeira.
Q o diga meu enteado, Arthur, q ficou depois procurando – obviamente – as faixas “6ª série” (“Mancha”, “Oi, Tudo Bem?”, “Vomitaram No Trem”). Já é um começo.
Dois defeitos: 1) “Kim Jonguinho”, música tonta e pra mim destoante; 2) acabarem faltando 5 minutos pras 22h – dava pra terem tocado mais uns 2 sons ahahah
Tb achei q a presença de algum ex-integrante faria algum sentido, mas não sei de bastidores ou tenho lugar de fala suficiente pra reinvidicar.

O resumo da coisa: um show à altura do repertório, da efeméride e da banda. O Garotos Podres em 2025 é um compêndio cumulativo de todas as fases discográficas e dos 40 anos recentes de Nova República meu ovo História do Brasil.
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Um bônus pessoalmente auspicioso: o disco único de O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos, de 2014, estava à venda relançado e rebatizado como “Contra os Coxinhas Renegados Inimigos Do Povo” e CNPJ Garotos Podres de fato e de direito, a 20 contos. Estava há muito esgotado, peguei.
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Set-list: 1. “Não Devemos Temer” 2. “Johnny” 3. “Insatisfação” 4. “Maldita Polícia” 5. “Vou Fazer Cocô” 6. “Anarquia Oi!” 7. “Eu Não Sei o Que Quero” 8. “Papai Noel Velho Batuta” 9. “Miseráveis Ovelhas” [dedicada a Silas Malafaia] 10. “Liberdade (Onde Está?)” 11. “Garoto Podre” 12. “Oi, Tudo Bem?” 13. “Vomitaram No Trem” 14. “Rock de Subúrbio” 15. “Subúrbio Operário” 16. “Avante Camarada” 17. “A Internacional” 18. “Grândola Vila Morena” 19. “Aos Fuzilados da CSN” 20. “Repressão Policial (Instrumento do Capital)” 21. “Anistia?” 22. “Mancha” 23. “Kim Jonguinho” 24. “Verme”
BLOCO 77 + GAROTOS PODRES
Tendal da Lapa, 27.01.24
Blocos de Carnaval roqueiros não são novidade: há uns anos ouço falar de vários, por aqui em SP e em BH, dedicados a Beatles, Iron Maiden e Pink Floyd.
Assistir in loco, ver se funciona, aí já é uma outra conversa.

Foi o q me aconteceu sábado passado: fiquei sabendo de ensaio desse Bloco 77, cujo repertório é de punk rock brasileiro, num local q (re)descobri como reduto de punk, hardcore e grindcore – o Tendal da Lapa, aqui pela Zona Oeste – em evento q encerraria glorioso e garboso às 19:30 com show dos Garotos Podres. E de graça.
E por q não ir?
E o q foi?
Duas horas ininterruptas (desde quando cheguei, por volta das 17h) com um pessoal (não chegam a 20 pessoas, salvo engano) q é a percussão em si + 3 vocalistas + 1 guitarrista tocando punk, punk e mais punk.

E tudo alto pra kralho. Como tem q ser. Em loop. E num ambiente semi-aberto lotado: tinha punk velho, punk novo vegano, hipsters, curiosos, crianças, eu e mesmo parte da molecadinha trevosa q vi no Crypta, 2 dias antes.
Sem a menina da prancha e sem prancha.
É divertido. Tipo o “Feijoada Acidente – Brasil“, do Ratos de Porão, ao vivo. Tocaram “Fuma Bebe” dali, Ratos de Porão (“Crucificados Pelo Sistema”), Replicantes (“Surfista Calhorda”), Restos de Nada/Inocentes (“Desequilíbrio”), Plebe Rude (“Até Quando Esperar?”), marchinhas de domínio público alteradas, sons próprios (uns 2 – “Desmascarar Sua Bandeira” achei foda) e Cólera, me surpreendendo como ponto alto da coisa toda.
Teve ainda Garotos Podres, com o vocalista José Rodrigues Mao participante no final no medley “Papai Noel Velho Batuta”, “Vou Fazer Cocô” e “Não Devemos Temer”. Uma hora brincaram q tocariam um cover, e tocaram (bem) “The KKK Took My Baby Away”, dos Ramones, único som estrangeiro no repertório.
Mas volto ao Cólera.

Normalmente não curto Cólera. Sempre achei a banda mais tosca (no mau sentido), pq mais mal tocada e mal cantada, do punk brasileiro. Ao mesmo tempo, quase todo mundo q os regrava ou faz versão, faz melhor.
E assim foi ali no rolê com “Pela Paz” e “Medo”. Épicas. A mensagem é muito maior q o meio. Impressionante de verdade, tb pela atualidade. E entoadas por todo mundo presente.
Há quem possa acusar a proposta de nutellice. Pode até ser. Merchan caprichado e vendido caro (camisetas, chaveiro, copo exclusivo) e alguma afetação. Mas não me ofendeu, nem a quem lotava o lugar. Comemoraram 10 anos de bloco e não é quem não gosta q vai estragar.
Concluo assim: vai quem quer. Quem não curtir, desencana.
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O intervalo até o Garotos Podres aproveitei pra ver uma exposição de alguém do Questions (Edu Revolback), sentar num canto e fuçar merchan. Do próprio bloco, Garotos Podres (cerveja da banda a 25 lulas e o livro de mao sobre Cuba, incluídos) e de punk, veganismo, LGBTismo (mudaram a sigla de novo?) e Causa Palestina bem legais. Não comprei nada, e tudo bem.

E o Garotos Podres foi foda. Triunfante e honrando expectativas.
“Oi, Tudo Bem?”, “Vomitaram no Trem” e “Nasci Para Ser Selvagem” (versão do Steppenwolf) pra mim são hinos, berrei junto q nem um lunático. Os clássicos “Papai Noel Velho Batuta”, “Anarquia Oi” e “Vou Fazer Cocô” ficaram pro fim. “Johnny” rolou ali pelo meio. “Garoto Podre” abriu o show.
E sons outros, como “Aos Fuzilados da CSN”, “Rock de Subúrbio”, “Avante Camarada”, o cover de Eskorbuto (“Mucha Policia, Poca Diversión”) e mais coisas; não me ocupei anotando set list na ordem, desculpem.
Estavam com baterista novo, um tal de Will, não anunciado e muito bom. Tecnicamente falando: acrescentou arestas ao som, ainda q tivesse q ser contido por Mao e pelo guitarrista pra umas horas não acelerar tanto ahahah

No final de verdade subiram umas crianças presentes ao palco, passando a mensagem de “tragam a criançada, pq os punks já estão velhos e tem q haver renovação”. Como discordar?
Cito ainda algo totalmente inesperado: voltando ao bis, estrearam a música tvz mais infame e sem noção deles, “Mancha”. Escatologia pouca é bobagem. Ao final, dedicada por Mao “ao pessoal da 5ª série A. Pq o pessoal da 5ª série B não gosta dessa música”. Sensacional.
Só Garotos Podres consegue ser panfletário e zoeiro ao mesmo tempo. É um feito, e foi um baita show. Iluminação e volume, impecáveis. E ninguém ali saiu desapontado, com nada.
Mais um rolê gratuito e inclusivo disponível. Chupa, Summer Breeze.
INOCENTES
Sesc Belenzinho, 24.11.23
28 músicas – ou uma intro + 28 músicas? – no meu 28⁰ show do ano. Nada mal.

Gosto de Inocentes, mas há muito tempo não ia a um show. Q me lembre, a última vez este blog sequer se cogitava existir: eram meados dos 90’s e os vi no Centro Cultural Vergueiro, com abertura do Volkana.
(Volkana. Ainda. Com Marielle. No. Vocal)
E os caras estão aí ainda. Beirando os 30 anos da formação “nova” Clemente/Ronaldo/Anselmo/Nonô. E não sabia o q esperar: nostalgia, bolor ou contundência?
Contundência ganhou.

Assim: trinca inicial impactante.
“Fechem os Olhos dos Jornais” abriu em playback. E tudo bem. Enquanto os sujeitos entravam na penumbra, com um giroflex de viatura policial (q ficou intacto durante a apresentação) dando o tom. Acaba o som – q é meio um hip hop pancadão – os 4 estão tapando os olhos. Brilhante.
Nada de “boa noite” ou “e aí?”: mandaram “Nada de Novo no Front”, em cima da pinta do massacre Israel – Palestina. Desnecessário legenda. Daí “A Cidade Não Pára” e “Nada Pode Nos Deter”, de retórica puramente Inocentes, tomaram forma.
Clemente só foi dar uma saudação antes de explicar “Lisa”, q já era sobre empoderamento feminino há tempos. E dedicar a amiga antiga presente. E dizer q não gostava de ficar explicando letras. Não precisa.
E pra quem conhece a banda, reitero: desnecessário. Baita letrista e cronista urbano, Clemente e a banda desfilaram repertório de todas as fases da banda – com exceção de “Estilhaços” (1992) – sendo plenamente compreendidos.

E passou de uma hora e meia o show. Tipo futebol com acréscimos, os caras não querendo sair. Pq pegaram o embalo no decorrer.
Clemente estava rouco, mas aos poucos “esquentou”. Continua não muito brilhante nos comentários e brincadeiras, mas q q tem?
A banda demonstrou o entrosamento de décadas, e gana. Destaco o baterista Nonô, meio “retão” pro meu gosto, mas preciso e sem esmorecer. Acho q por ele e Clemente, estavam tocando até agora.
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Ronaldo, q tinha visto mês passado no Roque Reverso, cantou “Eu Vou Ouvir Ramones” e ainda “Desequilíbrio”, quando Clemente desceu e entrou no meio da roda no público TOCANDO GUITARRA.

Esse foi o (alto) nível. Platéia envelhecida, muita criança (içadas ao palco quase no fim) presente – coisa q só o Sesc proporciona – som excelente e banda competente. Zero formulaicos ou burocráticos: como não curtir?
Problema técnico q estragou um pouco – e não a ponto de Clemente nos pedir desculpas – foram uns maus contatos no baixo, resolvido quando roadie trocou o tal cabeçote.
Teve brado pró-Palestina, teve “Pátria Amada” e “Pânico em SP”, “A Face de Deus” continua herética e recomendo conferir vídeos (só achei 2, segue um) no YouTube. Foi um puta show, a pretexto de lançarem um single novo (tocado) (e não disponível no merchan…), “Queima!”, mas foi bem mais q isso.
Inocentes é do tamanho do Ratos de Porão, só q ficou do tamanho da metrópole, provinciana e imensa a um só tempo. Contradições…
no set-list abaixo destaco sons pra quem quiser conhecer melhor e fazer uma playlist
Set-list: 1. “Fechem os Olhos dos Jornais” 2. “Nada de Novo no Front” 3. “A Cidade Não Pára” 4. “Nada Pode Nos Deter” 5. “Lisa” 6. “Rotina” 7. “Expresso Oriente” 8. “Garotos do Subúrbio” 9. “Ele Disse Não” 10. “A Face de Deus” 11. “Eu Vou Ouvir Ramones” 12. “São Paulo” (365) 13. “Aprendi a Odiar” 14. “Medo de Morrer” 15. “4 Segundos” 16. “Underground” 17. “Miséria e Fome” 18. “Nem Tudo Volta” 19. “Restos de Nada” (Restos de Nada) 20. “Desequilíbrio” (Restos de Nada) 21. “Escombros” 22. “Queima!” 23. “Cala a Boca” 24. “Pátria Amada” 25. “Pânico em SP” – bis: 26. “Quanto Vale a Liberdade?” (Cólera) 27. “Blitzkrieg Bop” (Ramones) 28. “I Fought the Law” (The Bobby Fuller Four/The Clash) 29. “Franzino Costela” (Sex Noise)
RATOS DE PORÃO
Lata Velha Rock Bar (Osasco), 22.10.23

Foi praticamente o mesmo repertório da Virada Cultural em maio, 28 músicas em pouco menos de uma hora. Ia aludir a q as pessoas aqui fuçassem-no por lá e pedir desculpas por não saber postar o link. Tô resenhando por celular…
Até ver q na resenha específica, em maio, não o postei. Segue abaixo, afinal.
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Foram 29 sons em pouco mais ou menos de uma hora. “Crocodila” a mais em relação a maio. A banda praticamente subiu ao palco, interagiu, tocou e vazou. Pq não foi um show típico.
Vide o palco acima: o Lata Velha é um bar em Osasco com uns 5 anos de atividades, q só melhora com o tempo. Se o bar de playboy daqui da capital fosse bom, seria o Lata Velha.
Normalmente faz shows de bandas cover, variadas e ultimamente estritas (covers só de Metallica, Iron Maiden etc ), abriga roqueiros de sapatênis, roqueiras patricinhas, motoqueiros (“motociclista” é o caralho), roqueiros velhos e flutuantes em geral.
Tem um mezanino, onde ficamos eu e a Debora, com mesas e mesas de sinuca e pebolim (totó). Sanduíches, porções e bebidas bem servidas e a bons preços. E o q o Ratos de Porão foi fazer ali?

Tocar, oras. Pra um pessoal q provavelmente não se desloca à capital e a festivais pra vê-los. A custo médio de 70 lulas.
E não teve estrelismo nem stress. Nem bolsominion armado arriscando atentado (tem segurança na porta, mas sem revista). Jão foi quem mais interagiu, com uns tiozões q aludiam à Vila Carolina e Vila Piauí originais – nada afastadas de Osasco. Todo mundo de boa. Profissionais do hardcore.
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Um pouco antes, enquanto rolava o som ambiente, só punk brasuca oitentista e Titãs: Cólera, Inocentes, “Igreja”, “Polícia”, “Será Que é Isso Que Eu Necessito?”… E uma turminha de tios bradando alto e abrindo roda.
Ratos surge às 20:35 e arrepia com “Alerta Antifascista”, “Aglomeração” e “Amazônia Nunca Mais”. Poderiam ter tocado só essas e vazado, ninguém reclamaria. A roda prosperava, mas de boa; podiam acertar o microfone, não rolou.
E o q me ficou, parafraseando-me a mim mesmo doutra pauta, é: os caras têm o setlist pro ano todo, com ajustes (tem lugar q rola “Paranóia Nuclear” ao final tb) e a banda atingiu um nível de entrosamento monstro.
Tvz nem estivessem se ouvindo (Juninho sem ouvir Jão, e/ou vice versa), mas não vi errarem uma nota, uma levada. Boka faz contagem no chimbau a milhão e segue o baile.

Só alguma hora JG pareceu esquecer a ordem e anunciou “Conflito Violento” antes de “Expresso da Escravidão”, coisa a toa.
O som estava nítido e claro pra nós ali em cima, foi o primeiro RDP da namorada, enquanto pra mim já nem mais sei.
JG dedicou “Descanse Em Paz” a Celso Vecchione (Made In Brazil) falecido domingo mesmo, comemorou presença de molecada “pra renovar as coisas” e na real falou pouco. Nem xingou Bostonaro.

Juninho, tímido, no final ergueu bandeirinha da Palestina, em momento politizado discreto e foi isso. Sem bis nem vaselina. Tocaram, vazaram.
E foi foda.
Setlist: 1. “Alerta Antifascista” 2. “Aglomeração” 3. “Amazônia Nunca Mais” 4. “Farsa Nacionalista” (levantou a galera) 5. “Ignorância” 6. “Lei do Silêncio” 7. “Morte Ao Rei” 8. “Necropolitica” 9. “Crucificados Pelo Sistema” 10. “Descanse Em Paz” 11. “VCDMSA” 13. “Fei e Burro” 14. “Fuder a Empregada” 15. “Rosca Solta” (trinca “Isentön Päunokü”) 16. “Morrer” 17. “Guerrear” 18. “Caos” 19. “Políticos Em Nome do Povo…” 20. “Realidades da Guerra” (momento “RDP Vivo”) 21. “Difícil de Entender” 22. “Engrenagem” 23. “Toma Trouxa” 24. “Expresso da Escravidão” 25. “Conflito Violento” 26. “AIDS, Pop, Repressão” 27. “Beber Até Morrer” 28. Crocodila” 29. “Crise Geral”
MODA DE ROCK
(Ricardo Vignini & Zé Helder), Sesc Ipiranga – 28.04.23

Moda de viola: das raríssimas coisas em música q me parece genuinamente brasileira. Tanto quanto o chôro, mais q o samba e a bossa nova.
E são bem conhecidos os violeiros citados (ao menos aqui na província falsa cosmopolita), por fazerem versões ‘moda de viola’ pra sons de Led Zeppelin (um disco inteiro dedicado), classic rock, hard rock, heavy metal e rock nacional/BRock (motivo do recente lançamento, “Moda de Rock Brasil”, do ano passado). E q já têm ao menos 5 discos + dvd ao vivo lançados em esquema de crowdfunding.
Foi essa aresta q me levou ao show na última sexta-feira. Os caras se auto-sustentam, e mais: parecem usar desse “repertório cover” pra bancar trabalhos autorais. Vignini tem discos solo tipicamente moda de viola (o q inclui material autoral), e ambos tocam numa banda moderna pro estilo, o Matuto Moderno.
Todos os artigos citados + camisetas + livro de partituras de Vignini à venda na entrada do teatro. Só faltou um aviso com os preços, mas deixa quieto.

O teatro tem “por volta de 200 lugares” (segundo a funcionária a quem perguntei) e ñ mais q 10 estavam vagos; alguns ainda devido à reabertura pós-Covid, e tal. Platéia de amigos, claro, alunos, fãs e até dum Zé Geraldo simpático – q gravou “Meu Amigo Pedro” no disco recente – por ali. Tem festival de banda tr00 q ñ junta 80 pessoas q ñ os integrantes somados à meia dúzia de indigentes vomitadores de bombeirinho da “cena”.
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E o show foi bem legal, ainda q pra mim alguns sons ñ funcionem. (E espero mesmo q, em o texto chegando aos caras, ñ os ofenda). Ficam bobos, parecendo aquela modinha horrenda de Emmerson Nogueira e Danni Carlos; pra mim, o caso de “I Want to Break Free” (acho q Queen tem sons mais propícios), “Flores em Você”, “Até Quando Esperar” (manjada demais), “Wasted Years” e “Heavy Metal do Senhor”, de Zeca Baleiro, q já é em si uma paródia.
Ao mesmo tempo, curti “2001” (Mutantes), pq a original acho uma merda e até versão do Capital Inicial prefiro. (Sim, leram. Ñ dá pra desler). Desparodiaram-na.
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Em tempos em q se fala de empreendedorismo, q se mistura ao há tempos em q se reclama q ñ dá pra ser independente, ou fazer rock, ou fazer metal no Brasil, pq “ñ há apoio” (sic), o Moda de Rock é um grande CHUPA. Sabem do próprio tamanho, têm talento e proposta, e ralam.
E ñ têm patrocínio de convênio médico eugenista, tanto quanto.

Vez ou outra, é Zé Helder quem canta. E meu destaque total, melhor versão do show pra mim, foi “Medo” (Cólera), de letra ainda pertinente e cuja abordagem violeira achei certeira. Eu e uns tantos cantamos junto, foda. Cantou a do Baleiro tb, e ainda a de Tião Carreiro. As demais fpram todas instrumentais.
Vignini fazia comentários, às vezes bullyings com Zé Helder, e contava histórias – causos? – dos sons. Abriram com “Sonífera Ilha”, no q foi fundo: “os Titãs ñ autorizaram entrar no disco, mas a gente tocou no começo só de raiva”. (Achei foda). Depois ia nomeando os sons todos, alguns deles com “autor autorizou”.
Sim, tocaram “Raining Blood”. Bah. Valeu pela introdução satânica (pedais de efeito dando clima). E tocaram no todo 16 sons, no q a platéia cantava (letras) (às vezes riffs) junto, e ficariam ali pro final, autografando, tirando selfies e vendendo merchan.
Como tem q ser.
Show digno. Artistas honestos. Lugar na medida.
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Repertório: 1. “Sonífera Ilha” 2. “Heavy Metal do Senhor” 3. “Flores em Você” 4. “No Quarter” 5. “Medo” 6. “Até Quando Esperar” 7. “Mestre Jonas” 8. “Um Bilhete Pra Didi” 9. “2001” 10. “Chora Viola” 11. “Raining Blood” 12. “I Want to Break Free” 13. “Wasted Years” – bis: 14. “Eine Kleine Natchmusik” com “Thunderstruck” 15. “Black Dog” 16. tema da 9ª sinfonia de Beethoven com “Aqualung”
[ñ rolou “Meu Amigo Pedro”…]
[ñ encontrei vídeo pra postar]
PHODA COM PH
Eu vi o fim da Tv Tupi, fechamento do sinal pela Ditadura Militar.
Grande coisa. Mas fui pegar a data. Foi em 18 de julho de 1980.
Sendo assim, fica ainda mais antiga essa participação do Cólera num programa chamado Olimpop, meio um show de calouros de bandas de universitários…
Consta na descrição do YouTube q está como extra no dvd-documentário “Botinada”. Q eu tenho, mas ñ lembrava.
O q me impressiona mesmo é a QUALIDADE do som. Rock In Rio na tv a cabo perde ahahah
ZAROLHO SECO
O precedente já existia: há quantos anos ñ houve aquele “racha” no Garotos Podres pq seu baixista fascista começou a falar bem do Bolsolixo?
Racharam, os caras gravaram sem o vocalista (Mao) um disco q ñ fiz a menor questão de adquirir, “Saúde & Trabalho”, o vocalista seguiu como O Satânico Dr. Mao & os Agentes Secretos e a banda mesmo tentou seguir só como “Garotos“. Mediante um processo pela disputa do nome.
Mais pífio q isso a banda ter durado tanto com um vocalista ostensivamente de esquerda e ligado ao PT. Diz muito sobre bandas q ñ ligam a mínima pras próprias letras ou pra q o vocalista diz ou deixa de dizer.
Mao conseguiu na justiça – e o baixista, Sukata, é adevogado – o nome, a banda (devidamente reformulada) e seguiu o baile. Sem disco novo ainda, e dos quais quase fui a show, gratuito, há uns 15 dias.

Agora, porra, Fábio do Olho Seco?
De histórico conhecido. Loja Punk Rock, na Galeria do Rock (de quando ainda ñ era Galeria do Rock, no fim dos 70’s) e quase q um ideólogo da porra toda?
Dá pra entender, recorrendo ao R.D.P. – “um punk vira crente para conseguir a salvação” – como consigo imaginar q outros daquela velha guarda (tipo Ariel e o próprio Mingau, q hoje toca na banda do Inútil Moreira) todos “virando” fascistas tanto quanto.
Ainda q tvz já tivessem esse posicionamento, mas enrustido. Saíram do armário.

Artigo de um certo Marcelo Moreira (ñ deve ser parente daquele saco de estrume com QI alto) no site/blog Combate Rock, diz o q penso:
http://combaterock.blogosfera.uol.com.br/2019/12/27/punk-apoiando-ato-terrorista-revela-um-lado-mais-do-que-sombrio-do-rock/
Compartilho o seguinte texto, de um certo Felipe Silvatti no Facebook, preciso, pra arrematar:
“Os punks e o bolsonarismo têm uma coisa em comum: o discurso antissistema. Sim, eu sei que Bolsonaro encarna o que há de pior no próprio sistema político, mas ele conseguiu, por meio de sua retórica tosca, colar em si mesmo a imagem do “contra tudo e contra todos”. A soltura de Lula ressuscitou o anti-petismo de certos punks que andava meio adormecido desde o golpe contra Dilma. Vi muitos posts de punks indignados com o fato de ter tanta gente da cena “defendendo o PT”. Segundo os indignados, o punk sempre foi contra todos os políticos. Nem de esquerda, nem de direita, muito pelo contrário.
O problema é que esse punk essencialmente isentão só existe na cabeça dessas pessoas. Antonio Bivar documentou, em 1982, que muitos punks votavam no PT. Reportagem da Ilustrada, também de 1982, assinada por Pepe Escobar, observa que (palavras dele) “a maioria dos punks, por uma série de contingências, votam no PT”, embora não sigam o partido cegamente. Claro, estou falando dos primórdios do punk em São Paulo. Muita água passou debaixo da ponte de lá para cá. Mas esse papo de que o punk sempre foi contra todos é conto de fadas. Não é bem assim que a história se desenrolou. Para ilustrar, foto de uma banda punk tocando no diretório do PT, um dos raros espaços que permitiam às bandas mostrarem seu som, além de Centros Acadêmicos de faculdades. De esquerda, claro”.

O texto conta com uma foto do próprio Olho Seco – aparentemente acompanhado pelos caras do Cólera – tocando num diretório do PT.
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Simples de entender: essa escrotidão toda é só contra o PT.
Parece q o Fábio já apagou o post (tarde demais, vide acima: inventaram o print!) e o “Olho Seco ñ se pronunciou até o momento”. Sendo q o Olho Seco é e sempre foi o Fábio + uns caras q ele conseguiu juntar e q ninguém nem nunca soube nome. No máximo, o tal do Agrotóxico, q ñ sei q apito tocam.
Ñ se trata de “opiniões divergentes” q “têm q ser respeitadas”.
Porra nenhuma.
Apoiar Bolsolixo e tudo o q está acontecendo em searas nazistas e chacinistas (incluído o atentado com Coquetéis Molotov, de autoria assumida por neo Integralistas) é ser nazista.
Vão tomar no cu esses nazistas.
Minha única curiosidade, fora a decepção e NOJO do episódio, é saber se Jão, JG e Clemente se pronunciarão. Ou se já se posicionaram.
O PULSO AINDA PULSA
MELHORES BANDAS INSALUBRES POR AÍ:
- Olho Seco
- Claustrofobia
- Pestilence
- Asphyx
- Jane’s Addiction
- Cirrhosis
- Gangrena Gasosa
- Anorexia Nervosa
- Cólera
- Câncer
bônus DSM-5, ñ especificado: Insidious Disease
bônus “tomou Doril, sumiu”: Pain

