DEATH TO ALL
Carioca Club, 24.01.26
Gente, é banda cover.

Enquanto o Carioca sábado estava pouco abaixo de lotado pra ver o Death to All, o espaço pra bandas autorais e guerreiras como o Korzus é limado e formações ilustres como o Shamangra têm q deixar de tocar na Audio pra 2000 pessoas e se submeter a tocar a um Iglesia (capacidade pra 200).
O lacaio da Prevent Sênior andou anunciando show de proposta semelhante e aposto q monte de esquerdista lacrador deve boicotar. E a proposta é a mesma.
Pagar pau pra gringo vale? Qual a diferença pra esse outro Death Cover, safado e oportunista, mas nacional?

Falando sério: é diferente.
Max Phelps (clone de Chuck demais), Bobby Koelble, Steve DiGiorgio e Gene Hoglan, só de citar nomes, já demonstra a diferença. E a resenha já acabaria aqui.
Foram pouco mais de DUAS HORAS e minha impressão de q tocariam mais, se desse. Vindos de show em Limeira na véspera e de outros 3 durante a semana. E tocando as 20 músicas q vêm fazendo, acrescentada (fonte: Igor Miranda) de uma versão curta pra “Deliverance”, do Opeth, no comecinho do bis.

Impressiona q apenas METADES da formação ali presente – Hoglan e DiGiorgio/Hoglan e Koelble – tenham tocado junto em álbuns avulsos da horda de Chuck Schuldiner, “Individual Thought Patterns” e “Symbolic“, e o resultado tenha sido coeso e homogêneo.
Todos os sons de todas as fases contempladas soando coerentes, como provavelmente o seriam caso Chuck estivesse vivo com praticamente essa formação pro Death.
Todos os clichês de resenhas, apressadas ou IA, por aí citando “cerimônia” ou “culto” no meu entender cabem. Prefiro o termo usado pela Dani: “aula”.

Assim: o público estava estático e perplexo, assimilando toda aquela brutalidade técnica, cantando junto e batendo cabeça, sem tempo pra muita fotinho (ou vídeo) e só lembrando de fazer roda ali no final, em “Pull the Plug”. Tb achei menos onipresente o pessoal filmando com o celular.
Pq o q vimos sábado convidava à contemplação e, sim, ao aprendizado. Falando por mim: consegui finalmente assimilar a maioria dos sons – thought patterns – encontrar padrões e entender q os sons não são aleatoriamente técnicos.
Meus preferidos foram “Zero Tolerance”, “1.000 Eyes” e “Crystal Mountain”, do “Symbolic“, meu disco favorito da horda. Da parte do público, me pareceu terem sido “Pull the Plug”, “Zombie Ritual” e “The Philosopher”, nessa ordem.
Ajuda muito tb os músicos envolvidos não serem estrelinhas ou dados a querer “improvisar” nos sons (apesar de DiGiorgio beirar fazê-lo nos sons mais antigos). Tudo gente concentrada em tocar direito e honestamente aliviada – sobretudo Phelps e Koelble – em terem conseguido, som a som.
O nível de concentração era tamanho, q sobrava pra DiGiorgio ter q falar conosco. Se ainda não tem prática, vai conseguir.
Ao final, ele e Hoglan – nitidamente os chefes da firma – vieram nos agradecer e prometer uma “próxima vez”. Já vieram antes e é provável q consigam voltar. Pq há público. E pq soa SINCERO e zero necrófilo enquanto homenagem a Chuck Schuldiner, q foi um personagem e deixou uma OBRA. Ponto.
Alguém do espólio do homem deve permitir isso e tudo bem q envolva grana. É profissional, tem q envolver.

No mais, o som estava ótimo, eu finalmente vi Gene Hoglan – caralho – e não usaram camisa da CBF ou tocaram “Carry On” (duvido q conheçam Angraverso) ao final. Foda demais.
Foi assim q me lembro.
–
Setlist: 1. “Infernal Death” 2. “Living Monstrosity” 3. “Defensive Personalities” 4. “Lack Of Comprehension” 5. “Altering the Future” 6. “Zombie Ritual” 7. “Within the Mind” 8. “The Philosopher” 9. “Spiritual Healing” 10. “Symbolic” 11. “Zero Tolerance” 12. “Empty Words” 13. “Sacred Serenity” 14. “1, 000 Eyes” 15. “Without Judgement” 16. “Crystal Mountain” 17. “Misanthrope” 18. “Perennial Quest” – 19. “Deliverance” [Opeth] 20. “Spirit Crusher” 21. “Pull the Plug”
27 de janeiro de 2026 @ 16:14
Disse isso no dia e repito: tem shows que são pra curtir, e outros que são pra admirar. Esse, claramente, é um show do segundo grupo. Não tenho dúvidas que aparecerá em muitas listas de melhores do ano (faltando 340 dias).
Fora isso e tudo que Marco já disse, algumas notas esparsas:
1. Phelps está em processo de transição genética para se tornar o Chuck. É chocante. Não só nos vocais, mas no jeito, roupa, cabelo, … Um amigo que trocava ideia com ele na década passada pelo facebook disse que foi Masvidal quem fez a ponte.
2. diGiorgio faz o que bem entende com o baixo – que, pelo tamanho dele, fica parecendo um banjo. É um nível de domínio bizarro. Coisa de quem pratica 20h por dia.
3. Uma pena a bateria de Hoglan ficar atrás no palco. Mereceria primeiro plano, pq tem tanta coisa acontecendo antes que fica até difícil olhar pra trás.
4. Som impecável desde o primeiro acorde. Como é bom ver shows assim.
29 de janeiro de 2026 @ 12:27
Banda cover justificável. Serviço de utilidade pública. Estão passando a palavra adiante. Se rolar uma próxima, irei.
Ainda sobre o Chuck, há uns 15 anos, o Richard Christy fez uma campanha para arrecadar fundos para a gravação de um segundo disco do Control Denied que estaria pronto. Mas desde entao, nada. Parece que a família interferiu ou algo do tipo.