BRUCE DICKINSON… OU UM FAKE OF THE DARK?
Andei dando uma limpada aqui em casa e encontrei velhos recortes com entrevistas ou resenhas para jornais ou revistas nada afinadas com o heavy metal. Coisas de 20 anos atrás, velharias. Q resolvi transformar em posts pq renderão risadas, espanto ou discussões (se é q é pra isso q o Thrash Com H serve).
A q segue abaixo copiada é uma matéria de 1992 sobre o Iron Maiden, ainda ñ habituais ao nosso Brasil brasileiro, com entrevista e box de resenha (do “Fear Of the Dark”) por sujeito q ainda ñ tinha virado ghost writter mais ou menos aparecido de biografia do Lobão, Claudio Julio Tognolli. Foi acompanhada de foto de Bruce Dickinson na turnê “Powerslave” (1985 – 1986), daquelas com ele usando uma coruja empalhada na cara, ou coisa q o valha. Uff!…
(por minha vez, preferi ilustrar o post com foto mais horrenda)
Segue:
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CANTOR DO IRON ANUNCIA TURNÊ PELO BRASIL
A banda inglesa de heavy metal Iron Maiden chega ao Brasil nos últimos dias de julho, em uma turnê que começa em São Paulo, vai ao Rio de Janeiro e termina em Porto Alegre.
Em entrevista à Folha, por telefone, o vocalista Bruce Dickinson disse que a viagem não se justifica só pelo lançamento do novo LP, “Fear Of the Dark”. “Queremos conhecer de perto a música brasileira e, talvez, colocar alguns elementos dela no nosso trabalho”, diz.
Para quem conhece o trabalho do Iron Maiden, a afirmação sugere que a banda vai adotar um menu que, em última análise, não chegará a ter o gosto de qualquer coisa que um corvo não possa comer. Afinal, alguém consegue imaginar um berimbau subjugando o arbítrio de uma guitarra elétrica?
O novo disco do Maiden traz letras que Bruce considera “inovadoras” para a carreira do grupo. Por exemplo: “Fear is the Key” relata as paranóias e agruras de um adolescente que tem pavor de fazer sexo, assolado pela Aids. “Be Quick Or Be Dead” depara com a ilusão de um mundo contaminado pela corrupção, golpes de colarinho branco etc.
Para saber disso, tentando algumas palavras com Bruce, há que se cumprir uma tarefa inglória: o homem é seco, parece um Darth Wader do balacocabo – talvez porque, como todo roqueiro inglês, ele siga a máxima de Lorde Cecil: “Nunca explique, nunca peça desculpas”.
Adorado no Brasil, desprezado nos EUA (e nem de todo idolatrado na Inglaterra), Bruce Dickinson diz que o futuro do rock está nas bandas de Seattle, noroeste dos EUA. Considera o rock norte-americano atual melhor do que o inglês. E acha que os anos 90 não oferecerão muitas novidades estéticas no pop, mas apenas “mudanças de atitude”. A seguir, os principais trechos da entrevista.
Folha – Como você define esse novo LP?
Bruce Dickinson – É o nosso melhor disco nos últimos dez anos, desde que fizemos “The Number Of the Beast”. Gravamos em nosso próprio estúdio um grupo de doze músicas fantásticas, que falam de coisas como a Aids, corrupção na política, motivos ecológicos. Há também uma música mais lenta, “Wasting Love”.
Folha – Parece que vocês não mudaram em nada o jeito de compor, aquelas paredes de guitarras e baterias que parecem uma Harley Davison com sujeira no carburador.
Bruce – Devo dizer que eu ouço muitas coisas, quando gosto bastam três minutos para que uma música me influencie. Sei rapidamente o que é bom para mim e esse disco é um exemplo disso. Uma guitarra de seis cordas e a voz sempre vão ser a base de tudo, sempre. O que tem me influenciado agora é o Nirvana, Red Hot Chili Peppers, Pearl Jam. Essas bandas de Seattle são fora de série, fazem rock melhor do que se faz hoje na Inglaterra.
Folha – Mas esse último disco tem muito de Deep Purple…
Bruce – É que temos um guitarrista novo e fantástico, Janick Gers. Ele trabalho comigo em meu disco solo, “Tattooed Millionaires”. Ele também já havia tocado com a Ian Gillan Band e com o Deep Purple. Mas nós inovamos bastante. Quando afirmo isso tenho que explicar que nós, nesse disco, mudamos de atitude, ficamos mais sofisticados. O rock é uma atitude, você deve falar sempre o que está pensando e essa é a grande inovação.
Folha – O que você tem feito para tentar inovar?
Bruce – Ainda continuo um fã do Deep Purple, do Peter Gabriel, do Black Sabbath. Mas acho que, não sei se funcionaria, gostaria de, num próximo trabalho, ver algo de ‘world music’, ver com o tempo o que está acontecendo em áreas diferentes, inclusive elementos da música brasileira, que quero conhecer bem agora. Por que não? Também quero tentar essas coisas na Argentina e no México, para onde vamos depois do Brasil. No final de tudo isso, começamos nossa turnê na Europa, no dia 15 de agosto.
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[box resenha]
BANDA SE PERDE NAS MIÇANGAS
É melhor que os fãs do Iron Maiden não acreditem em Bruce Dickinson ao esperar de “Fear Of the Dark”, já lançado pela EMI-Odeon, algo melhor que “The Number Of the Beast”. O grupo tenta resgatar as frequências irrecuperáveis do Deep Purple e se perde em miçanguices. Há que se tomar xarope depurativo antes de ligar a vitrola.
O Maiden esqueceu que, para quem é limitado, a variação dos timbres serve como uma saída para enganar o ouvinte pouco exigente. Os rapazes tentaram esse ardil, mas adotam truques antigos: guitarras, em blocos de intervalos de terças e quintas, tentam bordar “novidades”; violões de doze cordas, com timbres mediavalescos, preparam a ambiência para guitarras incandescentes; trêmulos nos vocais são edulcorados com berros pontiagudos das alavancas Floyd Rose – um dos chavões que o rock trouxe no início dos anos 80.
Se sobra alguma coisa do disco, é a faixa “From the Eternity”, cujos blocos remetem à incandescência que algum dia gente como o Rush chegou a fazer. Também pouco resta daquele escárnio que Bruce Dickinson, pobre subsidiário de histórias de terror, costumava imprimir com suas risadinhas monstruosas. Enfim: o disco só serve para os fanáticos.

1 de fevereiro de 2013 @ 09:57
Vixe, recalque brabo, hein. Na época foi moda entre a crítica musical BR esculachar o heavy metal, na ocasião dos lançamentos do “Fear of the Dark” (que nem é tão ruim assim) e do “Dehumanizer”. Talvez para preterir pela nova leva grunge. Citar o “The Number of the Beast” como parâmetro de qualidade do Maiden é meio como um certificado da má-vontade e superficialidade da coisa.
Mas até que o Tognoli escreveu bonito. Só não concordo.
5 de fevereiro de 2013 @ 02:47
Vou na onda, cara: o momento era de uns certos críticos “major” voltarem-se ao heavy metal. Já pré-julgando tudo como repetitivo e primitivo, em resenhas e comentários posando de superiores.
Q é o q fica na matéria: o cara insistindo q o Maiden “ñ inova”. Os tais “blocos de intervalos de terças e quintas”: isso é a ESSÊNCIA do Maiden. Mudar isso – “inovar” – seria romper com a IDENTIDADE da banda. Tanto quanto o Slayer mudar as harmonias de guitarras em terceiras aumentadas (diabolus in musica).
A insistência em q “parece Deep Purple” me irrita. Claramente uma influência, mas ñ a única. Coisa de quem provavelmente ouviu um tanto de Rainbow, mas ñ ligou ‘a’ com ‘b’ e q CERTAMENTE jamais ouviu U.F.O. ou Thin Lizzy.
Crítico novidadeiro, como os herdeiros críticos indies de hoje, q falam mal de heavy metal e abominam progressivo, mas adoram Radiohead, Muse ou Mars-Volta, q carregam nas tintas disso adoidado. Inovadores pra quem nunca ouviu kraut rock ou progressivo além de ELP, Pink Floyd e Genesis…
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A parte do “escreveu bonito” concordo. Apesar duns jogos de palavras e frases feitas a mim vazios: o q ele quis dizer com “adotar um menu que, em última análise, não chegará a ter o gosto de qualquer coisa que um corvo não possa comer”?!?!?
Fora o erro de profecia: se soubesse q, 4 anos mais tarde, Max Cavalera subjugaria o “arbítrio da guitarra elétrica” com berimbau… E o erro na transcrição: “From the Eternity” ñ existe no LP. Nem no Cd. Tvz estivesse querendo dizer “From Here to Eternity”…
Aliás: todos os erros de ortografia ou nomeação do artigo foram por mim copiados sem corrigi-los.