BLACK PANTERA
Cine Jóia, 23.08.26
Não tem muito o q dizer desses caras q o Leo não possa melhor complementar ou q a gente não esteja vendo a olhos vistos.

Um show sem festival nem banda de abertura num domingo (dia tradicionalmente ruim pra shows aqui em São Paulo – ou estaria mudando isso?) quase sold out. Só Black Pantera, lançando o 5⁰ disco em 12 anos, “Continental“.
Q consigo dizer, sem ter ouvido antes (não uso Spotify) e sem ter o artefato à venda, q as músicas novas estão foda. E parecendo fruto de planejamento estético: se em “Ascensão” eles focaram no hardcore e em “Perpétuo” em soar mais acessíveis (à Charlie Brown Jr), “Continental” parece estar mais metal. Bora agregar os metaleiros não reaça ao rolê.
O público me parece heterogêneo e não necessariamente molecada: vi tio grisalho entoando letras. E públicos indie, de hardcore, metaleiros geração SOAD/Slipknot e pardo/preto. Todos com lugar de fala e pertencimento.
Q vinha dos sons ambientes tocados ali no Cine Jóia antes: à exceção dum Faith No More, dum System Of A Down, dum Slipknot e de “Raining Blood”, só banda de negão – Punho de Mahin, Nova Twins, Zepelim e o Sopro do Cão, Body Count, Living Colour – fazendo o aquecimento.
Curadoria.

Defeitos, pra mim, dois: 1) faltar o disco novo físico no merchan, de resto bem variado; 2) prometerem show às 19h e começarem às 19:30. De todo jeito, em relação ao segundo, foi pouco mais de hora e meia de som e papo estritamente necessário. Palestina livre incluído. Pareceu estarem querendo demais mostrar os sons novos, acompanhados dum tecladista q acrescentou bastante em ambiências e harmonias.
Outra bola dentro dos corinthianos + são paulino.
Os sons mais antigos, impressão, ficaram mais pro final e posso dizer q o repertório soou homogêneo e coerente. Charles, Chaene e Pancho estão voando e ocupando espaço.
O q é o ensejo real dessa resenha: com toda a estrutura, puta som e público agregado, vi q os caras tocaram mês passado – e DE GRAÇA – no Sesc Campo Limpo, bairro periférico daqui na Zona Sul.
Deve ter lotado.

Os caras não sobem à cabeça e parecem tocar – com condições – em qualquer lugar, de qualquer tamanho. Pq, reitero, parece objetivo deles ocupar espaços e representar públicos. Estão conseguindo sem se corromper.
Ao mesmo tempo, oponho isso ao público babaca do tal Trovão jeca, q fez mil pessoas no Sesc Belenzinho ainda este mês, de q eu vi matéria (de youtubber) com o pessoal falando em “eles vão tocar lá fora e em Português, representando o Brasil”. Putz.
Grande coisa. Massacration tocou em Londres mês passado – aliás, não vi repercussão ufanista. Faces Of Death, thrash retrô em inglês, anda com shows europeus marcados. O Chaos Synopsis já tocou fora bastante tb.
E ao mesmo tempo, tocar fora e em Português é coisa q Cólera e Ratos de Porão já fizeram demais.
E q recentemente Manger Cadavre?, Agrotóxico, Papangu (bah), Punho de Mahin (18 shows em 12 países em 20 dias no Leste Europeu início do mês) e agora o Lamento (turnê rolando de 7 shows no Japão) estão fazendo. E representando quem curte, e não bravatas patriotárias.
A fila andou: o Sepultura acabou, o Franga gigoleia otário e me parece ter muita banda por aí pra conhecer. E sem ficar produzindo conteúdo pra rede social. Black Pantera e tantos outros estão bugando a Matrix e eu acho isso foda.
26 de agosto de 2026 @ 14:02
Marcão falou tudo sobre o show, então vou entrar pela brecha que ele deu pra falar do disco que ele ainda não comentou.
Discaço! Muito melhor que o anterior. Ainda não vi quem fez a produção, mas, considerando que o último foi o Rick Bonadio – o que justifica a guinada tentando ampliar o público, que acho que descaracterizou um pouco a trajetória. Nesse sentido, correção de rota acertadíssima. Paulo, um colega presente ao show, disse que os pontos altos de “Perpétuo” são mais altos que os de “Continental”, embora o último seja homogeneamente melhor. É uma boa leitura. Seja como for, “Continental”, além de muito mais pesado, é de fato mais homogêneo. Uma virtude e tanto, se considerarmos a diversidade das parcerias no disco, de Derrick Green a Sandra de Sá (diversas em estilo, absolutamente coerentes em proposta); e mesmo musicais, com passagem à la Iron Maiden (todo baixista tem um pouco de Steve Harris!) a músicas mais pop, sem perder a mistura que já é tradicional do hardcore com black music da banda. Ressaltando: discaço!
No show tocaram o novo CD inteiro na íntegra na primeira metade e os sons antigos na segunda. Boa escolha. Considerando ser a primeira apresentação ao vivo, naturalmente, a energia foi diferente. Absolutamente justificável uma certa ambientação ao funcionamento delas ao vivo – muitas tem métrica de vocal diferente da rítmica, inclusive. Seja como for, as músicas novas soaram muito bem ao vivo (mesmo as passagens que estranhei no disco encaixaram melhor ao vivo) e já tem um apelo forte no público que estava lá. Como o Marcão disse, público mais heterogêneo que os últimos shows de que me lembro. Nesse sentido, acho que precisamos considerar a casa. Já a segunda metade do show, com os sons mais clássicos, foi pé embaixo o tempo todo.
Seja como for, Black Pantera, ao lado da Crypta, a meu ver são o que de mais importante aconteceu nesse universo da música pesada no Brasil nos últimos anos, provavelmente desde o surgimento da Pitty. Digo isso não porque tenha necessariamente alinhamento com a produção dela, mas porque ela foi muito importante para trazer uma geração de garotada para a música pesada. E isso tem um valor inestimável. Crypta e Black Pantera dão um passo além, tanto musicalmente quanto na representatividade. São ícones em que essa garotada se reconhece e encontra um lugar social – o que é fundamental, principalmente nesse mundo pós pandemia. Viva!
28 de agosto de 2026 @ 13:09
Não sou muito fã nem do Black Pantera nem do Punho de Mahin, por exemplo, mas o bastão foi passado e eu que me foda. Rs. Tem público, fazem um som honesto, estão subindo e pronto. A fila anda mesmo, e é bom que banda nova apareça e fortaleça a cena.
Quanto mais, melhor.
29 de agosto de 2026 @ 02:53
Não sou entusiasta da horda. Especialmente, o álbum anterior não me deixou uma boa impressão. Mas lendo a analise do Leo, é interessante entender a cronologia dos lançamentos. Fiquei curioso pelo álbum mais recente.
Sim, a fila está andando.