Dias antes do Mr.Bungle, o amigo bonna mandou a novidade da abertura do Test e uma possibilidade (cover pra “Refuse/Resist”), vinda do site de setlists.
Comemoramos a primeira, imediatamente em relação à segunda, torcemos: “tomara q sem o Andreas”. E assim foi.
Saio do Cine Jóia segunda, encontro o bonna no dogão da frente, a primeira coisa q falamos: “q ótimo, foi sem o Andreas!”. Metaleiro próximo, novinho, me abordou:
“Ué, mas vc não gosta do AndreasKisser?”
Ai.
Levou uns 2 segundos pra eu articular (não estou acostumado) minha opinião de achar q o cara é um arroz de festa, e q tinha cansado de participação dele em tudo. É q o Sepultura já tinha acabado. Saiu um esboço dessa opinião.
Sujeito me rebate: “ah, então vc é do ‘time Cavalera’?”
Putz.
Virei pro bonna, meio pedindo ajuda, continuamos nessa toada meio do contra, eu tentando pontuar q não tinha nada disso, e quando percebi já estávamos em algum outro assunto e tínhamos isolado o sujeito, q virou de lado e saiu andando.
Não tem como ter uma banda com Scott Ian e Dave Lombardo e não ficar bom.
Assim: o “problema” é q é porrada o tempo todo. Daí aquelas músicas antigas esquisitas do Mr. Bungle foram duas, sendo q “Retrovertigo” nem tocaram inteira. O resto foi o material novo – da demo antiga – e ficou faltando um pouco de variação.
Eu normalmente não gosto do Mr. Bungle, acho superestimado e cheio de “coisinha”. Mas segunda (dia ruim) lá no Cine Jóia (lugar ok) eu senti falta das “coisinhas”.
Compensaram com 5 covers esquisitos q deram dinâmica. Pra alívio dos hipsters*, q pareciam metade da platéia. Abriram com alguma homenagem latino-americana, Dave Lombardo no bongô, com a música de abertura da série “Narcos”. “Tuyo”. Ficou foda.
Divago: esse Mr. Bungle2.0 é uma encarnação totalmente comercial. Mike Patton ressuscitou a demo de metaleiro zoeiro púbere, juntou 2 ícones do metal pra valer e estão em rolê.
Quero ver quando (ou se) sair material novo com essa encarnação formação, já q Trey Spruance (guitarrista) não é nem um pouco fraco e o discreto Trevor Dunn tem seus predicados como baixista.
E claramente todos ali se divertindo. Olho no olho, pausas entre as músicas pra confirmar ou não sons, Scott Ian rachando de rir em “I’m Not In Love” (10cc) e até mesmo Patton interagindo, muito diferente daquele autista tocando de costas pro público nos dias de FaithNoMore.
FaithNoMore, aliás, q só compareceu nas camisetas (maioria) dos presentes (e me pareceu prevalecer a da capa de “KingForADay, FoolForALifetime”) e no momento em q um povo na pista ressuscitou o “porra caralho”, a princípio refutado (“é de outro tempo”, disse Patton), depois incorporado no início de “Refuse/Resist”. Q achei muito melhor q a versão de “Territory” q andaram cometendo.
E um momento “média com a torcida” até desnecessário, pq desde o início jogaram um jogo ganho.
Divago de novo: como descrever a sumidade Dave Lombardo? Assim: tudo quanto é vídeo q vcs possam estar vendo em Instagram e YouTube dá pra OUVIR o sujeito tocando. Mal dava pra vê-lo – tambores e Trevor Dunn na frente me atrapalhando – mas consegui honrar meu compromisso religioso ali.
Não q os hipsters* soubessem de quem se tratava, mas enquanto parte da metade metaleira me senti representado. Continua sendo um dos meus bateristas favoritos.
E em termos de momentos favoritos, elejo 6: “Eracist”, a versão em “Português” pra “Speak English Or Die”, “Raping Your Mind”, a cover de Exploited (“Fuck the USA”), a de 10cc citada e “Refuse/Resist” sem Andreas!
Tudo o q estão dizendo e recortando de bom, eu juro ser verdade. Mas a verdade é q o Mr. Bungle agradou às pessoas diversas ali presentes (muita gente cantando junto!), ainda q de modos diversos.
PS – tá, só esse mascote coelho eu acho feio e nada a ver
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Quanto ao Test, pouco a dizer, mas definitivo:
Não foram um show de abertura. Fizeram 40 e poucos minutos do q sempre fazem, só q MELHOR. O melhor show deles q já vi e candidato forte a top 10 de 2026. Vcs não leram errado
o amigo bonna viu lá do mezanino Lombardo e Spruance curtindo a apresentação dali do palco. Patton agradeceu e os elogiou DUAS VEZES. Difícil não ficar estupefato
impossível ter ficado indiferente: os hipsters não conseguiam discutir briefing de agência durante e quero crer q eu era da minoria metaleira q os conhecia. Ficamos todos chocados
o grindcore está superado. Deixaram-no pra trás. Test comete proggrind, grind jazz ou pós-grindcore. Ou tudo isso misturado, temperado a decibéis açoitados e a contragosto do freguês.
João Kombi e Thiago Barata, caralho. AndreasKisser quem?
*como reconhecer um hipster em show: queixo empinando e segurando um copo de cerveja numa mão enquanto tenta usar o celular na outra. No meio da pista. Fazem cara de nojinho quando tem roda. Gostam de conversar logo após o primeiro som, pq são “ansiosos”, têm TDAH e se acham dignos(as) de atenção
E ficou bom pra caralho. Muito melhor que o último!
Numa linha de thrash mais recente, com elementos de deathmetal melódico, pro-tools, mais bem produzido. Sem as bobagens de metaleiro cachaceiro do último.
Enquanto o Carioca sábado estava pouco abaixo de lotado pra ver o DeathtoAll, o espaço pra bandas autorais e guerreiras como o Korzus é limado e formações ilustres como o Shamangra têm q deixar de tocar na Audio pra 2000 pessoas e se submeter a tocar a um Iglesia (capacidade pra 200).
O lacaio da Prevent Sênior andou anunciando show de proposta semelhante e aposto q monte de esquerdista lacrador deve boicotar. E a proposta é a mesma.
Pagar pau pra gringo vale? Qual a diferença pra esse outro DeathCover, safado e oportunista, mas nacional?
Falando sério: é diferente.
Max Phelps (clone de Chuck demais), Bobby Koelble, Steve DiGiorgio e Gene Hoglan, só de citar nomes, já demonstra a diferença. E a resenha já acabaria aqui.
Foram pouco mais de DUAS HORAS e minha impressão de q tocariam mais, se desse. Vindos de show em Limeira na véspera e de outros 3 durante a semana. E tocando as 20 músicas q vêm fazendo, acrescentada (fonte: Igor Miranda) de uma versão curta pra “Deliverance”, do Opeth, no comecinho do bis.
Impressiona q apenas METADES da formação ali presente – Hoglan e DiGiorgio/Hoglan e Koelble – tenham tocado junto em álbuns avulsos da horda de Chuck Schuldiner, “IndividualThoughtPatterns” e “Symbolic“, e o resultado tenha sido coeso e homogêneo.
Todos os sons de todas as fases contempladas soando coerentes, como provavelmente o seriam caso Chuck estivesse vivo com praticamente essa formação pro Death.
Todos os clichês de resenhas, apressadas ou IA, por aí citando “cerimônia” ou “culto” no meu entender cabem. Prefiro o termo usado pela Dani: “aula”.
Assim: o público estava estático e perplexo, assimilando toda aquela brutalidade técnica, cantando junto e batendo cabeça, sem tempo pra muita fotinho (ou vídeo) e só lembrando de fazer roda ali no final, em “Pull the Plug”. Tb achei menos onipresente o pessoal filmando com o celular.
Pq o q vimos sábado convidava à contemplação e, sim, ao aprendizado. Falando por mim: consegui finalmente assimilar a maioria dos sons – thoughtpatterns – encontrar padrões e entender q os sons não são aleatoriamente técnicos.
Meus preferidos foram “Zero Tolerance”, “1.000 Eyes” e “Crystal Mountain”, do “Symbolic“, meu disco favorito da horda. Da parte do público, me pareceu terem sido “Pull the Plug”, “Zombie Ritual” e “The Philosopher”, nessa ordem.
Ajuda muito tb os músicos envolvidos não serem estrelinhas ou dados a querer “improvisar” nos sons (apesar de DiGiorgio beirar fazê-lo nos sons mais antigos). Tudo gente concentrada em tocar direito e honestamente aliviada – sobretudo Phelps e Koelble – em terem conseguido, som a som.
O nível de concentração era tamanho, q sobrava pra DiGiorgio ter q falar conosco. Se ainda não tem prática, vai conseguir.
Ao final, ele e Hoglan – nitidamente os chefes da firma – vieram nos agradecer e prometer uma “próxima vez”. Já vieram antes e é provável q consigam voltar. Pq há público. E pq soa SINCERO e zero necrófilo enquanto homenagem a Chuck Schuldiner, q foi um personagem e deixou uma OBRA. Ponto.
Alguém do espólio do homem deve permitir isso e tudo bem q envolva grana. É profissional, tem q envolver.
No mais, o som estava ótimo, eu finalmente vi Gene Hoglan – caralho – e não usaram camisa da CBF ou tocaram “Carry On” (duvido q conheçam Angraverso) ao final. Foda demais.