GAROTOS PODRES
Sesc Belenzinho, 27.09.25

Não acho exagero afirmar q os Garotos Podres vivem em 2025 o melhor momento da carreira.
Desafiando toda uma escrita do rock, contando com um único integrante original e não parecendo uma banda cover ruim de si própria. Vindos de turnê européia recente (Escócia, Irlanda e Inglaterra) e prestes a encarar turnê de 4 shows em Portugal neste próximo mês de outubro.
E fazendo um show sold out sábado pra celebrar os 40 anos de “Mais Podres Do Que Nunca“, disco inabalável, indelével, inoxidável, influente e sem bolor.

Executado na íntegra – com exceção daquela última faixa obtusa q ninguém pediu, nem eles justificaram, tampouco consta do LP relançado à venda – nos primeiros 20 minutos da apresentação. Encerrada “Liberdade (Onde Está?)”, o guitarrista Deedy agradeceu e se despediu ahahah
SQN. A banda tocaria ainda outros 14 sons, entre os hinos austeros “Rock de Subúrbio”, “Subúrbio Operário” e “Aos Fuzilados da CSN” e os galhofeiros “Vomitaram No Trem”, “Mancha” (6ª série B mesmo), “Kim Jonguinho” e “Verme”.

E a relevância do discurso crítico e esquerdista predominou. Melhor momento? “Anistia?”, de 1988 e parecendo ter sido feita HOJE. “A Internacional”, hino marxista-leninista, foi impecavelmente entoado por Mao, q em partes lia colas no palco, ora não. Deve estar no DNA, há muito decorada.
Mao é o fiel da balança no quesito carisma, mas tb nas poucas falhas, devido aos 62 anos. Assim: a banda, entrosada em alto nível, tem q acompanhar o homem em suas flutuações de andamento.
Dava certo na maior parte das vezes, em “Oi, Tudo Bem?” (HINO) e em “Mancha” ficou estranho. Mas ninguém ligou e faz parte. Em termos de tonalidade e gritaria, o homem tá impressionante ainda.

O público era majoritariamente veterano, o sold out não significou 700 lugares vendidos (chuto uns 500, o q não é pouco) e tinha bastante criança presente, o q o guitarrista fez questão de apontar e enaltecer. Renovação de público, e se o discurso parece o mesmo é pq as coisas estão as mesmas…
Lembraram ainda de louvar o falecido Rédson (Cólera), produtor de “Mais Podres Do Que Nunca” e um momento q achei significativo foi quando Deedy entregou q a atual formação estava tocando pela primeira vez muitos daqueles sons de 1985.
Reitero: não são uma banda cover e não fizeram um show saudosista.

Outro detalhe fundamental no show: o som estava impecável. Mesmo quem estava ali conhecendo a banda pela primeira vez, conseguia ouvir e entender tudo, dos protestos à zoeira.
Q o diga meu enteado, Arthur, q ficou depois procurando – obviamente – as faixas “6ª série” (“Mancha”, “Oi, Tudo Bem?”, “Vomitaram No Trem”). Já é um começo.
Dois defeitos: 1) “Kim Jonguinho”, música tonta e pra mim destoante; 2) acabarem faltando 5 minutos pras 22h – dava pra terem tocado mais uns 2 sons ahahah
Tb achei q a presença de algum ex-integrante faria algum sentido, mas não sei de bastidores ou tenho lugar de fala suficiente pra reinvidicar.

O resumo da coisa: um show à altura do repertório, da efeméride e da banda. O Garotos Podres em 2025 é um compêndio cumulativo de todas as fases discográficas e dos 40 anos recentes de Nova República meu ovo História do Brasil.
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Um bônus pessoalmente auspicioso: o disco único de O Satânico Dr. Mao e os Espiões Secretos, de 2014, estava à venda relançado e rebatizado como “Contra os Coxinhas Renegados Inimigos Do Povo” e CNPJ Garotos Podres de fato e de direito, a 20 contos. Estava há muito esgotado, peguei.
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Set-list: 1. “Não Devemos Temer” 2. “Johnny” 3. “Insatisfação” 4. “Maldita Polícia” 5. “Vou Fazer Cocô” 6. “Anarquia Oi!” 7. “Eu Não Sei o Que Quero” 8. “Papai Noel Velho Batuta” 9. “Miseráveis Ovelhas” [dedicada a Silas Malafaia] 10. “Liberdade (Onde Está?)” 11. “Garoto Podre” 12. “Oi, Tudo Bem?” 13. “Vomitaram No Trem” 14. “Rock de Subúrbio” 15. “Subúrbio Operário” 16. “Avante Camarada” 17. “A Internacional” 18. “Grândola Vila Morena” 19. “Aos Fuzilados da CSN” 20. “Repressão Policial (Instrumento do Capital)” 21. “Anistia?” 22. “Mancha” 23. “Kim Jonguinho” 24. “Verme”





