agosto 2025
Q SE FODA O JOHN CONNOR

Fear Factory, “Genexus“
Q os algoritmos e tribunais de redes sociais todos registrem: sou favorável à dominação de tudo pelos robôs.
Por isso ouço e venho postando recorrentemente Fear Factory aqui e ali. Música distópica e robótica. Futuros hinos de triunfo a serem entoados pelos legítimos donos da Matrix.
Música de IA é outra coisa. Indolente, mainstream, feita por humanos com base na Lei do Mínimo Esforço. Será apagada da História.
Futuro não tão distópico, pensando bem.
Prefiro virar pilha alcalina ao som de “Autonomous Combat System”, “Anodized”, “Protomech” e “Expiraton Date” daqui à atual condição de ouvir divas pop de shortinho. Se bem q não sou obrigado. E não o faço.
Divaguei. Bora, robozada. 10 anos de lançado.
MÁ SORTE

Motörhead, “Bad Magic“
Um disco fúnebre. Pq o último. E, obviamente, por conta do falecimento de Ian Lemmy Kilmister exatos 4 meses após lançado, em 28 de dezembro de 2015.
Mas pq tb um disco mórbido.
Percebe-se um Lemmy cansado nos vocais (Pro Tools me parece q a banda já usava desde “Motörizer“, de 2008) e um excesso de músicas – 13 – q não condizia com a média da banda em discos.
Como se Lemmy tivesse ciência de q não duraria mais muito e resolvesse ter o q dizer. O “Aftershock” (2013) anterior tb teve isso. As letras já tinham se tornado imensas pouco antes, em “Hammered” (2002).
“When the Sky Comes Looking For You” foi single e um videoclipe pesado, beirando o mau gosto. Agourento. A ironia definitiva foi o final coverizando “Sympathy For the Devil”, q nem acho o melhor cover de Rolling Stones por eles cometido.
Os demais 11 sons incluem pauladas (“Victory Or Die” e “Thunder And Lightning”), as setentosas “Fire Storm Hotel” e “Tell Me Who to Kill”, sons mais bluesy (“Till the End” e “The Devil”) em meio aos sons mais típicos – “Motörhead é tudo igual“, uma ova – mas a real é q passados 10 anos de lançado, ainda não dei aquela devida atenção ao trabalho.
Por razões fúnebres, mórbidas, agourentas e cansadas. Prefiro lembrar de Lemmy, Phil Campbell e Mikkey Dee de até o “The Wörld Is Yöurs” (2011), quando não estavam ainda desfalecendo.
Não é um disco ruim ou indigno, q me lembre. Tvz daqui a 10 anos.
MAIS UM, MAIS DO MESMO
Como era de se esperar, não tocaram esta na turnê recente por aqui. Apesar de lançado sexta-feira última.
Como se estivessem ainda em turnê do “Titans Of Creation” (2020). Aliás, tocaram NADA de “Titans Of Creation” na turnê – será q alguém pediu?
Não me parece q o Testament faça turnês, e sim shows quando pinta show.
Vieram há 2 anos pro primeiro Summer Breeze Brasil, com expectativa – logo mitigada por eles, não pelo fest – de Dave Lombardo em sua formação. E já tinham o “Titans“, mas devem ter tocado dele o single/videoclipe (“Children Of the Next Level”), se muito.
Tem disco novo vindo aí, “Para Bellum“, 5 anos após o apagado último, mas quem liga? Capa feia. E pagar 80 reais novo na Galeria, ainda por cima. Som novo, ok. Mas nada demais. Não é ruim, nem incrível – ao contrário do videoclipe, achei. Nada de novo clássico.
Meu ponto é: desde “The Formation Of Damnation” (2008), a banda lança disco a cada 4 anos. Pra esse novo, o intervalo subiu pra 5 e provavelmente em 2030 teremos um novo Testament. E pra quê?
Acho louvável q ainda se empenhem em fazer coisas novas e não virar uma banda cover oficial, mas acho tb q um Testament Cover Oficial sazonal, coisa e tal, não seria tão ruim.
Não é só sobre o Testament isso, mas acho o caso mais palpável. Mais um, menos um, mais do mesmo.
NAMELESS GODS • ETHEL HUNTER • IN RAZA
Depois do Fim do Mundo Estúdio, 24.08.25

Duas premissas pra embalar o comentário em parágrafos (vulgo resenha) desse rolê:
- “Não há mais lugar pra amadorismo no underground“, tese do Leo
- Existe uma nova geração ocupando espaços e nem aí pra Metallica, Slayer, Iron Maiden e Sepultura, o q acho ótimo. Página VIROU
Domingo, fim de tarde. Fomos, Leo e eu, ao tal estúdio na Zona Oeste (região onde está germinando todo um cenário novo pra punk, hardcore e metal) q oferecia ótimas condições: lugar de show, local atrás pra fumar e socializar, banheiros decentes, bar e lanchonete zero precários.
Nenhuma. Saudade. Da Led Slay.

O evento começou e terminou pontualmente, às 18:30 e 21:30. Fora integrantes das 3 bandas e o povo do lugar, umas 20 pessoas. Incluído Fabio Massari, com quem trocamos idéia. No tamanho do público e das bandas, ainda incipientes (num certo sentido) mas já dando o bote.
Considerando q o evento concorria com o Testament sold out no Carioca (tb Zona Oeste), estava legal. Nenhuma ilusão de estrelismo ou de pagar pra abrir pra banda gringa, nem de “estourar lá fora”. 3 bandas – e o Ethel Hunter vindo de Curitiba – dispostas a mostrar seu som. Detalhe importante: ninguém tocando cover pra chamar atenção.
Além disso, todas as bandas munidas de equipamentos decentes, sem ode ao precário. Apesar do prato rachado do baterista do Nameless Gods, q entendo circunstancial: prato é caro pra caralho.

E era só um. E soava bem. E o cara manda muito.
Outro detalhe importante e não intencional (não no sentido apelativo e às vezes clichê pra vender show): as 3 bandas com vocalistas femininas mandando gutural. Todas impressionantes. Empoderadas mesmo.
*****
Às bandas:
Nameless Gods comete um death (no baixo) quase black (nas guitarras) com doom (na roupa da vocalista eheh) e groove (na bateria). Achei melhor q há uns meses lá no 74club, e não pq o som de lá é mais abafado. Pq a banda parece ainda melhor e mais ensaiada.
A proposta me soa original e saírem tocando deve dar mais experiência ao time. Ainda tocam muito olhando pros instrumentos, apesar de não soarem amadores. Tenho q quando conseguirem interagir mesmo com a platéia devem atingir ainda melhor nível.

Baita show. Tocam ALTO. Último som, chamaram Fernanda (do In Raza) pra cantar junto. Clima colaborativo.
Os Nameless Gods são: Juan Azevedo (baixo e backings), Daniel Oliveira (bateria), Isa Moriki (guitarra), Damien Mendonça (guitarra) e Malu Sales (vocal). Têm um disco lançado, de 2024: “And That Sigil Meant Death“.
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Ethel Hunter o Leo já tinha visto no Iglesia e falou bem. Estavam em rolê paulista, com shows recentes no próprio Iglesia e em Limeira (Campinas?) e mandaram um death influenciado por Cannibal Corpse (sobretudo na vocalista) e Incantation e Immolation, segundo a vocalista.
Os destaques achei terem uma guitarra só e q não sola, um baixista impressionante tocando em slap praticamente o tempo todo (tanto q arrebentou uma corda!) e um baterista preciso e intenso usando camiseta da Sade ahahah
(falei pra ele mesmo, ali depois, q a camiseta era a coisa mais true do rolê)

A cara de poucos amigos era FOCO e sangue nos olhos. Fora do palco, trocaram idéia de boa. Curti de verdade – apesar do baixo um pouco alto – e me arrependi de não ter comprado um cd, q eles já têm dois.
O Ethel Hunter é: Larissa Pires (vocal), Gerson Watanabe (guitarra), Hernan Oliveira (baixo) e Weliton Lisboa (bateria). “Consciousness Awakening” e “Absence Of Light” são os discos.
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O In Raza foi meu 3⁰ show este ano e, sem desmerecer Nameless Gods e Ethel Hunter (banda não é competição – metal nacional é), soa e se vê como uma banda mais pronta. Tb por terem equipamento melhor, mas não só.
Cabem já, fácil, num Knotfest no lugar do Papangu.
Leo falou dum som à Jinjer, mas não chupim. Entrevista recente q li deles compila Gojira, Lamb Of God (q parece mais influente q o Machine Head pra essa nova leva de bandas com groove) e Mastodon às influências. Nova geração, finalmente.
Fernanda começa a barrar e se impõe. Na voz e na atitude. Dá até medo, no bom sentido. Possuída define. Baixista, guitarrista e baterista estão entrosados em nível quase simbiótico. No bom sentido.

A minha crítica é o baterista tocar MUITO forte. Em espaço pequeno e sem microfone, não parece necessário. Mas é coisa minha. Se os pratos aguentam, q mal tem? Ahah
A outra crítica é esse disco q estão terminando e nunca chega 🤔 Se vier com a produção devida, digo sem medo q pode virar um disco seminal e referência pro metal feito no Brasil. Fora merecedor da intensidade q a banda entrega.
Ao final, a vocalista do Nameless Gods cantou uma música junto, em retribuição.
In Raza: Fernanda Souza (voz), Robin Gaia (baixo), Bruno Ascêncio (guitarra) e Davi Oliveira (bateria). Estão anunciando o single “A Loner” pra 19 de setembro.
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Uma baita noite, de bandas muito contundentes e sem frescura, num lugar bem acessível e sem desculpas. Acho q esperava por isso há muito tempo.
Insisto: a página VIROU.
TEM Q PECHINCHAR
E por falar em brasilidade e cordialidade brasileira, nada melhor do q esta pérola, pintada do Igor Miranda:





