Setlist da turnê retrô (“capítulo inédito de Vale a Pena Ver De Novo”, como diria o gigolô monegasco de bet) do IronMaiden:
Pauta chata, vai. Mudou o quê?
O baterista (preciso analisar), umas duas músicas há muito não tocadas (a rigor, “Murders In the Rue Morgue” só, vai) e uns telões espetaculares.
Vai ver q foi isso q BruceDickinson quis dizer com “coisas q ninguém nunca viu” (ou coisa assim). Maiden entrando no século 21 em 2025 abandonando os backdrops de fundo artesanais/manuais.
Punho De Mahin, Atos de Vingança e Inocentes – Casa de Cultura do Butantã, 24.05.05
Dead Fish e Sepultura – palco Butantã, 25.05.05
Falei a amigos q não faria resenha dos shows da Virada Cultural, mas alguns outros e especialmente um novo colega espectador por aqui (seja bem vindo, Fernando Romano!), perguntaram a respeito, então meio q fiz. Em forma avulsa de comentários.
Foram 5 shows! Seguem:
UM: assim como Krisiun e RatosdePorão ano passado, percebi uma preocupação de Inocentes e Sepultura focarem em setlists mais “clássicos” devido ao público periférico, de muita gente q estava vendo as bandas pela primeira vez.
DOIS: chegando à estação Vila Sônia no domingo, vi muito fã de Fresno (tocaram antes do DeadFish) em sentido contrário. Voltando pra casa. Muita menina e gays. Não são o mesmo público de hardcore?
TRÊS: Clemente (Inocentes) meio perdendo a paciência com alguém na grade pedindo “Pânico em SP” desde o primeiro som. O mesmo tipo de idiota q vai a show do Krisiun pra ficar pedindo “Black Force Domain”. Falava pro cara “vamos tocar no final”, “vc só quer ouvir ela?”, “tem um monte de música ainda” etc. Tem o meu apoio.
QUATRO: barracas com copos d’água gratuitos. Estratégicos no domingo. Alexandre de Moraes presente ahahah Por outro lado, merchan do Devotos (tocaram antes do PunhodeMahin, não quis ver) vendendo cds a 80 reais achei irreal.
CINCO: Sepultura foi um baita show. Claramente muita gente ali vendo desde há muito ou pela 1ª vez. Pouco mais de hora e meia de repertório. Mas beirando o burocrático. Parece q estão empurrando a carniça, acho q deviam acabar logo. Greyson fazendo umas viradas só com bumbos, me pareceu disperso. Ou vai ver não se ouviu bem.
SEIS: nunca tinha ouvido DeadFish. Fizeram um show impecável, sem falhas na execução ou no som. Fiquei realmente admirado de como tinha gente cantando TODAS as músicas. Tiozões do hardcore (são 34 anos de banda) se abraçando, apontando uns pros outros, e tudo. Mas não é pra mim.
SETE: discursos anti-Bozo praticamente inexistentes. Clemente e DeadFish provavelmente estavam ligados em não fazê-los, pra vereador MBL filho da puta arrombado (redundâncias) não vir depois com lacração ou querer sustar cachê.
Durante o Inocentes, rolou do público um coro de “sem anistia”. Baterista acompanhou com bumbo, Clemente incentivou. Mas não instigou. Rodrigo DeadFish foi pelas beiradas: xingou o Agro, enalteceu o MTST e no final dum som mandou um “Bolsonaro vai ser preso”.
OITO: AtosdeVingança montaram os instrumentos e equipamentos no intervalo entre PunhodeMahin e Inocentes, tocando na rua. Na veia. Curti. Crossover mais puxado pra metal (vocal gutural, palhetadas, duas guitarras, pedal duplo na bateria do baterista acima da média), q gosto e penso estar em falta.
Falei isso pro vocalista/guitarrista, de quem não perguntei o nome e me entregou não serem banda “estamos gravando um disco”: tem sons no Spotify. Recomendo. E não foi exatamente uma intervenção: foram autorizados e tiveram equipamento cedido pela Casa de Cultura.
***
NOVE: cheguei sábado no primeiro som do PunhodeMahin, q não teve a produção (tipo telão) do Sesc recente, mas em compensação teve muito mais sangue nos olhos.
O som estava muito melhor q do Sesc. ALTO. O palco está ficando melhor e menor pra eles e elas. Coesão das músicas, discursos entre elas ficando mais retos e um público nitidamente novo a eles, mesmo a banda sendo periférica.
***
DEZ: sacanagem do Burger King apinhado de metaleiros e punks no domingo fechar os banheiros lá pelas tantas, alegando estarem “quebrados”. Ou foi pq a fila do banheiro estava maior q a do caixa?
Fossem shows do Agro, fariam o mesmo? De todo modo, almocei ali EM PÉ e tive q voltar ao metrô pra mijar no banheiro da estação/mall.
ONZE: sacanagem do metrô em DESLIGAR as escadas rolantes na volta da multidão pós-Sepultura. Entendo q tvz houvesse riscos – e mesmo a passarela por sobre a Avenida Pirajussara tremia com o tanto de gente passando – mas achei isso perverso.
DOZE: DeadFish e Sepultura serem as maiores atrações da Virada Cultural deve ser um “chupa” pra alguém. Não me ocorre a quem ou “quems”?
Não ter havido tretas ou mortes (houve risco) (e vi tiozões metaleiros desmaiando) tb me parece um grande “chupa” a quem tvz tivesse esperando pelo pior. Tvz organizadores q vêm reduzindo a Virada nos últimos anos.
TREZE: Sepultura mexeu no repertório tb incluindo “Choke” e “Agony Of Defeat”. Fracas. Deveriam rancar fora “Orgasmatron” tb. Pq fazer medley dela (tocar 1ª e 3ª estrofe) acho uma bosta. Já estava uma bosta ano passado, Derrick Green não sabe a letra e parece não querer saber.
Em compensação, “Desperate Cry” achei a melhor. Tinha um backingtrack de teclado, mas tudo bem. Não lembrava q ela tinha 1000 partes diferentes. “Atittude” foi tocada de pau mole (achei Greyson desinteressado nela) e “Dead Embryonic Cells” foi foda. Mas faltou “Biotech Is Godzilla” ou mais sons do “ChaosA.D.”.
CATORZE: sinalizadores adoidado no Sepultura. Não sei se chega a queimar filme pra shows de metal em próximas Viradas (e teve revista na entrada), mas me parece q depois do SystemOfADown vai virar regra.
******
E é isso o q me ocorre. Qualquer coisa, volto e acrescento coisa. Ou nos comentários. Façam comentários.
Recentemente, elogiei o Txuca pela qualidade das resenhas, que demandam muito conhecimento e uma boa dose de despojamento.
Dessa vez, tentarei atingir o ápice do meu despojamento num texto “escrevendo” essa resenha gravando minhas impressões em áudios e transcrevendo com ajuda de IA (me julguem! Rs).
***
O show do FabioLione, em condições normais, seria meu quarto em quatro dias. No entanto, uma viagem a Brasília me impediu de ver SystemofaDown, Carcass e a Eskröta (do lado de casa). Mesmo assim, foi um show especial pela companhia de dois grandes amigos, um do litoral e outro do interior de Minas, com quem já compartilhei muitas horas ouvindo Rhapsody — seja em jogos de RPG (quando jogador de RPG não era necessariamente reaça) ou na varanda de casa, em Leme.
Naquela época, o Rhapsody, assim como outras bandas de melódico, era o segundo passo para garotos deslumbrados com o metal pós-IronMaiden, antes de explorarem vertentes mais pesadas como Sepultura, Slayer e outras bandas de thrash e deathmetal (havia uma certa “linearidade” nesse processo que a internet desmontou completamente). Por isso, embora eu não tenha acompanhado os trabalhos do Rhapsody após o ‘PowerofTheDragonflame” — assim como tive um hiato com o Helloween pós-“TheDarkRide” — essa banda tem um papel nostálgico, capaz de reunir amigos que há muito não se veem.
A proposta de um show em teatro, embora inusitada, não é estranha quando se trata de Lione. O concerto contava com um coral de oito vozes, uma pequena orquestra e uma banda com duas guitarras, bateria e baixo. A meu ver, um show como esse demandaria uma casa com acústica melhor do que o Teatro APCD, mas a escolha era compreensível: próximo ao metrô e à rodoviária, facilitava o acesso de quem vinha de fora e de metrô. Ainda assim, assistir a um show sentado é curioso — e, para mim, um idoso de 40 anos, bastante confortável.
***
Cheguei no meio do show do Dogma. Sinceramente, nunca tinha ouvido uma música sequer da banda e nem sabia que haveria uma abertura — quando comprei o ingresso, só estava anunciado o show do FabioLione. Descobri depois o motivo: além de já estarem aqui para o Bangers, a baixista havia tocado na turnê de Lione na Argentina.
Dogma é uma banda formada por mulheres com uma proposta derivada do Ghost — que, por sua vez, também não é exatamente original. As integrantes não revelam suas identidades, exceto quando Lione chamou a baixista pelo nome (Patrícia Flores) no final.
O som é ok, em geral mais pesado que o próprio Ghost, com algumas músicas bem boas dentro da proposta, como “Pleasure for Pain”. No entanto, a hipersexualização da banda me incomoda, pois acredito que mina [ops!] um pouco o trabalho de outras bandas femininas que tentam combater um universo muito masculinizado e preconceituoso. O argumento é de que abordam temas de liberação sexual, o que dá coerência aos trajes e certamente as promovem em meio a incels, mas não sei se contribuem com a cena mais ampla.
A proposta era tocar “SymphonyofEnchantedLands” na íntegra (o que não aconteceu por uma música), seguida de outros clássicos. Aliás, Lione sempre ressaltou que se tratava do “Symphony” UM (!!!), já que a banda lançou um segundo do qual não parece se orgulhar.
O show foi competente e animado, especialmente para um ex-fã como eu, que estava ali apenas pelos clássicos (o que é ok, já que também se trata de uma ex-banda). Lione ainda tocou outras músicas da mesma fase, bem escolhidas. Não dava pra fazer muito mais, ou melhor, com esse número. O público era majoritariamente saudosista, levando acompanhantes por vezes não iniciados — um ponto positivo, pois shows em teatros são ótimos para apresentar o metal a quem não está familiarizado.
Os pontos altos pra mim, pra além das músicas, foram as diversas descidas de Lione até o público para cantar, interagir com a plateia e checar o som (às vezes, ao voltar, pagava geral para a equipe técnica); e a empolgação do coral e da orquestra durante toda a apresentação. Havia, sobretudo, uma das vocalistas do coral que estava particularmente entusiasmada em estar ali. É bom ver isso. Talvez essa galera venha de escolas de música que trabalham com metal, e tenha tido a oportunidade não apenas de compartilhar uma pequena turnê com um músico que claramente entende do riscado, mas também de aprender com o cara.
Aliás, é importante dizer que FabioLione não só está alcançando o que fazia no Rhapsody 25 anos atrás, mas, em alguns pontos, está até superando, como nos seus drives mais rasgados.
Isso me faz voltar à crítica que fazia aos últimos CDs do Angra dos quais participou: ele era o único que parecia realmente se esforçar e tentar levar a banda nas costas, enquanto os outros instrumentos soavam mais protocolares ou experimentais (caso claro de Valverde, que destoa tecnicamente para melhor) de integrantes de uma banda já um tanto desgastada e talvez mais interessada em outros caminhos. Alguém mais maldoso diria que FabioLione era o Noé do Angra.
***
Saldo final: show ótimo, extenso e, ainda que a acústica não fosse perfeita, muito redondo para quem estava ali e para o que estava ali. Aparentemente, a turnê foi bem-sucedida, já que Lione já anunciou uma nova com a mesma proposta. Que seja assim. Que faça mais e que entregue com a mesma qualidade.
edit: já comprei os ingressos como os mesmos amigos para o show do ano que vem. Rs
Aliás, uma coisa: não deveria ser hora de certos artistas engajados romperem com “o último show da formação original do BlackSabbath” ou vão continuar fingindo demência?