fevereiro 2025
SURRA
Noiado, Sem Remorso e Greve tocando antes – La Iglesia, 22.02.25
Não pensei q o lugar fosse tão pequeno.

Menor q o Sesc Avenida Paulista, q comporta 220 pessoas. Por outro lado, lugar underground sem fuleiragem e mambembismo: noite de grindcore prevista pra começar às 19:30 e terminar antes da meia-noite, com QUATRO bandas.
E rolou.
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Bora as bandas: Noiado começou um pouco atrasado (meio uns 15 minutos?) e tinham vocalista, baterista, baixista com camisa do Entombed e DOIS guitarristas. Um deles, recém entrado.
Achei o nome bem ruim, o vocalista um moleque um pouco animado demais e o som promissor. Se disseram inspirados pelo Surra e praticaram um certo grind com passagens mais lentas, à metalcore.

Letras em português, alguns presentes (q certamente pagaram pra entrar) entoando junto, um cover q não reconheci com um amigo subindo ao palco pra tocar junto e NENHUMA microfonia.
Disseram estar “finalmente” (sic) lançando o 1⁰ disco on-line. E um dos guitarristas, o q usava uma Fender Telecaster, me disse logo após na fila do bar, q a banda tem um ano. Claramente ensaiados e entrosados, q se ajustem cada vez mais.

A banda seguinte achei bem ruim. 4 moleques pagando de mano e usando capuzes (de moletom). Muito figurino, pouco ensaio. Tocaram muito alto, inexperientes e não pareciam ter passado o som antes.
Saí fora no 2⁰ som, sem remorso. Correia do baixista já tinha arrebentado. Foi quando o Leo e a Dani chegaram e tb aguentaram pouco dentro. Disseram q o baterista tinha quebrado a baqueta e o vocalista foi ao microfone ostentar q eram straight edge, com papo malvadão.
Chuto q daqui uns anos viram banda de crente.

O Greve tem um nome esquisito e uma proposta claramente inspirada (se eu não tivesse gostado, diria derivada) no Test.
Baterista oriental alto e vestido à hard poser, com pratos e chimbau rachados e um guitarrista com camisa das Tartarugas Ninja. Grind às vezes instrumental, impecavelmente ensaiado e aparentando barulheira feita de qualquer jeito ali na hora.
Nada disso. Numa hora subiu um outro cara pra tocar guitarra, enquanto o vocalista só berrava. Achei muito bom, embora não totalmente original (q venham mais Test’s!), as rodas proliferaram e tb os stage-dives. Ousado e do contra. Não se apresentaram, agradeceram ao final e vazaram.
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Cabe dizer q todas as bandas usaram a mesma bateria (só obviamente trocando pratos, caixa e pedais de bumbo) e amplificadores. Sem migué nem precariedade. Tvz sejam equipamentos da casa, mas mesmo assim: ZERO FULEIRAGEM.

Quando o Surra chegou, passaram rápido o som, se ajeitaram e mandaram logo de cara “Bom Dia, Senhor”
Platéia veio abaixo. Todo mundo bem mais novo berrando junto TODAS as letras. Inclusive a mulherada. Já são realidade e referência. 22 sons em blocos (vide acima), contendo pausas pra respirarem e o vocalista tomar água enquanto o baixista falava umas bobeiras e vendia o merchan.
Estão claramente evoluindo, e destaco o baixista desta vez: timbragem tremenda e precisão inquestionável. Precisam ir pro Japão o quanto antes pra gravar um ao disco vivo no Budokan ahahah

Brincadeira. Mas fico impressionado do quão profissionais e letais estão. “Plano Infalível” e “É Proibido Ser Pobre” já considero hinos. E aquilo de show do Surra: quando acostumamos e começamos a entender, acabou. E eram 11 e pouco da noite ainda.
No fim, uma noite de muito papo reto e sem frescura, como tentei passar nesta resenha.
ATHEIST & CRYPTOPSY
Fabrique, 21.02.25

Em algum momento do Atheist – na verdade, no último som do show, “Piece Of Time” – me ocorreu filmar um pouco e enviar pra alguns de vcs aqui.
O Inácio, um amigo off–blog, pouco depois me retornou:
“Atheist?” “Aquele???” E em eu confirmando, me retrucou: “pô, e eu aqui em casa comendo pizza com meus pais” ahahah
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O fato é q eu só soube do show 6 dias antes graças ao Jessiê (a quem reitero agradecer pela graça alcançada), q mora em Joinville!
Aqui em SP e em meus algoritmos parece q só vai ter Monsters Of Rock + shows extra, Bangers Open Air e ainda Pentagram e Coroner, com uma cara de q ainda não venderam o suficiente.
Mentira: vai ter tb a vocalista do Crypta cantando Amy Winehouse sei lá quando.

Começo reclamando: sexta-feira às 19h com previsão do Atheist começar às 19:30. Começaram às 19:39, bravo. Mas dia e horário muito ruins pra show por aqui. O q não justifica totalmente menos da metade do Fabrique preenchido.
Bandas de nicho, isso sim. Poucos e bons presentes. Nenhum truezão dorme-sujo. Muita gente com camisa do Carcass, maioria mesmo, nunca tinha visto.
Merchan vendendo camisas de ambas as hordas a 100 contos, em conta. Parte duma turnê latino-americana, q já tinha passado por Chile e Colômbia, salvo engano.

Não comprei camiseta, por isso não lembro. Fui com a minha q mandei fazer com a capa de “Jupiter“, único disco não contemplado por Kelly Schaefer, Steve Flynn e agregados, o q já estava meio sabendo. Pesquisei setlists recentes antes + fotografei ali no chão o set acima.
Tudo bem tb. Nunca imaginei q veria o Atheist ao vivo. Sequer imaginava q faziam show. Um puta show, sem respiros ou vacilos.
Schaefer (56 anos meu ovo) é o maestro da porra toda. Impossibilitado de tocar guitarra, devido à porra da Síndrome do Túnel Carpado, se divertiu, divertia, zoava os guitarristas + baixista moleques fritadores contratados e exalou profissionalismo ao não se abater com o pouco público: agitou, agradeceu e entregou MUITO.

O som começou meio abafado, mas foi melhorando demais ao longo da quase hora e vinte de som. Com Schaefer tb sinalizando e regendo o cara da mesa de som no transcorrer. Total domínio de cada nota e timbre tocados. Nível Chuck Schuldiner.
Vi q tocariam sons do “Elements“, q têm cacoetes de samba e bossa nova e temi alguma hostilidade. Zero hostilidade. Público acompanhou tudo com propriedade e ainda houve pedido para “Samba Briza”, não atendido. “Mineral” é foda, minha preferida. Mas “Air” e “Fire” tb me impressionaram.
Como alguns dos sons de “Piece Of Time” e de “Unquestionable Presence” – como “Unholy War”, “Enthralled In Essence”, suas faixas-título e “Mother Man” – majoritariamente contemplados.
Encerrada a apresentação, baixista e guitarrista com camisa do Linkin Park (não hostilizado!) desceram e ficaram trocando idéia e posando pra selfies. Após o Cryptopsy, quem o fez foi Schaefer, super de boa e zero estrela.

Fiquei até com vontade de chegar no cara, mostrar minha camiseta e perguntar um “why not, motherfucker?”, mas não quis encher o saco. Pq não, ué.
Quase faltou dizer: música de introdução ao show foi “In the Flesh?” (Pink Floyd), pra lá de pertinente.
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Pouquissimo tempo depois – 15 minutos, se muito – entrou o Cryptopsy. Mesma bateria, mesmos amplis, segue o jogo. E não curti.
Pq unidimensional demais (a comparação com a “abertura” era covardia): um death metal de bateria trigada e pouco criativo, de bases de guitarra comuns, baixista firmão e um vocalista tentando ser carismático.
Até conseguiu, pra quem era mais fã. Fisicamente, um baixinho com cara e fuça de John Connelly (Nuclear Assault) com Timo Kotipelto (Stratochato) misturados, urrando o tempo todo em cima da caixa de retorno à frente do palco.

Tocaram bem menos tempo (uns 40 minutos) e menos músicas, e não vi ninguém pedir bis. Achei menos maçantes a música mais antiga (de 1993) anunciada e a derradeira. Não anotei nomes ou decorei títulos, não apurei setlist, q aliás não tinha.
Provavelmente estava atrás do palco, acessível só a eles mesmos. Tiraram a foto protocolar com a gente ao fundo, e foi isso.

Saindo do rolê, Kelly Schaefer estava ali trocando idéia e tirando fotos, enquanto funcionários do Fabrique iam nos pondo pra fora. Provavelmente por outra balada mais tarde ou só por aversão aos metaleiros?
Só sei q foi legal. Pq tb inesperado e improvável. Mas ainda mais pq Atheist é foda, funciona demais ao vivo e poderia ser mais conhecido. Tomara q voltem.
O OUTRO PROJETINHO DO SUJEITO
Zacarias Selvagem tá há tanto tempo no Pantera Projetinho de Verão Paga Pau, vindo do cover gourmet de Black Sabbath, q eu até tinha esquecido q existia Black Label Society.
Vídeo novo:
Minha pesquisa a respeito deu conta de se tratar dum single lançado sexta-feira, sem perspectiva dum álbum novo a sair (só o single) e com baterista e baixista q nunca ouvi falar nem guardei o nome.
Curti, até. Mas daqui a um mês vou esquecer q postei no blog.
THE CENTRAL SCRUTINIZER BAND
Blue Note Brasil, 20.02.25
Um show muito esquisito. Pelas razões erradas.
Pra começar, numa quinta-feira às 20h. Q, em estando pontualmente às 20h na fila pra entrar, rolava um embaço e um lance de gente do lugar (hostess?) nos conduzir às mesas. Em vez de estar todo mundo dentro e COMEÇAR o som às 20h.

Estava sold out, ouvi alguém comentando. Assentos por ordem de chegada.
E por ordem de conseguirem encaixar casais, trios ou mesmo eu sozinho nos lugares disponíveis. A moça q me encaminhou perguntou se era minha primeira vez no Blue Note (sim), pra emendar uma cosmik debris de q o lugar era igual ao de Nova Iorque e q, se “fosse preciso brigar com alguém lá dentro” pra me dar “o melhor lugar”, faria.
Lugar e vista incríveis, realmente. Vide acima e SQN.
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Outra coisa esquisita foi faltar uma lição de casa. Ninguém é obrigado a conhecer tudo, ou q o nome da banda foi tirado da banda fictícia de “Joe’s Garage“, disco de 1979, mas locutor do local ao anunciar a banda, manda um “Central ScrutiNÍzer BÁnd,”, ao q um gaiato no melhor timing mandou um “manda ver, ScrutiNÍzer” (sic) ahah

O som começa (umas 20:15?) impecável. Músicos irrepreensíveis, alguns freelas manjados da noite paulistana com passagens em Karnak, Nasi e os Irmãos do Blues e Funk Como Le Gusta. No 2⁰ pro 3⁰ som, o vocalista/guitarrista (foda nos dois) Mano Bap, começa a meio se justificar q estariam “correndo contra o relógio”, pois o som teria q encerrar às 21h30.
Caralho. Uma hora e pouco só?
Claramente agendaram a banda nalgum encaixe (ou pra sondar se haveria público) anterior à balada principal (nem vi qual), sem migué. Mesmo Bap uma hora falando q iam tocar… “Sofa”?… mais rápido, ou no final dizendo q se passassem do tempo era “só puxar a tomada” (sic). Deu tempo “Whippin Post” no final. Menos mal.

A banda pareceu levar de boa, mesmo numas horas quase tentando indispor a platéia com a casa. Não sei dizer se cortaram UM ou DOIS sons, até pq dei umas “piscadas” a certa altura. (Show sentado em dia útil é minha desculpa) E pq várias passagens eram emendadas umas nas outras.
Tenho q esclarecer: vi a banda há uns 20 anos. E curti. Mas sem reconhecer muito. Minha porcentagem de reconhecimento está em 80% ainda, e vou levando.
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Pra não ficar só no queixume: o som estava excelente, o desempenho coletivo incrível (“Uncle Remus”, originalmente backing vocalizado pelas Iketes ficou impecável com os saxofonistas + tecladista fazendo a parte), o público era devoto e o ambiente era até legal, ainda q cobrando 18 lulas numa Heineken long neck.
O ponto é: banda e público merecíamos todos AO MENOS duas horas de Frank Zappa. Uma noite toda dedicada, de tempo mais dilatado. Quem sabe numa próxima?
Quem sabe num sábado?

Foi legal. Mas pq não teria como ser ruim. Sabor de Corinthians empatar em 2 x 2 com o Palmeiras de Campinas ontem.
MAIS OUTRA LISTA DE PRIMEIRAS
Ranqueando faixas de abertura do Kreator hoje:
- “When the Sun Burns Red”
- “Winter Martyrium”
- “Reconquering the Throne”
- “Prevail”
- “Leave This World Behind”
- “Impossible to Cure”
- “Golden Age”
- “Blind Faith”
- “Enemy Of God”
- “Extreme Aggressions”
WhatsAppin‘: não sei o q esperar disso. Saiu? https://www.metalsucks.net/2025/02/14/melvins-and-napalm-death-releasing-an-album-together-this-weekend/
Dane-se q o fundador da banda já morreu. As bandas defuntas (© Tiago) não podem parar https://consequence.net/2025/02/gwar-40th-anniversary-headlining-shows-2025/
Muita blasfêmia envolvida. SQN https://consequence.net/2025/01/cradle-of-filth-members-marry-each-other/





