Thrash com H

40 ANOS DEPOIS…

quinta-feira, 7 janeiro, 2021 por Txuca

… o q ficou?

6 respostas

  1. André

    Ficou o best-seller (meio que sem querer) da banda. O disco mais influente. O disco que muitos tentaram e não conseguiram replicar. Inclusive, a banda (que, no caso, nunca deve tentado). O disco é a cara da época. Isso não implica em ser datado. Afinal, anos 80 estão em alta há algum tempo. Disco que uni musicalidade foda, melodias pop e discurso foda. Limelight é um masterpiece do Neil. Enfim, nem sou tão escolado em Rush, mas, esse disco é discoteca básica. Obrigatório!

  2. André

    *une

  3. Marco Txuca

    É muita coisa pra falar de “Moving Pictures”, vou começando com algumas coisas:

    é o disco mais manjado da banda; meio como “Ace Of Spades” pro Motörhead, “The Wall” pro Pink Floyd e “Hot Rats” pra Frank Zappa. Aquele disco q todo mundo jura q ouve e gosta, mas ao mesmo tempo tvz só tenha ouvido uma vez (e gostado) e parou nele.

    Ao mesmo tempo, é o mais acessível da banda, mais até q os noventistas (“Roll the Bones”, “Counterparts” e “Test For Echo”) pq conseguiu a proeza de ser acessível e intrincado, pop e progressivo ao mesmo tempo. Acho q nem o Metallica (no fatídico “Metallica”) conseguiu se vender tão bem, e nos próprios termos, como o Rush aqui.

    Se bem q foi meio sem querer mesmo. E tb ñ buscaram replicar. “Moving Pictures” é o disco divisor de águas do trio: eles já vinham maneirando nas firulas (deixando-as subliminares aos sons) no “Permanent Waves” anterior, e conseguiram formatar a coisa muitíssimo bem.

    Todos os álbuns seguintes do Rush são arrojados, técnicos e difíceis, mas os caras conseguiam aliar técnica ao lirismo.

    ***

    É disco pra ouvir e reouvir e passar 40 anos, e mais os próximos 40, descobrindo coisas ainda: descobri ontem, reouvindo à noite, a baita produção. Ñ tem um som fora do lugar. Guitarra é pesada mas só soa quando Lifeson tocou (ñ tem reverberações, ambiências ou microfonias), assim como o baixo, a bateria e os teclados.

    Tem um puta contraponto de 3 caras tocando pra caralho e o SILÊNCIO. As pausas, as paradinhas pra voltar a música. É muito impressionante.

    “Moving Pictures” é acessível ainda pq o repertório jamais saiu do set-list da banda. “Tom Sawyer” pode ter enjoado, mas ñ é um som enjoado nem óbvio (é tvz o som esquisito/técnico mais conhecido do rock) e ñ podiam tirar do repertório; e tb nunca os vi tocando ela de pau mole.

    “Limelight” e “YYZ” tb eram freqüentes, a segunda com o famigerado côro nos shows do Brasil (q banda já tinha conseguido isso, do público CANTAR música instrumental?), “Red Barchetta” comparecia vez ou outra, sempre pedida, assim como “Witch Hunt”.

    Apenas “The Camera Eye” (pra mim a melhor, disparada, aqui) e “Vital Signs” foram dar o ar da graça em set-list na turnê “Time Machine”, já nos 00’s.

    ***

    Pra ficar ainda numa curiosidade, private joke, zoeira canadense enrustida do trio: “Moving Pictures” é o penúltimo duma série de 4 discos deles em q o número de músicas totais eram o do ano em q o disco foi lançado subtraído o ano do primeiro auto-intitulado disco, 1974.

    Então, assim:

    “Hemispheres”, lançado em 1978, subtraindo 1974, dava 4. Tem 4 sons
    “Permanent Waves”, lançado em 1980, subtraindo 1974, dava 6. Tem 6 sons
    “Moving Pictures”, lançado em 1981, subtraindo 1974, dava 7. Tem 7 sons
    “Signals”, o seguinte, lançado em 1982, subtraindo 1974, dava 8. Tem 8 sons

    Muita maluquice e muita coisa pra falar. Ñ quero esgotar a questão. Segue o assunto.

  4. André

    “Acho q nem o Metallica (no fatídico “Metallica”) conseguiu se vender tão bem, e nos próprios termos, como o Rush aqui.”

    Discordo um tanto. O Black Album foi bem planejado pra ser o que foi. Diferente do Moving Pictures, acredito. Contrataram produtor específico para aquele tipo de som. Metal de rádio. Rock de arena, como queira chamar.

    O Rush incorporou elementos da new wave e do reggae (eles mesmo admitem no Beyond The Lighted Stage), mas, não pra surfar na onda desses estilos. Tanto que não soou forçado, nem gratuito. Coisa que muito músico rodado tentou e não conseguiu.

  5. Marco Txuca

    Então, André, fiz a comparação pra diminuir o Metallica, q diluiu sua proposta – sempre com o álibi do “fazemos o q queremos” – pra se vender.

    O Rush nunca se vendeu de verdade. Raramente se encontra músicas deles em trilhas de filme (McGyver foi só aqui no Brasil e 3 segundos de “Tom Sawyer” ahah), e ñ se pode acusar a banda de ter baixado a bola pra vender mais.

    O caso raro e único de banda q criou o próprio público, q os acompanhou. Mesmo havendo aqueles q preferem “esta” ou “aquela” fase.

    O lance da new wave e reggae foi natural, era o q eles ouviam. Foram assimilando o mainstream e adequando à própria sonoridade/musicalidade. “Vital Signs” escancarou o q era sugerido na “Spirit Of Radio” anterior: influência descarada (e sincera) do Police.

    Fariam isso ainda mais em “Signals”, e abusaram dela no “Grace Under Pressure” (será motivo de embate mês q vem, aliás). A new wave, eles pegaram tiques de Talking Heads – aliás, como tb o King Crimson – e tb do King Crimson influenciado por Talking Heads ahahah

    O lance dos pads eletrônicos na bateria de Peart foi claramente influência de Bill Bruford. Depois nos 90’s, se valeram até do grunge (“Animate” é a melhor música do Pearl Jam pra mim), e sempre o fazendo assimilando o q rolava ao próprio som.

    Outra coisa ainda surpreende em “Moving Pictures”: disco progressivo e acessível, complicado e pop e q dura 40 minutos. QUARENTA. MINUTOS.

    Além disso, lançado menos de 1 ano após o complicado e pop e intrincado e acessível tb (mas um pouco menos), “Permanent Waves”. Os anos de 1979 e 1980 pra eles estavam inspiradaços.

    Q banda lançaria 2 discos desse calibre em 2 anos seguidos? Chupa, Dream Theater.

  6. märZ

    É daqueles discos que já falaram e dissecaram tanto que eu fico sem saber o que dizer. É ótimo, é clássico e praticamente uma unanimidade. No meu caso, sempre o entendi como um album dos anos 70, e não 80. Não traz os excessos de produção característicos da década de 80, talvez porque foi escrito e produzido na virada. O seguinte da banda, sim.

    Lembro quando comprei, juntamente com “Permanent Waves”, em LP. Foi meio que insistência de um amigo que trabalhava na única loja de discos da minha cidade. Eu conhecia a banda de nome e algumas músicas aleatórias gravadas em coletâneas de fitas caseiras, mas nunca havia escutado um album inteiro. Ele fez os 2 pelo preço de 1 pra me incentivar, então comprei. E amei ambos.

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