Thrash com H

RIPPING CORPSE

quinta-feira, 3 outubro, 2019 por Txuca

por märZ

Sobre o vídeo com Ripper Owens cantando Sepultura e o frisson que isso causou em muito fã da banda internet afora: eu concordo que soa melhor que Derek e é compreensível que muitos defendam e gritem “Fora Predador, Ripper Já!”, mas a minha teoria é que isso NUNCA aconteceria.

O motivo? Ripper Owens carrega o estigma de eterno substituto que não deu certo. O cara errado na hora errada, o tapa-buraco, que não estava à altura do seu antecessor – este, sim, the real deal. Mesmo clube restrito ao qual pertencem Blaze Bayley e Tony Martin. Em suma: para grande parte dos fãs do estilo e mídia especializada, são fracassados.

Os álbuns dos quais participaram são considerados menores na discografia de suas bandas, tropeções a serem esquecidos. Sobrevivem hoje fazendo shows pífios em clubinhos para 80 pessoas no Brasil, Honduras e República Tcheca, mendigando trocados. E podem incluir Paul D’Ianno nesse grupo, apesar deste ter sido substituído ao invés de substituir. Mas está no mesmo nível – alguns diriam até mais baixo.

E é por isso que não consigo imaginar Andreas Kisser optando por Ripper no Sepultura. Andreas sabe disso tudo, acompanha in loco toda essa novela, e talvez pense que seria um tiro no pé (o outro, pois um já levou tiro faz tempo e teima em não curar). Mas essa é somente minha opinião e posso muito bem estar errado. No entanto, gostaria de ouvir a opinião de vocês.

14 respostas

  1. Marco Txuca

    Eu tenho uma impressão do Ripper ser considerado meio injustiçado. Ñ era ruim, e vejo quem prefira ele ao Halford. E q o Judas tivesse continuado com ele a voltar com Rob Halford.

    A impressão q tenho dele é q ele nem toparia entrar num Sepultura. Vive de ser ex Judas e tirou pra si viver como freela. Canta com Iced Earth, com Malmsteen, com quem pagar. E na hora de catar uns trocados na América Latina e Leste Europeu, faz também.

    Andreas perde uma chance, se é q cogitou em algum momento, mas me parece q é pq tb vive do status de ex banda. Pessoas ainda nutrem expectativa de q “uma hora” o Sepultura volte a ser o q era, ou então faça algo consistente novamente.

    Q ñ seja a cada lançamento um novo “melhor da fase Derrick, e um baterista muito foda”.

  2. FC

    Por isso que até citei, num post anterior, que mudasse o nome e fizesse outra banda, sem ser Sepultura.

    Não sei se considero o Ripper injustiçado. Em termos de “novo vocalista”, ele era totalmente oposto ao Blaze Bailey, ou seja, era um substituto que em termos vocais não devia nada ao antecessor.

    Até estou entre os que o preferem ao Halford, porém, em termos de ícone, ele não tinha chance alguma. Desconfio que até sabia que a volta seria questão de tempo.

  3. märZ

    Eu teimo em chamar o Derrick de Derek, não tem jeito.

    Eu não gosto dos albuns que Ripper gravou com o Judas, e não tenho nenhum dos dois. Ouvi logo que saiu aquele que gravou com o Iced Earth e achei horrível, e olha que na época achava a banda digerível. Não acho que tem cacife para ser vocalista do Sepultura.

    Também não gosto nem tenho os dois do Baleia no Maiden, e do Tony Martin tenho “Tyr” e “Cross Purposes”, mas só porque achei dando sopa em sebos por ninharia e comprei pra encher a coleção do Sabbath. Mas acho fracos.

    D’ianno é claro que gosto dos dois que fez com o Maiden, são clássicos e ficam perfeitos na sua voz. Mas nunca mais fez nada que prestasse na vida.

    Acho que existe uma razão clara pra esses três vocalistas estarem onde estão em suas carreiras.

  4. Jessiê

    Vai ter textão do RIR? Se for deixo as considerações lá.

    ***

    Os amigos conhecem isso https://www.youtube.com/watch?v=6AA1g_TM2Ik

    Ripper é tipo funcionário do mês faz tudo e bem feito. Eu curto o timbre o estilo e o cara parece boa praça. O DVD do Judas com ele é massa (Live in London? não lembro, mas tenho aqui).

    Vendo o post e as considerações e os shows de ontem penso o seguinte: Sepultura não me conecta mais e não é de agora, na época do Roots falei para amigos que a banda não ia longe pois estava acompanhando o que o mercado ansiava e banda assim era sazonal. Pra mim era e é batmacumba pra gringa. Eu cresci e curto o Sep raiz até o Arise simplesmente monstruoso a trinca Schizo-BTR-Arise; Sei que a galera morre por causa de Chaos AD e Roots mas eu gosto de músicas aqui e ali mas pra mim não rola. Afinação, timbre, praticumbum. Nunca fez minha cabeça. Depois que o gringo entrou curto uma coisa ou outra, nem tenho má vontade com ele mas não tenho conexão com a banda.
    Pra mim todos perderam o fio da meada, pode juntar tudo que todos fizeram em suas bandas que não dá a intro de Troops of doom.

    Eu interajo com uma galera entre 16 e 24 anos que curtem um som pesado, thrash oitentista, death metal e a galera se liga em Tankard, Forbidden, Onslaught e não se conecta com o Sep.

    Também tenho amigos na Europa (europeus) da época do zine e dizem a mesma coisa por lá não se importam mais se o Max vai ou não voltar.

    Dai vejo o monstro do C. Billy cantar no RIR: um cara sozinho enche o palco e a tv com muita facilidade. É outro nível. E me lembro da história da entrada dele ou não (que considero superestimada as circunstâncias) e fico pensando nas milhares de possibilidades vocálicas que a banda poderia ter tido e agora… whatever.

    Se colocasse o Ripper ao menos conseguiriam muita promoção de graça, interesse e aguardo de um futuro álbum, que se fosse interessante daria outra vida para a banda. Eu me deslocaria a SP para assistir um show desse.

    E considerando a repercussão em si de um novo vocalista ainda teria o Phil Anselmo…

  5. Leo

    Bom debate!

    Em geral, concordo com o Jessiê.
    Ripper tem competência, carisma e todas as qualidades pra estar em qualquer banda da primeira divisão (qualidades que não vejo no Predador). E esteve numa das maiores, fazendo um CD excelente (mas excelente MESMO!), que é o Jugulator – já preparado para o Halford -; um bonzinho, que, diga-se de passagem, caberia melhor na década de 90; e talvez o melhor DVD da história do Judas, que é, sim, o Live in London.

    A quem duvidar, que encontre versão melhor que essa de Diamonds and Rust: https://www.youtube.com/watch?v=tdbVQ72jfsU

    Mas acho que, saindo do Judas, ele mesmo se colocou como outsider. E tenho a impressão de que é o que ele quer, pra continuar tocando o restaurante de costelinhas dele, com mulher, filhos, fazendo turnê pequena aqui ou ali, e sendo chamado pra projetos ou criando seus próprios sem muito compromisso com uma “trajetória”.

    Por isso, voltando ao assunto do post, sobre a hipótese dele assumir o Sepultura, concordo com o Marcão: talvez nem ele aceitasse.

    Mas, supondo que a hipótese fosse factível, acho que seria exatamente como o Jessiê falou: um “fato novo” (argumento da moda pra trocar técnico no Brasileirão) com muito potencial.

    Ripper compõe bem, inclusive.
    Acho que o Sepultura poderia virar a “outra coisa” que ele precisa ser desde a saída do Max e nunca se tornou, conseguiria ter uma característica definida de som, que não tem, e viveria do que, de fato, é, não daquilo que achavam que deveria ser.

    Por fim, embora seja um dos grandes defensores do Pantera, de achar que a possibilidade do Phil Anselmo assumir seria musical e mercadologicamente fantástica, esse sujeito morreu pra mim com aquele “White Power” que mandou num show.

    Continuo ouvindo o Pantera, por tudo que fez e, pessoalmente, pelo que me influenciou no metal, mas nada mais relacionado a esse sujeito.
    E não iria num show do Sepultura com ele… a não ser pra jogar uma lata de cerveja na cara dele, como fizeram com o Paul DiAnno numa babaquice em Leme.

  6. Marco Txuca

    Off-on topic: ñ pensei em fazer post sobre Rock In Rio. Sei da vontade dos amigos Jessiê e FC em comentar algumas atrocidades e tal.

    São duas as possibilidades:posts feitos pelos amigos ou aproveitarem a deixa q lancei na resenha sobre o King Crimson.

    Q, pra mim no domingo, ZEROU o Rock in Rio.

  7. Jessiê

    Quando citei o Phil era no sentido de barulho que faria no mundo todo. Sem falar que o timbre do cara é legal.
    Mas sim o cara é um cuzão. Sempre foi, muito antes do white power. Dizem que ninguém suportava o cara nos backing stages lá nos 90 o que coloca em xeque a questão dos boatos do cara ser veado, sendo o mais notório e famoso o que deram um flagra nele chupando o M. Mason se era fato ou só zoação por ser escroto. Mas enfim se existe pobre e negro de direita, também existe veado fascista.

  8. Marco Txuca

    Essa do Phil Anselmo no Sepultura é só terreno especulativo, certo? Ou rolou convite?

    Essa do boquete em camarim, sempre ouvi falar q tinha sido Anselmo no Halford. Nunca entendi o cara: bicha enrustida fascista?

    Se bem q aqui no Brasil teve gay, mulher, negro e professor votando em nazista. Foda.

    Ainda sobre Anselmo: sinto uma perda (do q jamais se confirmou, especulou ou aventou) dele ter feito ao menos uns 3 discos com Tony Iommi. Com ou sem o teto “Black Sabbath”. Aquela participação em “Iommi” ainda acho a segunda melhor da safra. Perdendo por uma maquininha zero da Skin ahahah

    ***

    Já o Chuck Billy no Sepultura, ñ só foi cogitado, como existe no YouTube versão de Choke com o Índio. Já até falamos sobre isso – faz tempo – aqui: Testament tava meio morto na época, Sepultura precisando dar um grau.

    Acho q ñ daria certo, mas teria rendido um “Against” audível, sei lá.

  9. FC

    Segundo o Andreas, não toparam o Chuck Billy porque ele queria continuar fazendo gutural e eles queriam outra coisa.

  10. Marco Txuca

    E essa “outra coisa”, alternando momentos de qualquer coisa com coisa nenhuma, já vem fazendo 22 anos na banda. Mais tempo e mais discos q Max. Mas e daí?

    Ñ devem ter embarcado o Índio na tropa of doom pq o cara ñ deve ter querido vir morar aqui.

  11. FC

    O mais sintomático foi a tua pergunta. Não são 22 dois anos de clássicos não são 22 anos ruins, são 22 anos de “e daí?”, o que é fatal pra qualquer artista.

  12. Marco Txuca

    Concordaria 100%, amigo, ñ fosse o FATO de o Sepultura ser a banda com a maior boa vontade dos fãs na História.

    Nem Black Sabbath nem Metallica tiveram tanta consideração. Parece ainda existir um eterno “agora vai”. Q nunca vem.

    Mas o baterista é foda, hein?

  13. märZ

    Acho que essa boa vontade e sentimento de “agora vai” é mais aqui no Brasil, lá fora já passou faz tempo.

  14. Marco Txuca

    Eu acho q aqui já tá passando tb, mas os segmentos da “imprensa” e dos “brothers” continuam insistindo.

    Disse aqui: shows do Krisiun em janeiro, ZERO camiseta do Sepultura; Overload Beer Fest, também zero; show do Ektomorf lotado de camisetas do Soulfly, mas ñ do Sepultura.

    O Rock In Rio, com Nervosa e Claustrofobia (aliás, abrindo pro Slayer, em vez do Korzus ou do Armored Dawn) a mim mostraram q a fila andou. Acabar a banda seria a maior prova de dignidade, a meu ver.

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