Thrash com H

THEATRE OF FATE

sábado, 8 junho, 2019 por Txuca

Amigos mais antigos por aqui sabem q, de posse de minha devida insignificância, montei este blog há 16 anos como modo de desmerecer bandas como as dele. Metal melódico, modismo chato, música de parquinho. Com o tempo, percebi q, além de besta, era pouca. Minha birra. Meu foco passou a ser esse “metal nacional” reaça, brodístico e de condomínio.

Nunca foi meu ídolo, jamais comprei a idéia de “melhor vocalista do Brasil” – nem em tempos de Viper (assisti lançamento do “Theatre Of Fate” ainda com ele, 1989, Projeto SP) – tampouco a pataquada de “ex quase Iron Maiden“; além disso, parece q ñ era desses seres detestáveis e afetados do meio. Foi um dos poucos (e ñ foi pouco) q REALMENTE fez parte da História do Heavy Metal no Brasil.

Parece q acabou de acontecer. Contatos q tenho metade estão sabendo, metade estão bastante consternadas. De modo q ñ sei ainda as causas. E nesse sentido, só lamento.

48 anos. 4 mais velho q eu. Foda.

***

Outro recém-falecido, e este sim lendário, foi Serguei. De legado musical mixo, mas o melhor fake da internet disparado. 85 anos e estava com Alzheimer. Finalmente esqueceu q tvz tenha traçado a Janis Joplin. Porra.

Foi o homem, ficam os memes!

12 respostas

  1. André

    O meu xará André Matos fez parte da minha vida. Mas, não por minha vontade. Nunca fui fã do cara, nem das bandas dele. Mas, alguns amigos eram e já sabe. Sem contar a nossa mídia metálica que noticiava até se o cara tinha peidado.

    O Serguei é uma figura folclórica. Ainda penso se ele traçou a Janis Joplin ou o contrário.

  2. Leo

    Eu faço parte de uma geração que se iniciou no metal quando o Angels Cry já era consolidado como um clássico do “metal nacional” (tenho a memória – não sei se exata – de que foi a segunda fita cassete de metal que ouvi!).

    Eu, particularmente, fiz um percurso bem linear, que se inicia nos clássicos do Heavy Metal (Iron, Judas, …) e se subdivide:
    – por um lado, para o melódico, por conta do rebuscamento instrumental e fortemente influenciado por revistas brasileiras da área, chegando ao death melódico e ao black mais sinfônico;
    – por outro, pela via do Sepultura, chegando ao thrash, post-thrash, death e death core, privilegiando muito mais a “pegada” que a velocidade (o que justifica em grande medida minha baixa preferência pelo thrash oitentista).

    O metal no Brasil, nessa época, já contava com um “caldo de cultura” em muito proporcionado pelos representantes dessas duas vertentes (ainda que muito distintos em vários sentidos): Angra e Sepultura.

    Foram decisivos na trajetória da minha geração, penso eu. Eu gostei muito e ainda gosto de bastante coisa da produção do André Matos (embora, confesso, provavelmente não tinha tocado no meu Spotify ainda esse ano). Tenho grandes amigos que “estacionaram” no melódico e, pra eles, a perda de ontem foi um baque.

    O que fica, pra mim, da trajetória dele são bons CDs (algo que não acontecia há algum tempo), e, principalmente, gostemos ou não da sua produção, a abertura de portas pra muita gente entrar no metal aqui no Brasil.

    Ainda que o “personagem” (inflação midiática) não contribua, a figura tem um legado importante!
    Por isso, acho uma perda considerável.

    Em tempo, na sexta à noite, conversava com a Dani sobre uma foto dele. Estava quase irreconhecível, com a idade bem aparente e alguns bons quilos a mais.

  3. märZ

    Não vou hipócrita nem espírito-de-porco: André Matos não fazia música pra mim, exceto os dois primeiros do Viper, que curti na época e ainda curto hoje, mas é inegável a sua importância nesse nosso parco meio metal brazuca. Como Txuca disse, ele fez história, produziu pra caralho e deixou um legado inquestionável.

    E em todas as entrevistas suas que li, nunca gastou verbo pra reclamar ou malhar ninguém, sempre pareceu ser digno e ter os pés no chão. E isso por aqui, nesse meio sufocado de hipérboles, é raro. É sim uma grande perda na música.

    E Serguei, já disse em outros meios que é o único e verdadeiro mito desse sofrido “rock brasileiro”. Um Don Quixote de peruca e batom.

    Que ambos descansem em paz.

  4. Marco Txuca

    Completamente despropositado e anticlimático o q digo aqui: o comentário acima do amigo märZ foi o vigésimo dumilésimo na história deste blog.

  5. Jessiê

    Gostava muito do Theatre of Fate e ainda gosto muito do Angels cry, mas só. Nunca curti os caminhos musicais posteriores. Questão de gosto mesmo.
    Também percebi que a voz dele desandou bastante nos últimos tempos. No show recente mesmo de longe percebi que o cara estava muito mal fisicamente, até meio decadente para pouca idade, ao ponto de ter ficado em dúvidas se de fato era o André ou outro, já que não acompanho a banda.
    Tive um único contato com o cara quando do lançamento do Angels cry para fazer uma entrevista para meu fanzine e o mesmo foi muito acessível e gente fina. Muito mesmo.
    Minha impressão desde sempre é que era meio bom moço, principalmente se colocarmos ao lado dos contemporâneos Max e Gordo. Impressão minha também que era meio distante dos mesmos.
    De qualquer forma lamentável, muito jovem, com uma carreira maiúscula, sem nenhuma dúvida.
    Achei a família bem discreta o que parece combinar com o mesmo.

    Ouvi hoje na rádio que existe uma movimentação para ser o dia do metal nacional. Putz!

  6. Marco Txuca

    Essa do “Dia do Metal Nacional” poderia ser piada (de mau gosto) se ñ fosse coisa de metaleiro conservador. Bolsominion. Bah!

    O lado da família, uma coisa interessante: a missa de sétimo dia, sexta (ou sábado?) será aberta ao público.

    Ainda outra coisa: a idade. “Soldiers Of Sunrise” é de 1987, procede? O cara tinha DEZESSEIS anos.

    Monte de nego querendo petição no Senado ñ saiu dos 16 ainda.

  7. märZ

    Sim, ele tinha realmente 15 pra 16 anos na época do “Soldiers”. Me lembro que a Brigade chamava a banda de “Menudo do Metal”, pois eram todos bem moleques ainda. Era incrível que tivessem lançado um album como aquele, sendo tão novos, naquela época e nesse país. Aliás, ainda é.

  8. Marco Txuca

    Comparando com outro ícone: Max tinha 20 quando fez “Beneath the Remains”. Caralho.

    Tá capenga, mendigo, mulambo e vai fazer 50 anos em agosto próximo.

    ***

    Jessiê postou em seu Instagram o zine com entrevista com André Matos. Será q autorizaria postar por aqui?

    Manda as fotos, cara.

  9. Jessiê

    Mando sim

  10. Tiago Rolim

    Foi uma perda realmente grande. Acho que a primeira no metal nacional digna de nota. Foi um cara que realmente venceu na vida. Apesar de não gostar de nada dele após o Holy Land. Que é sim, genial. Fica a sensação que a vida acabou junto com a carreitra dele. A bem da verdade a carreira solo dele foi um fracasso absoluto. Não é coincidência as ” reuniões”, começarem nesse período.
    Mas era um cara Gente final, impressão geral. Lembro da única vez que fui em um show do Angra, era lançamento do Fireworks, e tinha um amigo fanzaço dos caras, já tinha ido em outros shows e os conhecia. Pois bem, quando o show acabou, ele foi tentar entrar no camarim e fui junto. Quando ele viu esse meu amigo ele o chamou pelo nome!!!! Achei isso impressionante. E ele foi muito simpático com a gente. Enfim, vá em paz.

  11. Tiago Rolim

    Um pequeno P.S.: neste fim de semana de tragédias, faltou falar da morte de Dr. JOHN, esse sim o mais foda dos 3. Pq o Serguei na boa, era mais um personagem que músico. Não consigo lembrar de 10 músicas dele que sejam boas. Mas que ele era massa como palhaço do rock, isso era.

  12. Marco Txuca

    Um outro PS quase letal: João Gordo teve pneumonia e passou 3 dias internado em UTI esta semana. Está com 55 anos.

    E uma recomendação fúnebre: texto (longo) de Felipe Machado (q é jornalista) em seu perfil no Facebook sobre André Matos. Tocante.

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