Thrash com H

QUANDO AS LUZES SE APAGAM

quinta-feira, 17 maio, 2018 por Txuca

por Jessiê Machado

Quando as luzes se apagam, fico pensando: “além da música, o que me move como passatempo (que sequer disponho para ser passado), são os filmes e os quadrinhos”.

(alguém fala assim ainda? A tal 9ª arte me soa esnobe e uma criança jamais falaria isso)

Pra mim, os quadrinhos certamente vieram primeiro do que a música (metal, melhor dizendo) e filmes (de uma maneira ampla), com meu pai e meu irmão. Meu pai era 30 anos mais velho do que eu, e meu irmão 8.

Lembro de ter começado com a turma da Mônica, e gostava do Cebolinha e seus planos infalíveis e me identificava com o Chico Bento, pelas minhas ligações com o campo. Isso eu devia ter uns 5 ou 6 anos de idade, aprendendo a ler mesmo, lá em 1980/81. Coisa boa a turminha nesta época. Clássico em cima de clássico.

***

Lembro-me de um dia específico quando meu pai apareceu (ou já tinha lá em casa, não sei) com dezenas de quadrinhos que ele gostava, principalmente Zagor, Tex (era o que ele mais gostava) e Conan. O bárbaro foi meu Black Sabbath e me apresentou a um mundo espetacular e maravilhoso. Foi um pulo para outras centenas de personagens ali nos 80’s, quando a Marvel reinava na Abril com seus primeiros passos, e ainda uma coisa ou outra da Ebal, e todo mês me fazia procurar um erro pra ganhar o cata-piolho, que nunca escrevi, só não conseguiu fazer a ponte com o Manowar. Ufa!

Interessante que no meu caso específico sempre gostei dos personagens sem poderes, principalmente Demolidor (meu preferido), Batman e, futuramente, Constantine (mais pra charlatão). Tinha pavor de Capitão América, Super Homem e afins, apesar de devorar tudo, mesmo que fossem em tiras de jornais. Mas curti muito a complexidade dos X-Men (quando era “xis-men” e não “ecsis-men”).

Além dos heróis, sempre admirei a riqueza dos vilões, inclusive um grande herói precisava de um grande vilão, e nesse ponto ninguém ganhava do Batman: Coringa, Charada, Duas-Caras, Pingüim, Espantalho… uma infinidade. No caso do Demolidor, o Mercenário e o Rei. Sem falar da riqueza do Justiceiro e da Elektra. Todos personagens densos e que vão muito além de dominar o mundo, alguns até verossímeis dentro de suas inverossimilhanças.

E o que dizer do Conan? Um herói, um vilão ou um anti-herói? Se perguntado, diria: “sou um cimério, por Crom!”

O cimério me faz lembrar o Arnold. Grande filme, o primeiro. Imortal. Ao que me parece, a Ciméria poderia ter sido a Áustria, dada a atuação. Pena q Roliúdi não curte muito esse tipo de bárbaro do norte e só fez lambança posteriormente. Amaldiçoados sejam!

***

Em compensação, perdoado todo o marketing, zilhões arrecadados a cada jornada, imprecisões, absurdos, ver vários personagens que li, reli, curti, odiei, tomarem forma com vigor e robustez diante dos meus olhos no cinema é algo que achei não ser possível, haja visto as tentativas patéticas desde que nasci, excetuando alguns acertos como o filme do Coringa (aquele primeiro, com o Jack Nicholson) e a trilogia do Morcego, pra citar uns poucos.

Vejam só: a D.C. abriu a porta e perdeu o fio da meada.

As luzes se acendem e penso comigo: “cara, esse filme do Thanos é bom mesmo. Pena que certamente vão chamar o Shenlong (se errei a grafia, perdoem: não é minha área, mas no pensamento a pronúncia estava certa. Garanto) “no Thanos II e fazer um final feliz, claro”. É igual achar que continuar “Matrix” seria uma boa idéia.

Não foi spoiler (acho).

 

PS: se até o Hulk tem problema de ereção, tá tudo certo.

17 respostas

  1. märZ

    Eu poderia ter escrito esse texto, pouquíssima coisa diferente. Os quadrinhos também sempre tiveram uma posição de destaque em minha vida, desde guri com Disney e Maurício, até o início da adolescência com o vício em tudo Marvel.

    Houve um momento, creio que por volta de 1988 quando servi o exército, que eu tinha TUDO já lançado pela Abril e muita coisa resgatada da Ebal. Mas a paixão pelo metal foi substituindo a dos quadrinhos e eventualmente me desfiz de toda minha coleção, pra capitalizar e comprar LPs. Um vício por outro.

    Hoje em dia fico entusiasmado com os filmes que estão fazendo, e que sempre sonhei que fizessem mas a tecnologia não acompanhava. Ainda bem que vivi pra ver.

    P.S.: Demolidor também é meu personagem favorito, até hoje. Graças a Frank Miller.

  2. Cassio

    Grande texto, jessiê. Concordo com tudo que você disse sobre o Conan ( O acerto e os MUITOS erros cinematográficos) , a bagunça que fizeram com suas HQs aqui no Brasil…só quero acrescentar que meu vilao preferido da Marvel é o Dr Destino (horrivelmente retratado nos filmes do Quarteto – verdadeiros lixos, diga-se). Quanto ao Thor e o Loki, a mesma coisa. Tornaram ótimos e profundos personagens em bundões dignos das altas confusoes da sessao da tarde. Voce disse que nao gosta de personagens com poderes mas ainda assim, te recomendo a “Triunfo e Tormento” com Dr Estranho e Dr Destino. E ainda o encadernado “Loki” com uma arte nao menos que espetacular de Esad Ribic. Vale muito a pena, caso vc nao as conheça. E ainda são fácéis de achar. Vez ou outra são relançadas.

  3. Estava pensando…é impressionante como o metal nos direciona a buscar literatura. Seja em quadrinhos ou livros. Não vejo outro estilo musical que desperte isso em seus ouvintes.

  4. André

    Mais curioso é como burrice e violência gratuita são atribuídas ao gênero e a seus apreciadores. Ouvir de um mané fã de mpbosta, boyband e/ou de dance music que sou mente fechada por “só” ouvir metal é pra sentar a porrada numa pessoa dessa.

  5. Jessiê

    Cássio não é que não gosto, apenas naturalmente preferia os “sem”. Mas até os que não curtia por representar ideais americanos em demasia (cap e Superman) ou maniqueísmo exacerbado, lia tudo. Devorava. Mas abandonei nos 90. Tive milhares de gibis. Hoje por falta de espaço”só” tenho todos os Conan lançados no Brasil até 2006 e diversos Batman.
    Curti demais “triunfo e tormento”. Loki acho que não conheço. Dr. Destino é um grande personagem, muito além do Quarteto (quem nunca desejou a Sue? Haha)

  6. Jessiê

    O demolidor Netflix é muito digno. Redenção depois da caçada do filme.

    Zé os quadrinhos remetem ao metal e vice versa. Até nas capas antológicas. Nós fanzines.

    O metal é tão rico que te leva a letras, livros, filmes, quadrinhos, poesia… um sem fim de links nas músicas. Não é uma cultura mastigada e pronta, precisa de todo um processo.

  7. Cassio

    Jessiê – meus sonhos de consumo ainda sao a Sonja e a Drunna…por Crom…É pedir muito???

    Quanto ao bandeiroso, também fiquei ‘preocupado’, digamos, com o tom que dariam ao personagem nos filmes mas acertaram em cheio na minha opinião. Na sessao que fui do ‘Vingadores’, quando o cara encarou thanos no mano a mano, o cinema quase vinha abaixo. Kkkkkkk só lembrei dos velhos filmes de Van Damme quando a zoeira nos cinemas nao tinha fim.

  8. Jessiê

    O duro seria derrota-la para possuí-la. Por Mitra!!!

  9. Cassio

    Ah, outra coisa – a equipe que desenhava “tex” pqp…era de outro planeta. Acho que ser em p/b dava até um realce maior ao traço principal dos desenhos.

  10. Marco Txuca

    Desempacando os comentários do märZiano, pra ficar de acordo.

  11. Jessiê

    Hahaha marZ fiz a mesma coisa cheguei com malas de gibis trocando por vinis no sebo. Foram ficando Conan, SAM (tenho a morte da Elektra até hoje e a queda do M.M.) e Batman.
    Vale ressaltar os desenhos animados da DC. Primorosos desde o Batman até os recentes. Quem nunca assistiu flashpoint recomendo com vigor.

  12. Marco Txuca

    Pegando uns fios:

    1) sempre curti a Janet Van Dyne, vulgo Vespa. E acho uma pena ñ terem descolado uma atriz mais mignonzinha pra interpretá-la no filme

    2) tenho uns gibis do Conan e um monte do Zagor pra vender. Do segundo, vendi alguns este ano

    3) tb abandonei um pouco os quadrinhos em meados dos 90’s. Por conta do som e de uma namorada à época: dinheiro ñ dava pra tudo. Mas tenho um monte ainda em formatinho por aqui. Heróis da TV, Homem Aranha, Superaventuras Marvel…

    4) Quarteto Fantástico foi triplamente cagado no cinema. Única coisa q prestou foram as pontas do Stan Lee. Maior equívoco de todos: botar Jessica Alba, tingida, como Sue Storm.

    Tinha q ser Charlize Theron ou similar

    Tb acho q deveriam tê-los introduzido nos filmes como figurantes, pontas, tvz nos “Homem Aranha”, pra daí ganharem consistência. O q fizeram com o Hulk, tb cagado nos longas com Banna e Norton

    5) DC acerta em desenho e seriado (a Supergirl é uma delícia), Marvel acerta em filmes. Exceto nos q erraram

    6) curti os filmes do Thor, e achei muito foda o Loki. Acho muito difícil transpor décadas de quadrinho pra filmes, e pelo jeito adotaram uma postura mais fanfarrona pra Thor, q ficou de acordo. Como Downey Jr. pra fazer Tony Stark. Deixemos o Doutor Estranho como o cara sério

    E q vai salvar a pátria na continuação do “Guerra Infinita”. Pois aprendi há um tempo q, “na Marvel ninguém morre por muito tempo”.

    A ñ ser Gwen Stacy.

  13. Marco Txuca

    E a Jean Grey.

  14. Jessiê

    Será que o Warlock vai aparecer?

  15. Marco Txuca

    Capitã Marvel, camarada, Capitã Marvel.

    Na persona lindinha de Brie Larson.

    Aproveito a perguntar aos amigos q têm filhos: vcs vão ao cinema ver filme de heróis com eles e percebem o mesmo interesse?

  16. Jessiê

    Então eu tenho 3 a menina de quase 9 não curte, é youtuber. O do meio tem quase 5 curte mas não a ponto de ver filme, não tem paciência a tanto. Mas gosta do Hulk porque esmaga e interessantemente curte o Thor. Mas ele gosta mesmo é do Batman, tem fantasia e tudo, assiste as séries animadas. Curte muito Teen Titãs e outros desenhos da DC que são muuito superiores. o Pequeno ainda está no gugudada. Os Conan estão aqui aguardando a fase certa e a Black Sabbath rola todo dia naquela esperança de tocar cada um deles…

  17. Marco Txuca

    Esse dos filhos eu pergunto pq deve ser muito doido assistir aos filmes de heróis com eles, pela referência completamente diferente e etc.

    Mas tb pra saber se os pais ñ curtem mais q os filhos ahah Nessa o Jessiê me respondeu o q mal perguntei…

    ***

    Pra ir nessa da molecada de hoje, duas historinhas:

    1) o filho duma amiga da minha ex teve q cortar o cabelo na escola, por ser chamado de “bichinha”, essas coisas.

    Tem 5 anos, acho, e nem se ofendeu pelo bullying. Ficou magoado pq deixou de parecer o Thor.

    2) a filha dum amigo (q poderia frequentar mais aqui), tá com uns 3 ou 4 anos e tirou recentemente foto fazendo o “chifirnho” do Dio, q o amigo ensinou.

    No q comentei: “pô, legal, já tá acostumando ela com os sons legais”, ele retrucou q ñ era nada disso. Q ela pedira pra ele ensinar o gesto a ela pq é o gesto do HOMEM ARANHA.

    Falei pra ele q quando ela tiver idade pra saber q Papai Noel ñ existe, ele revelar tb o segredo de q o Dio era o Homem Aranha ahahah

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