Thrash com H

ENCARTE: RUSH [2]

quarta-feira, 11 abril, 2018 por Txuca

Trechos pinçados do extenso release/memórias de bastidores, “Flying Down to Rio”, cometido por Neil Peart (o cara é prolixo – 32 parágrafos. E sem ordem muito cronológica) no de “Rush In Rio” (2003):

[q veio traduzido meio meia boca]

A chuva ameaçou todos os três shows no Brasil, mas só nos pegou durante a segunda apresentação, em São Paulo. E eu quis dizer ‘pegou’ mesmo: uma forte chuva de vento atingiu o palco, molhando a todos nós e ao equipamento, e foi bom estarmos com microfones sem fio e transmissores ou… poderíamos ser mortos.

Durante o show, olhávamos uns para os outros com a sensação curiosa causada por aquela cena bizarra. O estádio de futebol do São Paulo – Morumbi – recebeu 60 mil pessoas, de longe o maior público para quem tocamos como a atração principal da noite, e apesar da chuva eles cantaram conosco cada palavra, acompanhando cada nota, cada batida. Da minha bateria, eu via os pingos de chuva iluminados pelos feixes de luz dos refletores, numa mistura de vermelho, azul, âmbar e branco. Os pratos da minha bateria brilhavam com as gotas de chuva e, nas batidas, fontes de spray jorravam em luzes coloridas.

(…)

Recebemos ainda uma proposta para ir à América do Sul pela primeira vez em nossa carreira, para três shows no Brasil, no final de novembro, mas não sabíamos o que pensar sobre aquilo. Primeiro, porque naquele período, supostamente pelo nosso cronograma, já teríamos encerrado a turnê e voltado para casa (lembra daquele lugar?). E também, será que alguém gostaria de nos ouvir no Brasil? Admito que fomos informados de nossa popularidade por lá, onde vendemos um considerável número de CDs pelos canais oficiais – é verdade também que a pirataria difundiu ainda mais a nossa música. Mas certamente ninguém ficou mais surpreso do que esta modesta banda de rock do Canadá ao tocar para mais de 125 mil pessoas nos três shows agendados no país, de longe a maior platéia que reunimos em nossas apresentações pelo mundo. Em Porto Alegre (cidade da qual nunca havíamos ouvido falar), 25 mil pessoas foram nos assistir; em São Paulo reunimos 60 mil pessoas e, para o show final, no Rio de Janeiro, tocamos para uma multidão de 40 mil animados, afinados e entusiasmados jovens brasileiros.

Para se ter uma idéia da força destes números, basta dizer que nossa audiência média na turnê Vapor Trails, em arenas ou anfiteatros dos Estados Unidos ou Canadá, foi de algo em torno de 12 mil pessoas, sendo que o maior público até então em nossa carreira como atração principal havia sido de 20 mil pessoas, no The Gorge, no Estado de Washington (EUA), na turnê Test For Echo, no início de 1997.

(…)

O mesmo nos foi avisado sobre o Brasil: aparentemente, Close [sic] to the Heart era também a música mais popular – apesar de sabermos que Tom Sawyer foi tema, no país, do seriado de tevê McGyver.

(E foi justamente esta a nossa reação: O QUÊ?!?!)

(…)

Assistindo àquele show agora, de vários ângulos diferentes dos que eu tenho da bateria, e na cômoda situação de quem não está a serviço, é nítido que a plateia teve uma sinergia própria, contribuindo com uma constante, intensa e pulsante energia, uma força natural, que animou aquele estádio de futebol com eletricidade e vitalidade. No show daquela noite [Rio] havia 40 mil estrelas.

Nós três nos apresentamos bem (e eu certamente não falo isto sempre), mas não há dúvidas de que recebemos inspiração e fomos inflamados por aquela plateia maravilhosa, que nos devolveu muita excitação, energia, e volume. Basta ouví-los cantando conosco, nota por nota, a música – instrumental – YYZ que é possível perceber que não se trata de um público qualquer.

Foram extraordinários, e nós dedicamos esta performance, agora e sempre, a eles.

De volta ao hotel, nos reunimos no bar com nossas esposas e amigos e pedimos muitas rodadas do poderoso drinque nacional, a caipirinha Estávamos com dor nos ossos e esgotados, apenas começando a sentir o alívio de saber que tudo chegara ao fim – o longo e difícil show e a longa e difícil turnê. Como garantiram os membros da equipe de filmagem e gravação, o registro de pelo menos um das 66 apresentações da turnê Vapor Trails não se perderia no espaço, como uma fumaça efêmera de ecos e memórias. Nossa poderosa equipe prevaleceu sobre todos os obstáculos de clima, tecnologia e tempo, e aquele show final serviria de lembrança viva para os que estavam lá – e para aqueles que não foram. Pedimos outra rodada de caipirinha e brindamos a todos eles, e a cada um de nós, nos sentindo melhor a cada minuto”.

4 respostas

  1. doggma

    Inesquecível. A rara ocasião em que bato no peito (não muito forte) e repito o slogan meio babaca: eu fui.

    https://tinyurl.com/y7x4dpg2

    E também apareço no dvd cantando o refrão de “Roll the Bones”. Zerei.

  2. Marco Txuca

    Sério? Qual refrão?

    E eu tava lá tb. Só q no de SP.

  3. doggma

    2º refrão, no canto à esquerda, na altura do meio, cantarolando “Why does it happen?” >>

    https://tinyurl.com/ycgsy2jl

    Com isto, estou apto a localizar qualquer foragido numa multidão, hehe… Que se cuidem Miguéis Orofinos e Henriques Pizzolatos!

  4. märZ

    Também estava lá e foi inesquecidivisível.

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