Thrash com H

Ñ SEI SE VALE 5 CONTOS

domingo, 28 outubro, 2012 por Txuca

“Instant Clarity”, Michael Kiske, 1996, Raw Power/Castle

sons: BE TRUE TO YOURSELF * / THE CALLING * / SOMEBODY SOMEWHERE / BURNED OUT / NEW HORIZONS * / HUNTED * / ALWAYS / THANX A LOT! * / TIME’S PASSING BY / SO SICK / DO I REMEMBER A LIFE?

formação: Michael Kiske (vocals, guitars, piano, keyboards, sound effects), Ciriaco Taraxes (guitars; piano on “Do I Remember A Life?”), Kay Rudi Wolke (drums; guitars on “Time’s Passing By”), Jens Mencl (bass)

participações especiais: Kai Hansen (guitars on “Be True to Yourself”, “New Horizons” and “Thanx A Lot!”), Adrian Smith (guitars on “The Calling”, “New Horizons” and “Hunted”), Norbert Krietemeyer (flute on “Do I Remember A Life?”)

Houve um momento cataclísmico noventista em q pareceu q o mundo iria acabar em barranco devido à saída de Michael Kiske do Helloween. Ñ q ñ tenha sido um evento, mas hj entendo q teve muita firula da Rock Brigade a respeito.

E a História mostrou q o Helloween continuou MUITO BEM sem ele, afinal.

Quando este “Instant Clarity”, saiu, lembro da apreensão q o envolvia. Sobretudo entre os viúvos e viúvas do canário-mor, cujo repúdio a Andi Deris na banda happy happy acompanhava o luto. Tb lembro, vagamente, de resenhas na época nem detonarem, tampouco elogiarem ostensivamente o material. Num modus operandi de crítico q hj entendo como o dum safo distanciamento: quem ñ gostou, ñ quis falar tão mal, pois ñ entendeu muito bem e/ou poderia acabar gostando; quem gostou, ñ se descabelou em elogios, por conta do material em si. E de tb ñ ter entendido bem qual é.

E a questão me parece assim: realmente ñ é uma porcaria de álbum, mas tb ñ há nada por aqui q, a meu ver, credencie o disco como algo injustamente depreciado, apressadamente ufanado, nem mesmo como material seminal, q tenha legado influências a rodo.

Por mais q o sujeito miando em “Be True to Yourself” o Chatovarius tenha chupinhado em sua “Alpha & Omega”. Por mais q “The Calling” e “New Horizons” me soem os únicos sons passíveis de arranjos pelo Helloween. Por mais louvável q “Always” preste-se como réquiem ao recém-falecido Ingo Schwichtenerg.

Resumo do álbum: os sons q contém Kai Hansen e Adrian Smith (alguns inclusive como co-autores, asteriscados todos acima) são os mais a ver com metal. Mais um metal levemente próximo daquilo q o Helloween consagrou em “Chameleon”. Menos divertido e porra-louca, no entanto. Tvz até por conta dos músicos de apoio soarem mais comportados (como no “Skunkworks”, do Bruce Dickinson):  bateristicamente desolador me é ver apenas “New Horizons” conter trampo de 2 bumbos. Ñ encontro nas 11 faixas qualquer refrão memorável de sair cantando junto – no q poderia ser pobrema meu só, mas creio se dar por “Instant Clarity” denotar o quão tépido como compositor Michael Kiske sempre foi.

O baixista Mencl é destaque instrumental: sempre jogando algum “molho” e groove nos sons. O desempenho vocal é tb tímido, com pouquíssimos momentos realmente kiskicos de outrora. O álbum é homogêneo, com exceção de “Thanx a Lot!” (uma coisa meio folk, com vocais saturados e solo legal do Hansen), “So Sick” (algo bluesy, de voz distorcida e a única com aparente desabafo pra cima dos ex-colegas e de empresários ou gravadora envolvidos) e “Do I Remember A Life?” (balada longuíssima, com piano e flauta), q parecem coisa q o cara tvz precisasse pôr pra fora sem o imprimatur da ex-banda.

Comparações e aproximações finais: 1) tvz “Instant Clarity” possa servir àquela visita em casa daquela garota q curta pouco ou nada de heavy metal. Rola uns climas; 2) tivesse nascido nos EUA, tvz Kiske tivesse a partir dele (e da carreira errática com a qual prosseguiu) se tornado compositor de aluguel pra bandas como Aerosmtv ou Nickelblargh, e ñ sei se isso seria legal; 3) é um disco light, q mais adequadamente seria se chamasse “Distant Clarity”, mas jamais a ponto de causar vergonha a alguém de tê-lo comprado ou baixado. A ñ ser q pague uma fortuna por versão importada. O pior a acontecer será abandoná-lo nalgum fundo de  prateleira ou deletá-lo uns dias depois, sem maiores conflitos.

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CATA PIOLHO CCXI – tirado da bio iômmica, de fonte canhota e sem os tocos duns dedos: o riff de “(Fight For Your) Right to Party”, dos Beastie Boys, parece ter sido chupinhado/sampleado do de “Hot Line”, do Black Sabbath

7 respostas

  1. FC

    Quando comprei aconteceu mais ou menos o que disse, tive que desenbolsar uma grana pela versão importada, tava muito ansioso, ouvi e entrei meio que num “estado de negação”, tentando me convencer de que o disco não era ruim.

    Eu já estava preparado para ouvir algo na linha do Chameleon e não tinha nenhum problema se viesse pop, mas mesmo assim, ouvi, reouvi, rereouvi e praticamente nenhuma música me pegou.

    Talvez “Always”, “Time Passing By” e “Do I Remeber a Life” sejam as mais “temperadas”, mas a maioria é bem sem sal. Sem contar que os vocais são muito burocráticos, totalmente pé no freio.

  2. doggma

    Soa pra mim como uma tentativa de enveredar pelo rock alternativo de FM da época, mas ainda mantendo um dedo na velha vibe heavy (como nas citadas “New Horizons” e “The Calling”). Talvez pra conferir mais alguma garantia de retorno comercial ou simplesmente por força do hábito mesmo.

    “Somebody Somewhere”, “Burned Out” e “Time’s Passing By” são claramente feitas para as rádios. E até competentes nesse sentido. Vai saber o que faltou pra conseguirem um lugar ao sol. Talvez um produtor especializado em música pop. Ou talvez um cantor mais jovem e galã, hehe.

    “So Sick” tem um clima meio Beatles. “Do I Remember A Life?”, balada épica interminável², destoa. Melhor resolvida é “A Song Is Just A Moment”, a balada More-Than-Words que fecha. Mas também sofre do mesmo mal do resto do álbum: a referida falta de um refrão (ou letra) realmente ganchuda – o que é surpreendente vindo de um grupo de veteranos em melodias e arranjos.

    No geral está longe de ser um registro ruim, mas peca pela falta de direção e acaba soando um pouco modorrento e, pior, sem identidade.

    Prefiro o “Skunkworks”.

  3. Marco Txuca

    Q “A Song Is Just A Moment”? Faixa escondida, por acaso?

    Entendo alguma intenção pop da empreitada, mas mesmo em relação ao pop da época, soava deslocado, ñ parece?

    Prefiro “Pink Bubbles Go Ape”.

  4. doggma

    A versão que ouvi trazia essa música como faixa-bônus. Agora que fui me informar. Nesse caso retiro o elogio, rs.

    Sim, soava deslocado. Mas não tenho dúvida de que a intenção era ganhar as rádios mesmo. Lembro da Brigade reportando declarações de Kiske de que ele não queria mais saber de metal, que o disco novo era uma proposta mais “madura” e não tinha nada a ver com o Helloween, etc. Só que sair de uma esfera pra outra completamente diferente não é tão simples assim, como o tempo provou em relação a esse disco.

    Aliás, lista dos melhores fracassos rola? Ou nem?

  5. Marco Txuca

    Pois é… essa mudança e “maturidade” acabou dando em nada. Haja visto o modus operandi então inaugurado de, volta e meia falar mal do heavy metal, dos fãs de heavy metal… mas topar qualquer trocado pra gravar com bandinhas até do calibre dum Thalion.

    A real é q tvz o Kiske, assim como a Tarja no Nightwish, tvz nem fosse assim “do metal”. Tvz “Instant Clarity” e a errância solo/bandas outras do sujeito tenha mostrado por a + b q no Helloween ele acontecia… enquanto q em carreira solo ele se tornou só mais um.

  6. FC

    Não acho que seja o mesmo caso da Tarja, não. O Kiske sempre fala das influências dele com Geoff Tate, Bruce Dickinson, Rob Halford etc, enquanto a Tarja mal devia saber o que é uma guitarra distorcida.

    Talvez o caso seja que o Kiske se encheu muito mais rápido do estilo ou apenas goste mais dessa vertente pop que, no fim, não paga as contas dele.

  7. Marco Txuca

    Pois é… e aí vale um monte pra chamar atenção. Será q poderíamos considerar Kiske a “Carolina Dieckmann do metal”? ahah

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